quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amor, um delírio metafísico.(Osvaldo)


As pessoas não concordam com o fato de que por detrás das justificativas que promovem a união de um casal, seja em namoro ou casamento, oculta-se uma inexorável permuta de interesses próprios e ilusões, dada a cognição do mesmo.
Partindo-se do pressuposto biológico, que aqui não se faz necessário discorrer, o corpo humano com o cerne em sua atividade cerebral, produz mecanismos singulares que despertam interesses subjacentes ao processo de acasalamento tal qual fazem os animais irracionais, porem estes se diferem pela não racionalização do evento em si, seguem a lei natural da vontade da natureza.
Uma vez sendo o homem dotado de razão, ele se esquece que esta razão é pífia e mal administrada, empiricamente dotada de valores distorcidos, moralistas e vigentes na sociedade atual mais do que nunca, sobressaindo-se desta forma a procura incessante de parcerias ideais como em um catálogo de compras, à sombra da união abençoada por um deus fatídico, puritano e opressor, ou de forma oposta na crença de um deus como conforto metafísico que não existe.
O que nos move na procura de alguém? Talvez seja a concepção de estórias e histórias mirabolantes que expressam a certeza do amor, mesmo que não seja o perfeito, tanto quanto a concepção do reino dos céus e seres alados que nos protegem das agruras de nossas próprias idiossincrasias e feitos deletérios, ou um estoicismo romântico de redenção àquele que locupletará nossas próprias deficiências e necessidades; pois o erro sempre está em nós também, movidos por modinhas esdrúxulas da era "new age" de lorotas terapêuticas e sofismas acerca da real felicidade do ser; pilhérias pueris, enfados e mesquinharias editoriais, filosofastros que incutam apenas predicados depreciativos do ser.
Pasmem, aqui uma boa dose de razão pura e ceticismo acerca da historia como nos contaram nos remete ao um juízo no qual se infere as causas multiformes das separações, divórcios e outras quinquilharias juvenis.
Os indivíduos gostam de sofrer por amor, se tornando isto um vício, um torpor que em primeira ordem nos alenta na mera especulação do "bem me quer ou mal me quer"; um frisson desajuizado advindo da ordem dada pelos hormônios e outras substâncias que nos preparam para o acasalamento, e este se traduz por sexo apenas, e no final de forma descompromissada; e ao se arriscar nas volições destas aventuras que cada qual se une temporariamente à subjetividade alheia, vem acompanhado o desgaste de tudo ter conhecido em relação ao outro; assim emergem todas as destemperanças do ego.
Quais seriam então estas âncoras que, mesmo ao serem fincadas, ainda deixam os indivíduos à deriva e em movimentos nauseantes dos relacionamentos antes destes decidirem por alçar as âncoras e respirarem a brisa de seu próprio oceano? A reposta é a ilusão, o determinismo, as influencias, o outro como baliza de sua existência, a falta de amor próprio e a necessidade de formar esta auto confiança em outro que não seja a si próprio; a falta de fé em si mesmo, a inferioridade, o porto seguro mediante o absurdo existencial, a falta da personalidade própria, o auto flagelo, os interesses econômicos, a libido sexual, na mulher a mensagem subliminar que uma prole se faz necessária, no homem meramente a vontade de potência, tudo isto de forma consciente ou não.
Mostram os fatos e estatísticas esmagadoras que a união amorosa se torna cada vez mais uma meta inalcançável, e este amor um sentimento peremptório, um desvio das reais necessidades do ser humano, a obliteração de algumas faculdades instintivas do ser para a sobrevivência de seu auto-juízo, adversa da mera propagação da espécie.
O amor se torna hoje uma metafísica imanente, uma meta e ideal intangível, inteligível, um apelo delirante, um sonho de consumo, um assunto que se leva até o fim dos tempos para os românticos, em versos, prosas, trovas e tercetos, um devaneio; explicando-se assim este fenômeno hoje de forma simplesmente mais elucidativa, mais apurada, mas que sempre existiu no meio do homem.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ateísmo e Neo Ateísmo (Osvaldo)


