sábado, 30 de janeiro de 2010

Desmistificando Platão (Osvaldo)


Muito pelo contrário dos que pensam que o ideal platônico em si encerraria uma certa perfeição,o casamento, por exemplo, não era para Platão uma vida baseada em simpatia e disposições comuns entre dois seres humanos, mas um acordo visando à geração e criação de filhos. E que não é a simpatia que deve unir um homem e uma mulher, mas a tarefa de produzir uma descendência o mais capaz e bem educada possível.
Então dizia por isto que uma incumbência do estado cuidar para que os parceiros adequados se encontrem. As mulheres são destinadas aos homens como recompensa pela capacidade guerreira ou, ainda mais radicalmente, são consideradas POSSE comum dos homens.
Assim, diferente de tudo que se possa conhecer acerca do filósofo, Platão não nos oferece uma imagem romântica do amor entre homem e mulher.
Quando hoje se menciona o nome do filósofo em conversas do dia a dia, na maioria das vezes tem que ver com a expressão "amor platônico". Entende-se por isso aquele amor pelo no qual, em primeiro plano, não se encontra a cobiça sensual, mas a atração espiritual, baseado no respeito à mulher amada. De fato parece até injusto ligar este conceito a Platão.
Folheando a sua obra, em parte alguma se encontram sinais de um respeito particular pelas mulheres. Pelo contrário, ele afirma que as mulheres, quanto à virtude, estariam bem atrás dos homens e que, como sexo frágil, seriam bem mais traiçoeiras e astutas do que eles. Chama-as de superficiais, fáceis de exaltar e de exasperar, chega a denomina-las pusilânime e superticiosas. Platão chega a afirmar que nascer mulher seria uma maldição dos deuses.
Sua enaltecida "metafísica" afirma que aqueles homens que não tivessem se controlado em vida, sendo covardes e injustos, após sua morte, como punição, renasceriam mulheres.
Penso que é difícil presumir uma idéia de "Estado" ideal tendo como base intelectual estes pilares ruídos.
Bem, não desviando do tópico em si, mas já que enveredamos por este raciocínio aqui, é fartamente curioso o fato de como certos mecanismos "biológicos" e poder da linguagem levam o homem a uma transubstanciação da palavra amor e sua presunçosa identificação com outra pessoa. Como já disse em outros tópicos, os estudos da filosofia da linguagem é interessante para se atingir uma outra extremidade do que se tenta institucionalizar mesmo de forma filosófica, moral e ética.
Em um âmbito até metafísico, por parte de alguns espiritualistas, a máxima "seu amor ideal de hoje poderá ser sua pensão a pagar de amanhã", se faz presente.
É inexoravelmente claro que este sentimento que brota está, sobretudo, inextricavelmente atrelado pela necessidade de procriação do homem, como bem explica Schopenhauer. Esta fábula também está diretamente relacionada a etapas do desenvolvimento "etário" de um indivíduo o qual, ainda em uma ordem empírica, não provou as etapas necessárias de sua própria apreensão do mundo e de sua vida social e sexual, ou seja, tudo se converge para atender necessidades "primarias" do ser humano neste aspecto.
Schopenhauer explica:

"Aquilo que o homem maduro ganha com a experiência de vida, que faz com que veja o mundo de forma diferente do adolescente e do jovem, é, antes de tudo, a falta de prevenção. Começa, então, a ver as coisas com simplicidade e a tomá-las pelo que são; enquanto que aos olhos do jovem e do adolescente o mundo verdadeiro estava oculto ou distorcido por uma ilusão que eles próprios criaram, composta de fantasias e de caprichos, de preconceitos herdados e de devaneios estranhos. A primeira tarefa que a experiência tem de realizar é despojar-nos dos sonhos, das quimeras e das noções falsas acumuladas durante a juventude."

