quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crítica ao cristianismo (Osvaldo)


Soa um tanto "romântico" e abstrato demais ainda o fato do homem estar à procura de uma síntese que o justifique em sua existência além daquela que o recoloque em seu papel social, interpessoal e constituinte de uma coletividade.
Eu penso que toda e qualquer abstração ou proposição que tenha implícito uma ordem de incognoscibilidade para o homem apenas o afasta de sua própria compleição enquanto ciência de si mesmo e perda de suas matrizes instintivas.
Dada qualquer circunstância que nos leve para um atributo de atemporalidade, este ainda nos remete a simples contingências que nos desconectam de um estado contemplativo de sermos "solistas" para engendramos nossa própria historia concomitantemente com o tempo a nossa frente; excluindo ou atenuando desta forma um maior vislumbre do bojo existencial ao qual somos inseridos na qualidade de humanos, e da mesma forma sermos menos resistentes a "frustrações" que, em nossa existência, se contrapõem a "idéias" nas quais subjazem certas explanações categóricas que ilustram o ser humano de forma reducionista; esquecendo das premissas ontológicas num sentido mais existencial.
Não adoto nenhuma postura que seja puramente "externa" a mim; ao menos tento preservar o fato de que enquanto homem preciso cotidianamente dar um sentido a tudo e reinventar-me.
Penso que a cultura é nossa meta mais importante, poderíamos perguntar o que acontece com as teorias metafísicas que especulam sobre a natureza fundamental da realidade usando apenas a razão. A possibilidade absoluta da metafísica dificilmente pode ser discutida, portanto também não posso ser radical ao extremo, partindo do pressuposto que tudo está no crivo da razão humana.
Apenas penso que teorias que tentam responder a esta questão estão fora do escopo da investigação humana. Historicamente, esta questão sempre exerceu um fascínio sobre os filósofos, mas que ganhamos ao especular o tempo todo a existência de uma dimensão metafísica? Por que?
Porque somos habitantes de um mundo físico, somente aqui nossos pensamentos e desejos têm uma aplicação; e é através deste processo que o homem deve se aprimorar cada vez mais tendo ciência das idiossincrasias perpetuadas por ele mesmo; e não advindas de uma realidade subjacente; forças antagônicas que anulam o potencial humano e o reduzem ao cataclismo especulativo e escatológico.
O homem precisa bem mais de motivação de suas capacidades latentes do que o constante levantamento de suas temeridades.
Eu mesmo nada posso afirmar em relação à existência de Deus, me posiciono em um patamar agnóstico; nada, além disso.
Carl Seagan: " A ausência de evidencia não evidencia a ausência".
Mas sigo Nietzsche no que diz respeito ao cristianismo como um todo, e toda outra religião de massas. Defendo de certa forma a filosofia budista, sou simpático ao movimento de Richard Dawkins e na questão virtude sigo o raciocínio do amigo Jório.
Mesmo dada existência de Deus, não se pressupõe que o homem tenha que se lograr nesta fé para ter sua formação social e altos valores apreciativos para com seu semelhante, portanto digo novamente que "existir" é o que importa, nossos maiores problemas sociais estão veementemente truncados com uma metafísica não somente das más interpretações de livros sagrados, dogmas e ditames escatologicos e apocalípticos que inculcam uma má fadada moral e virtude para com o outrem, mas também porque o homem é temeroso e covarde de sua própria historia de mundo, de seu existir.
Eu li uma trilogia literária um dia que se chama "Conversando com Deus", que creio que seja uma obra muito rica e para além de nosso tempo para quem quer se livrar do conceito de "demiurgo" do velho barbudo sentado no trono dos céus. O que extrai ainda desta obra é um papel existencial do ser humano, pois deus não vai interferir na tua vida, na minha e de ninguém aqui; você é dado ao mundo, faça sua existência; pois suas ações são inexoravelmente marcas no todo da coletividade, sejam elas boas ou ruins.
Existencialismo também é humanismo.
Bem, vou entrar aqui em defesa de Schopenhauer e sua primazia sobre a ética cristã, isto na minha opinião é singular, pois é dada a natureza humana se referir ao outro e entendo que isto está inserido de certa forma na "compaixão" que cita Schopenhauer.
Agora, Rodrigo meu caro, longe se soar uma atribuição que lhe estou dando, percebo um proselitismo de tua parte ao defender o cristianismo.
Ao que me parece, até bem pouco tempo atrás e inferido de suas postagens passadas, você simpatizava com as "marteladas" de Nietzche acerca da moral estabelecida; e esta é veementemente associada ao transcorrer do cristianismo em nossa historia de humanidade, uma mancha sem precedentes na qual o ser humano foi desprovido de toda sorte de auto-crítica em prol de um sistema infame, pífio, hediondo, expoente do irracionalismo humano e suas idiossincrasias no que refere a uma alteridade do ser humano somente em função de seu ego salvo pelas indulgências do pai e do filho.
Refuto seu pressuposto que na moral cristã estão os exemplos de "valores" humanos, pois estes são em função da "pseudo" salvação do próprio homem, ainda um expoente egóico em detrimento das reais motivações para o bem comum, ou seja, não há a necessidade de uma moral cristã ou outra que seja estabelecida para fundamentar o homem enquanto pré-determinismos para o embate entre o "bem e o mal".
É impossível que toda o boa ação humana seja por causa de uma moral cristã tão somente, ao meu ver, como um existencialista, isto seria apenas uma linguagem para se realizar o desejo, uma ação voluntária inerente ao ser sem o escopo de uma determinação.
Na própria filosofia temos vários autores que mesmo sem a concepção de um criador formulam exemplares passagens acerca de um humanismo.
o cristianismo tolhe completamente o homem, assim eu refuto veementemente este conceito.
Se eu hoje tiver que dar um conselho para alguém que quer seguir uma religião, que este seja budista.
A imagem de Deus está diretamente e inexoravelmente relacionada a uma antropormofização do mesmo como ente paralelo e demiurgo em relação ao ser humano; esta é a carga cultural que todos temos, e vejo em Nietzsche um expoente ao atacar essas mazelas da maior massificação religiosa que existiu.