De fato quando cita-se a questão do neo-ateísmo, me lembro sumariamente de Nietzsche quando este advertiu ou mesmo vaticinou alguns fatos que poderiam resultar nisto, e me faz recordar de fato que ainda ele se encontra póstumo, ou seria o neo-ateísmo uma configuração de seus vaticínios em ultima instancia?
Pelo pouco que sei, o neo-ateísmo se dá como efeito colateral da indolência filosófica dos "clássicos"ateus que não conclamaram sua posição mediante vários segmentos sociais, face à proliferação de movimentos religiosos circunscritos e impregnados em qualquer lugar que seja; política, educacional e tantos outros aparatos ideológicos. Forma-se daí também a dicotomia entre ambos, ou seja, quem suplantará quem, acusando-se mutuamente, porém os neo-ateus advertem para a bancarrota de ambos se não tomada uma ação até mesmo legislativa contra a falácia moral-religiosa impregnada nos recônditos sociais.
Penso que talvez essa conscientização dos neo-ateístas seja de fato uma via de congruência filosófica, uma vez esta dicotomia se faz por ora instalada.
No tocante a transdisciplinaridade entre biologia e filosofia ética, isto é de fato algo inevitável e carece de mais discussão, eu mesmo preciso estudar isto melhor, entrementes, fico com o que Nietzsche pensava acerca de uma certa perda dos instintos elementares que protegem a vida, nos tornando viciados em conhecimento com certas consequências,dado como a ciência é praticada hoje:conhecimento com que fim? Dizia ele que o que conseguimos são descrições de maior complexidade e sofisticação, mas não explicamos nada; tais fenômenos permanecem tão mágicos para nós hoje como para os mais primitivos seres humanos, e que as quantidades epidêmicas de teorias pós modernas, o sentido paranóico de existir em um vácuo hiper real, não são volições meramente científicas e teóricas, mas uma tentativa desenfreada de manter-se junto às revoluções pós modernas em cosmologia, genética e tecnologia digital; a ciência como valor absoluto, como uma nova "religião" para nossa era sem Deus.
Entretanto, ouvindo o cientista Richard Dawkins em sua obra, "Deus, um delírio", percebo que algumas de suas assertivas são de fato convenientes, e isso faz eu voltar ao primeiro assunto em questão, no que lê diz que já é hora daquele que se diz ateu não simplesmente dizer que respeita o conceito de religião, mas se faz necessário refuta-lo com argumentos claros e óbvios.
É para se pensar!

domingo, 1 de novembro de 2009

Da metafísica e o ópio. (Osvaldo)