Nunca podemos conhecer de fato quem é outra pessoa num âmbito de convivência amorosa, mas somente os afins meramente materiais e de pura conveniência a ambos. Jamais um teor meramente "intelectual" ou espiritual pode garantir, novamente dizendo, o determinismo de um campo no qual duas pessoas estão envolvidas, dois universos aparentemente iguais, de natureza intrínseca semelhante, mas com projetos e visões de mundo que se diferem ao longo dos anos.
A necessidade de "liberdade", mesmo sendo para muitos ilusória, é um grito das almas não coadunantes com a opressão indireta que o outro pode promover.
Todo tratado de "união", neste caso, se encerra em conhecer gente nova, compartilhar experiências na tentativa de aprender uns com os outros, até esta troca "saudável" de superficialidades, comercio idiossincrático de ninharias e convívio monótono para apenas ser "gregário", cair no ostracismo e daí partir para novas empreitadas de espírito daquele que ainda crê que alguém pode pertencer a alguém.
Então partindo deste raciocínio sigo Platão em certos aspectos, como bem citei acima, no tocante aos verdadeiros propósitos de uma união, mas obviamente descarto veementemente sua maneira de inferiorizar o sexo feminino.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nietzsche e o pós-modernismo (diversos)


Ao buscar elementos de intertextualidade entre os pensadores, podemos dizer que o modernismo é o movimento que enfatiza a razão e que se expressava mais amplamente através da ciência. A saber, atreves de filósofos como Locke, Kant e Hegel, o modernismo procurou compreender o mundo através da razão. Ainda devemos citar cientistas como Bacon e Newton, que consideravam a realidade física como operando na base de leis naturais, formulando uma ciência moderna que é empírica em sua metodologia e racional em sua interpretação. Sabemos que o iluminismo do século XVIII procurou aplicar a razão e a ciência a toda a realidade.
O século XIX testemunhou os esforços de Henry Buckle, August Comte e Karl Marx em transformar o estudo da sociedade moderna, tanto passada como presente, em disciplinas que descobririam leis semelhantes às que foram achadas no mundo natural. O século XX enfatizou a aplicação da metodologia cientifica a estudos acadêmicos, e como resultado o modernismo trouxe degradação do ambiente , totalitarismo em nome da ciência, guerras mundiais usando a tecnologia mais moderna e destruição nuclear.
Feito isto, a razão e a ciência não levaram a um paraíso, pois não é de se admirar que houveram reações contra o modernismo, uma delas é o pós-modernismo.
Nietzsche dizia que a realidade é o que criamos, e por vezes ele é considerado o pai ou precursor do pós-modernismo, anunciando a morte de Deus. O bigode salientava que não havia mais fundamento para as coisas, nenhuma base sobre a qual colocar nossas crenças. Portanto nós teríamos tanto a oportunidade como a responsabilidade de criar nosso próprio mundo (isso lhes parece algo familiar em outra filosofia?)
Mas segundo o próprio bigode havia um problema, que o conhecimento de coisas conforme realmente existem é impossível. O que pensamos ser conhecimento é uma criação humana, uma ilusão ou uma formulação artística. A linguagem através da qual expressamos nosso conhecimento é um mundo a parte, distinto da realidade externa e puramente arbitrário em sua formação. O que chamamos de verdade seria então uma invenção humana.
Como para mim particularmente Nietzsche foi e é um divisor de águas, advém deste os pensadores pós modernos, pleonasmos à parte, influenciar o pós modernismo, a saber:
Heiddeger: (Realidade é ser). Concorda essencialmente com o bigode que a linguagem cria a realidade. Heidegger desenvolveu muito a linguagem a partir de exemplos artísticos e mantinha uma opinião mística, ou até religiosa, com respeito a linguagem; ao invés de analisar queria afinal experimenta-la, chegando através desta experiência em contato com o "ser".
Foucault: (Realidade é uma libertação contínua). No período após a segunda guerra, um numero de franceses (convenientemente e inteligentemente) foi atraído às idéias do bigode e Heiddeger, entre eles Foucault e Derrida, que são os mais influentes para o desenvolvimento do pós-modernismo, sendo que conhecimento é a tentativa de controlar e sujeitar, Focault argumentava, não pode ser objetivo. Portanto ele dizia que o intelectual precisa desafiar esta ordem num programa de continuo de idéias reagindo com outras palavras e idéias, em vez de reagir com coisas em si; assim ela permite que um discurso existente desafie um discurso oposto, então Foucault se alinhava com grupos excluídos ou marginais, particularmente homossexuais, paqra subverter a ordem existente. Mas se um destes grupos marginais se tornasse dominante, ele estava pronto para se aliar com outro grupo marginal para se opor à ordem opressiva recém-criada.
Derrida: (Não há sentido evidente). Este também se preocupava com a linguagem, já que não temos uma visão imediata da realidade, dependemos do falar e do escrever. Mas falar e escrever são ambíguos e não comunicam necessariamente o que gostaríamos. Derrida propõe então "decompor" textos, que inclui analisar a etimologia de palavras, trocadilhos não intencionais e deslizes freudianos no esforço de demonstrar que eles não contem nenhum sentido óbvio.
Finalizando, apesar da diferença entre estes quatro pensadores, eles lançaram as bases filosóficas para o pós-modernismo através de suas contribuições primárias, a saber: seres humanos não t~em acesso à realidade e, portanto, nenhum meio de perceber a verdade; a realidade é inacessível porque somos restritos a uma linguagem que molda nossos pensamentos antes de pensarmos e porque não podemos expressar o que pensamos; através da linguagem criamos a relidade, e assim a natureza da realidade é determinada por quem que tenha o poder de moldar a linguagem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Do conceito de "Moral" (Osvaldo)