Eu mesmo já fui evangélico por forças das circunstancias quando era criança, depois fui católico, espírita e tudo foi passando pelo crivo de uma crítica sob a luz de um raciocínio não extemporâneo da realidade que o homem se encontra. A religião e seus conteúdos são meramente muletas existenciais ao homem fraco e acovardado mediante seu existir.
Como já lhe disse, Deus não iria, se fosse o caso, interferir nas ações humanas e tampouco Cristo, pois se você acredita que foi "dado" a existir por parte de uma pré-determinação, dentro disto ainda você iria se defrontar com suas questões existenciais (vide Kierkegaard).
A volatilidade e alta tensão que o ser humano encontra comparados com as premissas evangélicas são inconcebíveis no ponto de vista existencial. Mesmo partindo do pressuposto da vida de Jesus Cristo e sua passagem "existencial" até sua crucificação, ainda resta ao homem ou indagar acerca do absurdo existencial ou dar um salto de fé no fundamentalismo religioso, que via de regra é cego e anárquico no sentido de instintos represados; se fores um homem não tens vocação à santidade, pois esta está em fabulas fictícias somente.
Por que você acha que seria conveniente ao homem ter este conceito "evangelizador"?
Convicções morais de ordem religiosa são, portanto, sempre convicções de grupo, e o grupo é maior que qualquer indivíduo discordante. Com a moral, o indivíduo só pode dar valor a si mesmo como uma função do rebanho. A censura e o controle moral somente podem surgir através do consenso social.
Ela representa o poder daqueles que são individualmente fracos, mas coletivamente fortes. Suas leis os protegerão (eles esperam), assim como justificarão o seu modo de vida.
Não ter a certeza desta metafísica religiosa, ou mesmo nega-la, apresenta um terrível e ao mesmo tempo hilariante pensamento. Terrível porque mos sentimos abandonados por nosso antigo protetor, e ao mesmo tempo hilariante porque subitamente nosso mundo se abre ao infinito. "Qualquer coisa" agora é imaginável, qualquer aventura temerária do conhecimento está permitida outra vez.
Não há nada natural na religião organizada. Pode-se substituir a palavra "natureza" por "neurose", pois não vejo nada natural nisto. A história viu numerosas "epidemias" religiosas (por exemplo, a inquisição, o fundamentalismo, a auto-flagelação corporal e psicológica), mas a aflição, a angustia, o absurdo sempre existiu em algum nível no ser humano.
Resta ao ser humano que tenta refutar a fé cristã um profundo sentimento de condenação por sua própria razão, uma temeridade e temor; parece, de uma maneira terrível, um prolongado suicídio da razão; pois a fé cristã desde o começo é sacrifício, escatologia temerária para o homem, sacrifício de toda liberdade, toda autoconfiança de espírito, e ao mesmo tempo escravidão e auto-escárnio, automutilação.
Kierkegaard embora cristão chamou a fé de "divina loucura", um "absurdo" que requeria um "salto" sobre nossa capacidade de raciocínio. Uma condição de que nenhum desespero existe e também uma formula de acreditar, ou está transparentemente ligado ao poder que o constitui; mas é auto-sacrifício outra vez; neste caso, para salvar seu espírito do desespero.
O homem faz o máximo de seu sofrimento, mas ironicamente, existem elogios à religião quando ela serve ao homem comum. A maioria dos seres humanos encontrará grande consolo nos ensinamentos religiosos.
"aos mansos e humildes será dada posição igual que os mais importantes da terra"; "todos são iguais aos olhos de Deus"; "nossos sofrimentos atuais são uma apólice de seguro para a felicidade futura".
Acreditar em tais idéias traz contentamento para os homens. É necessária uma vontade FORTE para dizer NÂO quando tanto está sendo oferecido.
Desde que existem os seres humanos existem também os rebanhos humanos (grupos familiares, comunidades, tribos, nações, estados igrejas), e sempre muitos que obedecem, comparado com o pequeno número daqueles que ordenam; considerando, por assim dizer, que até agora foi praticado e cultivado entre os homens de forma melhor ou por mais tempo do que a obediência, é justo supor que como regra, ter uma necessidade dela é, por agora, algo inato, como um tipo de "consciência formal" que ordena: você tem que fazer isso incondicionalmente, e incondicionalmente não fazer aquilo, em poucas palavras, uma obrigatoriedade.
Esta necessidade procura ser satisfeita e preencher suas formas com conteúdo: fazendo isso ela agarra tudo a sua volta sem pensar, de acordo com o grau de sua força, impaciência e tensão, como um apetite bruto, e aceita qualquer coisa que qualquer comandante, pai, professor, lei, preconceito de classe, opinião publica, gruta aos seus ouvidos.
O conceito de bem e de mal está inextricavelmente unido à moral cristã; em uma época anterior (pré-moral?) não teria utilidade para o conceito. Aquilo que uma época considera ser o mal é usualmente um eco posterior e extemporâneo daquilo que anteriormente era considerado o bem, o atavismo de um ideal mais antigo.
Desta maneira a mágica, a ausência de deus. A adoração de falsos deuses (satanismo?), o comportamento irracional (esquizofrenia?), o erotismo, foram todos classificados como fenômenos "do mal" do ponto de vista do grupo em uma outra época. Isso porque eles elevavam o individuo acima do grupo, ameaçando a maioria. Que essa ameaça seja chamada de mal!
Por fim peço desculpas se meu texto soa um tanto "acirrado", mas eu particularmente esperava uma crítica sua longe da sombra do cristianismo; ao invés de usa-lo como um fim. E sua suposição de que a bíblia foi alterada, eu diria que ela só existe a partir de seus fundadores sob uma razão coercitiva mediante mistérios insondáveis da natureza humana; é a pior obra que já existiu na vida.
As criticas em relação a Nietzsche mostram duas vertentes; ou você de fato é cristão ou, como a maioria das pessoas, lê-se mais de Nietzsche do que ele realmente escreveu, e o acusa de formar até o nazismo pela precariedade de quem lê de ordem hermenêutica.
A crença evangélica e as igrejas que a ela representa, não são mais naturais para mim. Com os evangélicos e católicos de carteirinha não há diálogo saudável e sustentável; pois eles são "delirantes" a ponto de dar medo e de não querer gastar meu latim.
Um exemplo disso é que o fundamentalismo cristão das pessoas não nos permite uma aproximação "fraterna" sem que elas tirem seus "óculos" da moral de cristo todo poderoso. Não há meio termo aqui, compreende? Ser cristão é inexoravelmente estar preso em uma camisa de forças da irracionalidade humana.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Da auto consciência da mulher na sociedade (Osvaldo)