Muito se comenta nas comunidades em que eu participo acerca de diversas possibilidades que elucubram o porquê da humanidade chegar a este ponto em que estamos, mas muito pouco se fala aonde ela irá culminar.
A escola filosófica aponta diversas proposições à luz da expansão do conhecimento humano, livre do obscurantismo metafísicos e doutrinas incapacitantes, dogmatismos e determinismos.
A metafísica no sentido mais restrito da palavra é hoje sinônimo de apenas vida para além da vida, ou vida que não seja agora, e até mesmo a superação de mim mesmo de acordo com minhas “percepções”. Desvia-se desta forma de seu sentido filosófico de entender a humanidade sem estar baseado em dogmas ou formas superficiais para formular as indagações que intrigam a existência do homem e sua essência. Sendo assim metafísica não é religião, mas podemos pensar metafisicamente quando questionamos o motivo de sua prática e sua influencia no viver diário. Entretanto, ela não está interessada em saber como se faz, mas sim nos “porquês”.
Penso que algumas das escolas filosóficas mais existenciais deixam de lado esse verniz da metafísica quando esta aborda assuntos como: O que é real?; O que é liberdade?; O que é sobrenatural? O que fazemos no nosso planeta? Existe uma causa primária de todas as coisas?
De certo que o homem precisa se situar em sua existência ou até meditar na existência anterior à essência, vislumbrando assim caminhos de auto-supremacia de si mesmo, mas daí também é um passo ao abismo colossal, a grande maioria não quer o existencialismo, e sim o metafísico na sua corruptela.
O medo, a priori, de estar só, lança o homem aos estados mais diversos e mirabolantes de sua percepção no mundo, mesmo porque na nossa mente se processa toda forma que damos à realidade, maneira que concebemos este e a ordem que damos aos eventos e categorização de um mundo que nos é peculiar. Tampouco se resume a metafísica a um “esforço de se pensar com clareza”, aceitando percorrer a vida em axiomas em detrimento de um pensamento claro e da dialética.
O intelecto do homem não é tão forte quanto sua vontade, então acredita no que querem acreditar, em razão de seus esforços comuns e perpetuação de suas crenças a partir deste cenário cognitivo e empírico, dos fenômenos e suas próprias aspirações em relação ao objeto de sua vontade.
Somos então exortados, ao acompanhar o raciocínio que se segue, a suspender nossos juízos finais sobre as coisas.
Forma-se então um pilar no qual levantamos um raciocínio critico acerca dos valores que adotamos e de onde se originam, tanto quanto da necessidade de crenças religiosas ou dogmas dentro de um compêndio catastrófico que leva o homem para além da ética entre os semelhantes, para consigo mesmo e própria natureza.
Caminha-se, portanto, ao sabe-se tudo, mas nada se sabe, à alegoria da caverna de Platão, da necessidade de nos libertar da escuridão que nos aprisiona intelectualmente através da luz da verdade.
Ora o ser humano se perde em seus devaneios “metafísicos”, ora se perde na irracionalidade tecnológica enquanto própria impersonalidade, ou nos conhecimentos científicos sem saber a razão de sua prática e esquivando-se ainda de suas verdadeiras metas cientificas.
Situa-se o homem numa posição folgada mediante a capacidade de avanços advindos da vontade de controlar o que lhe é incognoscível.
A filosofia se situa num campo neutro, entre a teologia e a ciência, na qual é bombardeada por ambas as partes. Formou-se daí, por falta de conhecimento e mesmo por parte do processo evolutivo do homem o qual pensamos ser muito diferentes dos primatas, mas somos apenas pela razão, a necessidade do homem viver assistido, vigiado e julgado por um deus como ainda é pertinente nos dias atuais nos reality shows da vida.
As religiões, a necessidade da fé pelo incognoscível, a falta de ética no coletivo, o não exercício da cidadania, a falta de conscientização para com a natureza em seu limite, poderiam ser mais elucidadas à sombra do exercício do conhecimento desprovido do medo de conhecer sempre mais e da noção de libertar-se do dogmatismo e determinismo.

Eros ou tânatos? Apolíneo ou Dionisíaco? A morte intelectual (Osvaldo)