O fato é que (uma observação minha) eu percebo uma certa constância das mulheres em geral, não todas, levarem muito as elucubrações filosóficas antes por um crivo deveras emocional; isto é percebido em muitas comunidades.
Um pensamento raso meu com toda certeza. Mas ainda quero tentar provar o contrario.
Já fiz convites a algumas delas, de outras comunidades, mas até agora uma velha conhecida se prontificou, e foi bem autentica dizendo que só dará futuras contribuições quando estudar mais acerca de Schopenhauer.
Não obstante, é desnecessário citar o escárnio de tantos filósofos sobre elas, algo que não concordo muito, ou em quase nada; pois se inserem na questão de "ontologia" assim como nós os homens; portanto talvez a importância do existencialismo para todos nós, quando este se resume também em "humanismo"; ao menos o de Sartre, que com sua companheira, de modo de um não interferir no outro, teve uma grande crítica ao seu lado!
Uma é a inexorável questão de sentimentos que impregnam as mulheres no que se refere à sua composição e o papel que lhe foi "concebido" ao longo das eras.
Não precisamos nos basear em filósofos e nem em axiomas aqui para tal; pois mesmo perante uma observação constante de seus atributos, comportamentos, e anseios; podemos inferir como ela se "apercebe" no meio social.
Hoje a mulher mais do que nunca procura sua autonomia em contrapartida ao "poder" masculino estabelecido; já não são meras donas de casa, e menos que isto, subservientes ao homem no papel esposa.
Não raro, nos deparamos com algum homem que não se sinta "ameaçado" com a análoga inteligência feminina; ou o desconforto por estas não seguirem mais seus padrões de outrora quando o flerte era proveniente do homem no geral; ou seja, a mulher frente à seus desejos sexuais é sinônimo de "promiscuidade".
Ao meu ver, há muitos resquícios em todas as partes de machismo e autoritarismo por parte dos homens que ainda sufocam uma inconsciente tomada de atitude da mulher em seu real posicionamento no "estar aqui", no "vir a ser".
Podemos também citar o existencialismo, que de seu pressuposto da liberdade das nossas tomadas de atitudes mediante os estratagemas do "mundo" e "consciência" de estória de vida, a maioria das mulheres talvez sempre preferiram e preferem optar pelas "estórias" que foram e são precedentes de sua atual condição mediante a sociedade; ou seja, o "formato" daquilo que já conhecemos. Muitas outras vão preferir optar em dizer que "o inferno são os outros" também quando se mobilizarem em causa própria; mas mesmo neste parâmetro tanto o homem como a mulher não pode se dissociar um do outro, pois se "precisam" mutuamente para este "menu" de opções no qual na sociedade os outros são nossos "observadores" enquanto sujeitos.
Eu particularmente penso que a elas não foram dadas as oportunidades iguais à de um homem; seja no seio familiar, seja por processos de repetição de modelos impregnados, tanto em nível de "inconsciente coletivo".Em suma: uma matrix exclusivamente feminina. rs...rs..., ou uma alusão à alegoria da caverna de Platão na qual as mulheres não se apercebem de seus reais e melhores atributos; uma evolução de personalidade estagnada e de forma até equivocada se si mesmas.
Mas a realidade é esta e as idiossincrasias "colaterais" do sexo frágil estão aí.
Raramente a mulher foi citada no passado como uma filósofa, salvo algumas personalidades que passam desapercebidas até na historia da filosofia; que na maioria das vezes não tiveram um final feliz. Talvez se adotássemos o método desconstrutivista para esta analise poderíamos achar mais elementos; ou então perguntemos, se assim fosse possível, para "Simone de Beauvoir", Marilena Chauí (apesar desta ser muito tendenciosa) e Viviane Mosé; intelectuais que eu admiro muito.
Alguns outros dados para complementar minha postagem anterior; pois penso que aqui de fato a questão da mulher deva "transcender" pressupostos temporais, e creio que no Existencialismo isso é possível de se "realizar" ao menos no intento de questionamentos mais profundos.
Simone de Beauvoir influenciou muito Sartre e foi uma figura importante do Existencialismo. No entanto, talvez seja mais lembrada por sua influência no feminismo.
Seu livro seminal "O segundo sexo" iniciou uma nova onda de feminismo que também questionava a filosofia e sua incompreensão da natureza histórica e específica da opressão da mulher. De Sócrates a Sartre, a questão da mulher havia sido filosoficamente invisível. Isso era muito estranho, já que as mulheres pareciam constituir uma grande parte da humanidade. A pergunta "o que é uma mulher?" perturbava os filósofos.
Sartre acreditava na liberdade, a liberdade de tomar decisões, de dar "saltos" existenciais para o desconhecido. A pergunta de Simone em "O segundo sexo" era: como explicar a eterna opressão das mulheres se todo mundo tinha essa liberdade? Seria uma opção delas?(coadunando com minha postagem anterior) ou esse potencial de liberdade seria meio ilusório, especialmente para a mulher?
A filosofia pretendia ter respostas para tudo, mas nem sequer fizera a pergunta. Esse era realmente um problema importante que não acabaria.
Se a filosofia concebia a mulher como "outro" em relação ao homem, e, portanto, como subserviente, a própria filosofia estava deixando de conceituar as condições sob as quais operava. Estava tão cega quanto os homens na caverna de Platão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Richard Dawkins contra a religião (Osvaldo)


De antemão digo que é interessante a idéia de trazer os céticos que estão na "berlinda" a um debate mais elucidativo acerca da razão de adotarem esta posição, tendo bases sólidas para também argumentarem em seu favor mediante o fundamentalismo religioso e proselitismos.

"Ele também defende e divulga correntes como o ateísmo, ceticismo e humanismo. Também é um entusiasta do movimento bright e, como comentador de ciência, religião e política, um dos maiores intelectuais conhecidos no mundo. Esses assuntos são devidamente retratados em seu mais recente livro, "Deus, um delírio", livro que já é best-seller em vários partes do mundo. Através de diversos fatos científicos, Dawkins nos mostra sua idéia da inexistência de Deus. Em enquete realizada pela revista Prospect em 2005, sobre os maiores intelectuais da atualidade, Richard Dawkins ficou com a terceira posição, atrás somente de Umberto Eco e Noam Chomsky"

Bem, penso que muitos estão um pouco "enfadados" e tolhidos com essa conversa fundamentalista religiosa e metafísica. Acho que o ponto crítico do livro é a questão do fundamentalismo religioso, pois Dawkins mesmo alega não poder provar veementemente a inexistência de Deus, mas também tenta inculcar o porque de acreditar; em que bases? Como pode ser racional alguém atribuir a uma criança em formação uma religião? Que arbitrariedade seria esta? E quem decretou que no ensino fundamental deva haver religião?
Este é um campo que não deve haver uma moral estabelecida para julgar as atitudes de Dawkins; é mais do que estabelecer se existe um deus ou não; é comportamental.
Claro que o oposto pode ocorrer, isso também se tornar um fundamentalismo, mas será? Não seria interessante ver até onde vai isto ao menos?
Não creio também que se esteja ofendendo culturas alheias; desculpe, mas desde quando "religião" é simplesmente cultura?
Muitas pessoas que conheço afora já relataram as idiossincrasias e ações deletérias de toda sorte provenientes desta moral e muletas de estupidez humana que teoricamente alegam o "bem estar" de todos; e todos nós sabemos da sujeira social herdada ao longo da historia ao brado de um deus insipiente.
A única forma que se assemelha de um conceito muito respeitável de ação não intolerante é a do "budismo", e este para os que realmente conhecem o sentido desta filosofia.
Da mesma forma que debatemos muitas proposições filosóficas aqui, creio que um ateu deva ter a sua para sustentar de fato se é um ou não. Porque não refutar os "superastros" das grandes massas? Pode até soar a tentativa de uma "metodologia" esta de Dawkins.
Não obstante, quem lê Dawkins estaria se interessando também por outras coisas além de conceitos ateístas, como por exemplo, a própria ciência e o humanismo; paradoxalmente possa isto parecer.
Especular se isto ou aquilo não daria certo antes do tempo não seria uma prova cabível.
Porque será que falar de deus aos ateus incógnitos é o mesmo tabu que falar de sexo para outros tantos?
Vocês sabem em qual proporção os evangélicos, estes mais lunáticos, crescem tanto quanto outros movimentos místicos? Será mesmo que Deus está morto? Acho que nem tanto, foi apenas reinventado.
Pois bem, se a morte de Deus se resume também na pós-modernidade, que tenham os ateus sua voz ativa ao menos; já que o quadro está estabelecido e ninguém viverá além das elucubrações contrarias a isto.
Tomando o exemplo de Dawkins, ainda penso que se dá a impressão de tratados filosóficos serem "self-centered" somente. Seria muito mais interessante ver talvez um filósofo sair de seu estado "autofágico" e dar um brado que fosse contrário a tanta imbecilidade editorial, ao invés de professar suas filosofias para determinadas "castas" somente; elucidando de forma "inteligível" às massas um teor de "lúdica" crítica elementar.
O que talvez falte a Dawkins seja um argumento menos dialético e mais lógico em suas refutações.
Muitos são adepto da "martelada" inicial, e isto não necessariamente quer dizer que quero ver o circo pegar fogo ou qualquer outra apologia que o justifique.

sábado, 28 de novembro de 2009

O poder ilusório da auto-ajuda (Osvaldo)


Vejam por si mesmos aonde chegou a sociedade de modo geral e suas preferências literárias.
Na capa da revista Veja de 2/12/2009 logo se faz a advertência: "não adianta torcer o nariz!"
O que devem estar imaginando os filósofos ao lerem esta matéria?
Creio que dá para acessar o site da revista para ver a matéria na íntegra. Eu nem a li direito, me recusei; mas li nas duas escassas paginas finais o hediondo: " A prima rica da autoajuda é a filosofia. AMBAS se propõem a compreender e interpretar a existência humana, a diferença é que a filosofia vai fundo na definição de conceitos, e nem sempre tira lições práticas de suas conclusões". Depois citam o epicurismo e Sêneca.
Para finalizar citam algumas frases clássicas de alguns pensadores como Spinoza, Montaigne, e outros; com uma alusão final de se pensar na "vida" e esquecer a morte.
Nota-se uma clara concepção de valores opióides que lhes proporcionam o torpor da felicidade momentânea.
Pasmem, onde está Schopenhauer, Nietzsche e tantos outros?
Schopenhauer vaticinou que o futuro da literatura seria a banalização, as ditas "literatices"; termo criado por ele; e que a quantidade de escritores ruins vive somente da tolice do publico.
Aqui fica uma reflexão consoladora de minha parte: a sociedade não ousaria ouvir a verdade; a de que ela aperta cada vez mais a corda no pescoço!
Como isso lembra a morte de deus não?
E a revista, não importa qual fosse, faz um desprezo à filosofia, e nota-se que ela coloca apenas um "momento", uma frase, de um pensador como Spinoza, por exemplo.
Com mil diabos; como um pensador como Spinoza, talvez o mais indicado para uma baliza mediante esta matéria, pode ser citado apenas como um "axioma"?
Troca-se toda a sorte de filosofar por um padreco pop star e seus receituários, outro que pesca nas "sagradas escrituras" versículos mirabolantes, e outro que se afirma no capitalismo empresarial com um nome muito sugestivo para as presas fáceis: "O monge e o executivo".
Isto é o que se chama de niilismo.


Para explicar isto também, segue um texto de quem vaticinou mais de um século atrás este advento literário, Arthur Schopenhauer:

"Parece premonição. Quando o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) escreveu os três textos que compõem o livro Sobre o ofício do escritor (Martins Fontes, 222 págs., R$ 21,50) – originalmente para a obra de pequenos ensaios intitulada Parerga e paralipomena, lançada em 1851 –, não poderia supor que seus fundamentos seriam tão verdadeiros num futuro distante. O livro é um prognóstico de tragédia na área das letras. Deixemos de lado a parte em que fala dos problemas da língua alemã, pela especificidade que não é de interesse geral, para centrar nas críticas aos escritores, estilos e vícios. Parece que ele adivinhava que o futuro da literatura seria a banalização – basta ver entre os milhares de títulos lançados diariamente quais realmente merecem ser lidos. Feitas as contas, o resultado é pequeno.
Mas a responsabilidade pela proliferação de obras ruins é repartida com o leitor: “Uma grande quantidade de escritores ruins vive somente da tolice do público”, diz. Schopenhauer chama de literatice – termo certamente criado por ele e que significa literatura chata – “cerca de nove décimos de todos os livros”. E diz o motivo: os autores são “cabeças ocas que querem socorrer seus bolsos vazios”. Ele condena quem escreve para alcançar a fama ou, pior, para ganhar dinheiro. Só se deveria escrever por amor ao assunto, ensina. Não viveu o suficiente para conhecer o marketing, mas pediu que a literatura fosse avaliada apenas pelo pensamento original, e não pela capa ou presepada em volta. Bate pesado nas interpretações e compilações. “Só quem tira diretamente da própria cabeça a matéria do que escreve é digno de ser lido”, afirma. Considera que “os que pensam” são exceções e “no mundo inteiro, a regra é a canalha”. Ou seja, os que se apropriam de reflexões alheias e reproduzem idéias como se faz com “moldes de gesso”.
Schopenhauer afirma que não existe nada mais fácil do que escrever difícil, e que este é um recurso que visa ao logro. A exibição de erudição pomposa, estilo prolixo e palavras que ninguém entende é, na verdade, uma forma de o autor reconhecer que não merece ser entendido e que seu pensamento não é significativo. Dizem que a filosofia está na moda no Brasil atualmente e que os filósofos estão sendo procurados em livrarias. Ok, essa onda pode nos redimir da saga que ele critica em seu livro. “Há gente que lê mais sobre o que foi escrito a respeito de Goethe do que por Goethe e estuda com mais diligência a lenda de Fausto do que o próprio Fausto.” É aconselhável ler Schopenhauer por ele próprio".

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Das muletas existenciais e da crença em Deus (Osvaldo)


Quantos já indagaram o porquê da crença em Deus? E na falta de Deus, por que tantos outros se apegam a outras crenças? Como do consumismo, da hiper realidade, da "estética" do posicionamento social, do par perfeito e outras tantas?
Alternativas para a substituição de Deus, ou para uma simbiose Deus totalmente idéia subjetiva/agnóstica mais realidade fugidia é que não faltam.
Primeiramente, devemos voltar a tempos atrás quando o homem se norteava em seus instintos puros tão somente; a natureza e o homem eram apenas um. Isso foi corrompido pela tentativa de racionalização através do intelecto de um conceito metafísico e cosmológico, originando-se a partir destes as mitologias e os adereços para a natureza.
Como o passar do tempo, o homem foi se tornando mais reflexivo, inquisitivo, deixando de ser guiado por seus instintos somente para dar lugar à dialética, como uma nova arte de "iluminismo"; e o resto é historia.
Acontece que se tornou evidente no homem, dado um certo tempo, a necessidade de conforto metafísico, pois este já teria perdido grande parte de seus puros instintos de proteção; arriscaria até dizer que, ignorados deste conceito, o homem primitivo já se encontrava em um contexto existencialista, pois tudo era concebido de forma irracional anterior à largada do aprimoramento razão/intelecto; e a sobrevivência, a existência mediante tal quadro era seu instinto verdadeiro, livres de quaisquer conceitos extemporâneos.
Mas a metafísica sempre foi de fato o assunto preferido entre grandes pensadores, preocupando-se mais com indagações exteriores do que interiores para os homens, uma tomada de consciência que se justificava pelo simples ato de filosofar e de obter conhecimento como indagações do que é natural e o que é real.