Os conceitos modernos e ultra virtuais, que são na sua contingência ainda de ordem subjetiva advindas da procura por respostas de como situar-se no mundo atual, ressuscita varias proposições de ordem ético-moral e mais do que nunca metafísicas.
Apregoa-se que, no entendimento mais racionalizado em vista da realidade subjetiva e da ordem que concebemos o mundo, o que lhe propõe prazer esta intrinsecamente relacionado com o desejo de viver, que é “Eros”, ao passo que, dentro ainda destas percepções voláteis e frugais, sua contraposição é “morte”- Tânatos.
É certo que na individualidade e característica de cada qual o que prevalece sempre será o modo particular de ver as coisas, e estas, sempre são de ordem empírica e causais na nossa mente.
Precisamos então entender que os valores, condicionamentos, observações do mundo em nossa volta, e intelectualidade do observador que se atém ao reducionismo da equação Eros – Vida, se limita a tão somente categorizar estes conceitos, escapando ainda da percepção de si mesmo nesta contingência.
Como poderíamos apenas classificar o que é o ímpeto de vida e o que também a cerceia? Pela mera supressão da do sofrimento ou o que nos propõe prazeres absolutos?
A psicologia poderia muito bem tratar destes tratados enquanto movimento das grandes massas, mas a filosofia propõe um estudo da fenomenologia para tal, que não pode ser desprezado, ou seja, há uma distinção entre pensar o que é de fato “ser” e o porquê se pensa desta forma.
O que se atém a Eros, a priori, podemos dizer que são sensações do prazer mais imediato como assim é o sexo e suas formas mais lúdicas. Este se situa nas esferas mais abrangentes do ser humano e, consequentemente , desvela-se latententemente, empiricamente e causalmente uma ampla gama de atribuições para objetivar tal estado de prazer, assim como se dá a forma os prazeres mais elementares extraídos da subsistência do ser humano como o calor, alimento, afeto e toda sorte de manutenção a vida.
Não obstante, pode-se dizer também que a antítese ao supracitado, embora suscite na esfera da temporalidade da razão determinista a idéia tanática, é uma proposição ou até via de regra para elucidar as reais aspirações da “idéia” do ser humano que vive mais focado em sua própria natureza mais do que sentidos e percepções temporais das representações que sua mente impinge a si mesmo, salvaguardando suas necessidades básicas e estas não a revelia.
O que mais ouvimos atualmente é uma determinante acerca de nosso bem estar em oposição com o verdadeiro conteúdo que habita as reais necessidades do homem, como a mídia de forma geral no seu papel avesso, inculcando uma falsa realidade e aspirações para além de suas capacidades, sendo estes estéticos ou mesmo sociais; a hiper tecnologia que rouba uma grande porção da capacidade do homem de criação e pensamento crítico, a má educação escolar na qual não se advém indivíduos críticos, e por fim, mas não último, o norteamento que as grandes massas seguem desviando-se da auto-conscientização política e sócio-econômica, valorizando-se mais a realidade subjetiva da aquisição dos prazeres imediatos do que o bem estar coletivo e uma ética assertiva mediante os devaneios políticos e seus praticantes. Desvela-se mediante de nós então um ciclo de vicissitudes.
Forma-se a partir disto um embasamento da morte intelectual, que contrapõe a idéia de “Eros” pelo fato de que estando o ser humano nessa dormência intelectual não está apregoando sua própria salubridade intelectual e até racional ao não confrontar o que de fato o mantém muito além da apreensão de si mesmo.
Outra inserção que se adequa aqui é a dicotomia do homem “contemporâneo” com o metafísica, de sua necessidade de crenças no “para além desse momento”, que promete, equivocadamente em si, um objetivo final para além desta realidade no qual se faz valor a perpetração do mundo subjetivo concomitantemente ao juízo de que nesta dualidade se encerra o ciclo homem-existência, na promessa de, ou de um deus redentor, ou punitivo.
Isso também nos remete ao “Apolíneo e o Dionisíaco”, um embate filosófico ou necessidade de nos despertamos perante o que seguimos de convenções, dogmatismos, formatos e estatutos, mesmos os religiosos, em contraposição com o que de fato queremos, somos ou necessitamos, dentro de uma perspectiva de resgate da capacidade humana de criar, recriar e criticar, de longa data tolhida por nos mesmos, que deixamos desprotegida a lacuna do saber e da lucidez morrendo intelectualmente, já que assim entendemos o mundo na sua representação.

sábado, 31 de outubro de 2009

Crítica ao apego e à filosofia individualista (Osvaldo)