Advém disto também, por caprichos e conveniências de alguns, a idade das trevas do pensamento humano, o cristianismo, a escolástica, os grandes doutores da igreja, muito antes disto ainda o neoplatonismo e suas corruptelas e falácias. O homem volta então ao obscurantismo, mas este de forma perniciosa e premeditada; pois isso é latente no ser humano; um engodo magistral de sandices religiosas e tantos outros sofismas para nós todos que estamos ainda na "caverna" de Platão.
Dá-se depois deste período um grande respiro, da renascença e do iluminismo; este ultimo de forma ímpar com pensadores que remontavam à razão e critica, tentando posicionar o homem novamente em seu centro crítico, com grande colaboração dos louváveis empiristas como John Locke, David Hume e até Descartes,que mesmo dentro de um conceito metafísico abriu uma brecha para o ceticismo metodológico; sem falar em Kierkergaard, precursor do grande pensamento existencialista; bravo, intrépido; tanto quanto Spinoza, inseridos em uma religião e desafiando os próprios conceitos.
Voltando para um pouco mais próximo do tempo atual, temos Schopenhauer com seu estilo literário e filosófico jamais visto antes, e logo após Nietsche, que sabiamente vaticina grandes idiossincrasias sociais jamais vistas até hoje, e não desmerecendo muitos outros que não citarei oportunamente agora. Cito, porém Freud com sua inigualável contribuição ao catalogar proposições oriundas dos dois últimos filósofos mencionados.
Grosso modo, esse é o movimento dado para a constituição intelectual do homem; mas como um cipó parasita, a metafísica suga a seiva do conhecimento humano ao tentar alegar ao indivíduo um conforto tal que não a própria razão crítica; mesmo porque metafísica hoje caiu na sua falácia etimológica, tamanho é desejo do individuo de projetar para lá bem longe de si suas responsabilidades e necessidades imediatas.
O resultado não poderia ser diferente; só pode ser uma piada de mau gosto para quem conta a uma platéia de bípedes autômatos.
Os homens deveriam se invejar dos animais, que cumprem seu círculo na natureza de forma menos deletéria que a nossa. Eles são irracionais? Qual o conceito de razão? Ok, dois pesos duas medidas; esta é outra piada pueril.
Em nome das religiões se fazem guerras, atrocidades e se comete insanidade social. Em nome de uma moral distorcida, se é que alguma seja boa, se oprime os verdadeiros instintos criativos, e, por conseguinte, todo "valor" que hoje existe é um que é multiforme, sem identidade, com máscaras, em polaridade díspar e alta voltagem perniciosa.
Em que se tornou o homem senão um espectro daquilo que ele gostaria de ser, imerso em ideais voláteis e mesquinhos, nem tomando posse de sua real existência ao longo de sua vida e contando apenas seus grandes feitos superficiais; garantindo-se na consoladora "metafísica" do "post mortem", e, se necessário, recomeçar, adiar, deixar sempre para o "amanhã"; idealistas perdidos em elucubrações baratas.
Oras, para encararmos a "realidade" precisamos de certas muletas, hoje a idéia de Deus também pode estar escorrendo entre nossos dedos e esvaindo-se. A pós modernidade e a hiper realidade nos faz cada vez mais esquecermos dele; bem disse Nietzsche que nós matamos Deus!
Afinal, qual é a crença também do ateísta? A crença na ciência? Qual sua posição? Ser ateu e respeitar a metafísica alheia? Pois cada vez mais em nome de Deus cresce a intolerância não somente entre religiões, mas a intolerância a quem não tem religião nenhuma; prova disto é de que uma metafísica de alguma pilhéria qualquer sempre esteve em todas as plataformas sociais, em todos os seguimentos, sem exceção alguma, se fazendo expressiva minimamente que seja em sua moral torpe, pífia e nauseabunda.
Entrementes, o mercado editorial é abarrotado de "literatices", a arte de escrever bem para não dizer nada, somente sofismas, incredulidades e muletas estratosféricas.
A psicologia por sua vez apenas é uma "tabula rasa", que explica o homem e seu comportamento a partir de fatos empíricos, devaneios próprios da sociedade; o homem inserido na própria armadilha que ele criou, os cenários que nós mesmos pintamos, mas agora queremos sair, ou não, desde que o advento "Prozac" veio à tona.
Se não tenho amor à vida? Eu apenas cumpro o papel que a mim mesmo "estabeleci".
Vive-se melhor sob uma ótica iluminista, deixando a adolescência para trás e as referências existenciais de viver. Torna-te o que tu és! É paranóico? Enlouquecedor?
Cada um que segure sua onda! Lembre-se dos primeiros homens que de nada sabiam, e que tinham fé em si mesmos. Mediante o irracional, que possamos posicionarmo-nos criticamente e acreditarmos em nós mesmos.

O mundo como vontade e representação (Osvaldo)


Quando Schopenhauer diz "o mundo é minha representação", não quis dizer que o homem simplesmente representa mentalmente as coisas, ele quer dizer muito mais: que toda a realidade existe, a princípio, enquanto meramente representada pelo homem. O que é dado a este imediatamente é como as coisas talvez pudessem ser em si mesmas; imediatamente dadas são apenas representações das coisas.
O exemplo que se dá: o homem não sabe nada da árvore mesma, mas apenas da representação da árvore. Ele também diz no mesmo sentido que o homem “não conhece o sol algum e terra alguma, mas apenas um olho, que vê o sol, e uma mão, que toca a terra”. Portanto, todas as coisas são aparições ou fenômenos. Daí ele se baseia em Kant, e recusa também espaço, tempo e causalidade aos objetos e os atribui ao espírito humano. Diz que temporal, espacial, causado e causador NÃO são as coisas em si mesmas; mas são coisas do olhar do homem que lança em si, a fim de projetá-los fora no mundo, é de caráter fenomênico. Mas assim a realidade seria idealismo para ele, portanto seria o mundo nada mais que um sonho e aparência do espírito humano.
Mas ao refletir acerca da aparição ou fenômeno, fica claro para ele que, atrás da aparição, tem que haver algo que apareça. Isso Kant tinha observado na coisa em si, um mero “x” sobre o qual não se pode afirmar nada.
Schopenhauer vai adiante e ousa afirmar sobre a essência desta coisa em si, tomando outro caminho para entender como o homem se sabe como ser corpóreo. Ele diz que é de duas maneiras: por um lado uma coisa como as outras, objeto da representação. Por outro, há uma perspectiva interna, pela qual o corpo é sentido. Neste caso é a expressão da vontade do homem. Os movimentos corpóreos vêm dos atos da vontade, da vontade observada exteriormente.
O corpo aparece como coisa material, mas conforme seu ser-em-si, é vontade.
Depois de toda explanação da vontade e sua representação, sofrimento e sublimação do mesmo pelo homem, Schopenhauer cita referencias ao pensamento platônico, as idéias das coisas, dizendo que elas são as eternas e essenciais formas originárias da realidade, acima da transitoriedade: o arquétipo da pedra, do homem, da árvore. Elas se expressam na realidade e nas suas múltiplas configurações. E as idéias por si mesmas o que são? São as puras exteriorizações da vontade originaria que precedem toda a realidade. A vontade originaria se realiza antes no reino das idéias, para depois se realizar na realidade visível.
Schopenhauer propõe então que o mundo é apenas um, mas que há dois pontos de vista nele, da representação e da coisa em si (vontade).
Sendo o fenômeno e a coisa em si uma coisa só, não é preciso que o objeto saia de onde quer que seja para adentrar a mente humana, pois Schopenhauer diz que a mente é uma criação espontânea do mundo; a coisa em si não precisa causar a mente, ela simplesmente se torna mente e passa a ver as si mesma como representação.
É mais ou menos isso, creio.