Todos nós partiramos de um pressuposto filosófico individualista advindo de outro discurso de alguma escola filosófica de determinada autoria, e frente nossa própria realidade se aplica devidas determinações, aquilo que faz bem e é conveniente professar. Forma-se a partir disto uma forma de pensar própria, que é bom, mas desde que objetivando o dialogo que engloba outras conjecturas também.
O assunto levantado aqui referente ao apego é interessante porque hoje a sociedade procura respostas mediante varias opções de como conseguir uma vida “classificadamente” melhor e preocupações banais, e não mais uma resposta acerca do “quem sou eu “, meu papel na sociedade e o que fazer para me tornar um indivíduo melhor para comigo mesmo não atritando em diversos níveis com os demais. Suas referências ainda são catalogadamente dispostas de forma pontual e não creio que resignar-se a este movimento seja interessante em termos de coletividade, isso é banal demais para o homem, tanto quanto pensar que cada um se vire da forma que desejar conquanto se adquira, passe por cima, destrua, e infinitas ações deletérias provindas de sua “situação” no meio. Ao invés, se publica nas revistas o apocalipse em 2012 em antagonismo com a necessidade do homem se tornar insuperável nos negócios, no amor, sexo, beleza, etc...
Ainda penso que os grandes discursos na maioria, principalmente os ininteligíveis para a população, não levam a lugar nenhum, embora alguns seletos pensadores de fato souberam “premeditar” ou até tornar ainda vívido seus conceitos para os dias de hoje.
Não é uma questão de determinismo somente, que é o que parece nos dias atuais, ou aforismos ao pé da letra, ou eterna reciclagem de livros de auto ajuda , (as literatices, segundo Schopenhauer nada mais fácil do que escrever difícil).
Formulas de prateleiras, unidas ao fermento social, resultando em um mundo voltado para si com as mascaras do que não é, e de que tudo está bem no meu mundo, ao passo que o individuo se assombra com sua falta de poder de escolhas mediante tanta oferta e frente a convenções.
Porque não dizer que isso tudo também é obscurantismo e apego ao vazio?(que não é o “nada”), e sim ainda um estado de torpor que não se desperta o verdadeiro gênio em si.
O determinismo reflete ainda suas “irracionalidades” e, a grosso modo,ao se calçar no indeterminismo geral o homem volta à toca preferindo o verniz das múltiplas escolhas da contemporaneidade e seus desdobramentos “ocupacionais”.
Vamos então ser racionalistas, usar os quatro métodos para refilmar o clássico “assim caminha a humanidade”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Solidão/Crítica aos Relacionamentos (Osvaldo)


Por que nas desventuras do cotidiano alguém se deparar com um estado de solidão do outrem, isso se faz motivo de preocupação de quem observa o fenômeno?
Ser/estar solitário pode ser um estado muito saudável para os que intelectualmente precisam apenas de paz e harmonia, para estarem em contato consigo mesmos para além das aparências de uma objetivação empírica criada pela maioria das pessoas ao redor de quem se cala. Se calar frente à banalidade contextual, a literatice, e as percepções mais esdrúxulas do cotidiano é uma proeza e tanto, como a qual de estado em que se faz necessário um momento mais sublime de inspiração, ao recorrer ao silencio absoluto para não ser açoitado pela agressão intempestiva e indolente do barulho que agride o momento que no silêncio se dá forma a concepção da arte e seu artista.
No meio de uma massa amorfa que segue essa sociedade em que vivemos, a qual cada um estabelece caoticamente seus preceitos e pré-conceitos inadequadamente e pressupostamente à luz da vã racionalidade, estar no silencio nos transporta para um estado de segurança longe deste torpor anestesiante, de cólera inadvertida da ignorância latente sem valores e sem nada, niilismo mental, o vazio cerebral.
As pessoas sempre carecem, como numa matilha, agregarem umas as outras, por instintos básicos e primitivos, é certo, porém a tagarelice dos indivíduos pode ser indicadores de outras pressuposições que divergem das meramente amistosas ou do banal cotidiano. Que resultado pode advir de abordagens repetitivas e maçantes em ambientes corriqueiros? Que sentimento pode algum intelecto mais esclarecido que fomenta aspirações do conhecimento recíproco e abrangente obter das mesmices cotidianas grupais?
Diversas são as máscaras, muitas vezes até inconsciente, empregadas para dissimular mimos e afabilidades entre as pessoas, sejam elas por beneficio próprio ou por estabelecimento inconsciente do “poder” de persuasão e astucia sobre os demais. Em qualquer grau de relacionamento, as pessoas se adéquam ao outro para não perder sua “colocação” na vida alheia, para poder gozar do sentimento benfazejo de pertence, muitas das vezes momentâneo, de que “possui” o outro nas mais diversas escalas do inconsciente, perdendo assim sua vida em detrimento dessas concessões. Uma metamorfose deletéria daquilo que não se consegue ser por si só, buscando no outro a auto-afirmação diária em um processo de auto-estima decadente e sentido de pertence.
Ao se abrir os olhos para tal descoberta, uma força interna impele o individuo a proclamar seu novo “estado”, sua “individualização” mediante tais processos mesquinhos, produzindo-se assim a dor da partida, as desavenças, a incompreensão, o ato de se fazer julgado por não seguir a ordem das convenções e estatutos sociais, mas segue-se a partir daí a compreensão que a maturidade em escala maior, e a razão farão companhia para ser solitário novamente com esmero.
Quem realmente tem os olhos voltados para a amizade real que se estabelece entre dois indivíduos, passara alhures dessa rasa insipiência de fazer sempre para o outro em beneficio de si próprio e estabelecer uma dialética banal, mal conseguindo promover a síntese seja lá do que for, desferindo apenas conjecturas dentro de abstrações do que é um ser comunitário ou uma parceria.
Estar em silencio faz bem, e compreender isto de forma inteligível e não ser banal na abordagem é melhor ainda, contribuindo de forma auxiliadora à promoção da tarefa alheia e respeitar a individualidade de cada um e de quem também está próximo, compreender que nem todos precisam do ópio generalizado como o pop, futebol, novela das oito e tantas outras coisas que tocam única e exclusivamente o indivíduo, e não contingentes.
Ser igual é a preferência, ser diferente tem seu preço, mas tem sempre sua identidade e individualidade impressa sob vários adjetivos. Ser você mesmo supera tudo isso: o comum. Que bom navegar com um barco por um oceano de mentes que se igualam em sua composição.
Sua consciência, não a dos outros, é sua melhor amiga.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tendencionismo filosófico (Osvaldo)