Amor, um delírio metafísico.(Osvaldo)


As pessoas não concordam com o fato de que por detrás das justificativas que promovem a união de um casal, seja em namoro ou casamento, oculta-se uma inexorável permuta de interesses próprios e ilusões, dada a cognição do mesmo.
Partindo-se do pressuposto biológico, que aqui não se faz necessário discorrer, o corpo humano com o cerne em sua atividade cerebral, produz mecanismos singulares que despertam interesses subjacentes ao processo de acasalamento tal qual fazem os animais irracionais, porem estes se diferem pela não racionalização do evento em si, seguem a lei natural da vontade da natureza.
Uma vez sendo o homem dotado de razão, ele se esquece que esta razão é pífia e mal administrada, empiricamente dotada de valores distorcidos, moralistas e vigentes na sociedade atual mais do que nunca, sobressaindo-se desta forma a procura incessante de parcerias ideais como em um catálogo de compras, à sombra da união abençoada por um deus fatídico, puritano e opressor, ou de forma oposta na crença de um deus como conforto metafísico que não existe.
O que nos move na procura de alguém? Talvez seja a concepção de estórias e histórias mirabolantes que expressam a certeza do amor, mesmo que não seja o perfeito, tanto quanto a concepção do reino dos céus e seres alados que nos protegem das agruras de nossas próprias idiossincrasias e feitos deletérios, ou um estoicismo romântico de redenção àquele que locupletará nossas próprias deficiências e necessidades; pois o erro sempre está em nós também, movidos por modinhas esdrúxulas da era "new age" de lorotas terapêuticas e sofismas acerca da real felicidade do ser; pilhérias pueris, enfados e mesquinharias editoriais, filosofastros que incutam apenas predicados depreciativos do ser.
Pasmem, aqui uma boa dose de razão pura e ceticismo acerca da historia como nos contaram nos remete ao um juízo no qual se infere as causas multiformes das separações, divórcios e outras quinquilharias juvenis.
Os indivíduos gostam de sofrer por amor, se tornando isto um vício, um torpor que em primeira ordem nos alenta na mera especulação do "bem me quer ou mal me quer"; um frisson desajuizado advindo da ordem dada pelos hormônios e outras substâncias que nos preparam para o acasalamento, e este se traduz por sexo apenas, e no final de forma descompromissada; e ao se arriscar nas volições destas aventuras que cada qual se une temporariamente à subjetividade alheia, vem acompanhado o desgaste de tudo ter conhecido em relação ao outro; assim emergem todas as destemperanças do ego.
Quais seriam então estas âncoras que, mesmo ao serem fincadas, ainda deixam os indivíduos à deriva e em movimentos nauseantes dos relacionamentos antes destes decidirem por alçar as âncoras e respirarem a brisa de seu próprio oceano? A reposta é a ilusão, o determinismo, as influencias, o outro como baliza de sua existência, a falta de amor próprio e a necessidade de formar esta auto confiança em outro que não seja a si próprio; a falta de fé em si mesmo, a inferioridade, o porto seguro mediante o absurdo existencial, a falta da personalidade própria, o auto flagelo, os interesses econômicos, a libido sexual, na mulher a mensagem subliminar que uma prole se faz necessária, no homem meramente a vontade de potência, tudo isto de forma consciente ou não.
Mostram os fatos e estatísticas esmagadoras que a união amorosa se torna cada vez mais uma meta inalcançável, e este amor um sentimento peremptório, um desvio das reais necessidades do ser humano, a obliteração de algumas faculdades instintivas do ser para a sobrevivência de seu auto-juízo, adversa da mera propagação da espécie.
O amor se torna hoje uma metafísica imanente, uma meta e ideal intangível, inteligível, um apelo delirante, um sonho de consumo, um assunto que se leva até o fim dos tempos para os românticos, em versos, prosas, trovas e tercetos, um devaneio; explicando-se assim este fenômeno hoje de forma simplesmente mais elucidativa, mais apurada, mas que sempre existiu no meio do homem.