Muitas das citações de certas pessoas são uma“ilusão da onipotência individual”,sendo mais ideologia do que o processo de filosofar, uma tendência proselitista que confronta o pensamento individual de cada um negando a mescla de várias correntes filosóficas no sentido da pura análise e debate para fins esclarecedores.
Existe o que nós temos acolhido como norteador e aquilo que também não podemos expor sequer em uma sala de aula de ensino médio, a dita grade curricular: é fraca do ponto de vista de seu conteúdo, mas adequada a um início de formação de opinião e necessária, assim como a sociologia, voltar massivamente para as escolas.
Muitos pensam que filosofar hoje é ser “descolado”, encher o caneco de breja até o talo ou fumar um baseado em frente suas “respectivas” instituições de ensino e discutir o pseudo-marxismo dentre aqueles que são burgueses por si mesmos (salvo muitos que levam a idolatrada “coisa em si” para além da diversão e do vociferar).
A filosofia é o seguinte, quando a água bate na bunda, nossos instintos considerados mais imbecis se mostram na superfície proveniente dos remanescentes culturais, familiares, da realidade social, etc. Daí se emprega o que? Caos? Niilismo? Existencialismo? Racionalismo? Volta-se a acreditar no anjo da guarda? Já passaram por situações que de fato viram a face daquilo tudo que não gostariam de ver e nem imaginavam porque estavam tão protegidos em um “bunker social” diverso?
A imparcialidade se faz mister para quem se denomina filosofo.Mesmo eu curtindo muito Nietzche ou Schopenhauer, também tenho apreciação por outros tantos, mesmo porque muitos se fundamentaram sucessivamente.
O que vale de fato é pensar em quais bases a humanidade caminha e a projeção de tudo isso, e que ainda a sociedade se impõe limites e que ainda se espelha em modelos absurdos para os bilhões que precisam de seus ídolos em diversos seguimentos: culturais, metafísicos, educacionais e políticos.
Quem já vê a luz no fim do túnel que me diga, antes de me acusarem de niilista apenas digo que estou usando a razão, fatos e estatísticas para tal, embora esperança possa ser algo frustrante também, mas no caos valerá a lei do mais forte.