Nietzsche no campo da moral da muita margem à interpretação, embora no que se refere às instituições, ele tem grande razão.
Ele é duro com esta questão, e o super homem dele está ainda além de nossa compreensão, conceito que pode deliberadamente se transformar em qualquer coisa "híbrida" ao invés do que o que ele realmente propõe. O homem "nobre" de acordo com o bigode juntaria atributos hoje inadmissíveis na mentalidade da sociedade, seria como algo "contraproducente" para quem prioriza uma moral estipulada e comum a todos.
Neste caso, eu acho interessante a idéia de "compaixão" de Schopenhauer; algo que de fato é praticável e que nos "identifica" com o pesar alheio sem que façamos disto algo como advindo dos "imperativos" de Kant (categórico, moral e prático), determinando este conceito através de axiomas ou pela racionalização de um bem estar a todos de forma recíproca; constatamos que isto não acontece de forma alguma e se transforma em pura falácia. Por outro lado, os que praticam tais virtudes postas aqui no tópico, o fazem, a principio por barganhas imediatas ou até uma ascensão do praticante sobre quem sofre a ação, em qualquer esfera social; ou ainda por um idealismo ou força oriunda de uma escatologia ou promessa final de redenção e indulgências "platônicas".
Embora soe análogo ao pressuposto kantiano acima, Sartre menciona que nossas realizações e projetos devem "englobar" todos, dentro de uma visão humanista que ele atribui ao seu existencialismo, mas diverso de Kant pelo fato do alemão se basear em um conceito fixo, dogmático, dado a incognoscibilidade de sua essência e sob o conceito de "metafísica dos costumes", uma analogia ao termo bíblico "mandamento" e uma ordem da razão; ao passo que o francês admite que este" imperativo" é apreendido fenomenologicamente, dado como é em si mesmo e sem um efeito de ordem "racional" única, que desconsidere suas variantes.
É difícil tratar desta questão em Sartre pelo fato do homem exercer sua própria existência já que não concebe uma essência que o define. Estas questões de virtude, verdade e fraqueza são dadas como de fato se apresentam, pois constituem a percepção imediata de quem as intenciona. Dentre todos os seres, o ser humano é o único responsável por dar sentido e atribuir valores a sua própria existência, somente o homem é capaz de inserir significação a tudo que o rodeia. Dessa forma, a teoria existencialista afirma que o homem não é definível, pois inicialmente não é nada; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que fizer de si mesmo, e isto lançaria, se for de sua escolha, um atributo de valor "alto" quando se refere ao outrem; mesmo porque não somos nós que, apesar da máxima "o inferno são os outros", determinaríamos os passos do outrem; mas ao mesmo tempo temos a "angústia" de nos projetarmos a cada instante nessa alteridade de nuances mil, e muitas das vezes "colidindo" com nossas órbitas.
Neste caso, Sartre tenta mais explicar o porque destas questões do que "lidar" com elas de forma análoga a muitos pensadores antes de Schopenhauer, que tentavam a todo custo estabelecer uma "verdade" acerca destes fatos de uma moral comum a todos.
Eu diria que para Sartre estas questões estão inextricavelmente relacionadas em torno das questões de "liberdade", escolha, ação e responsabilidade.
As outras pessoas são fontes permanentes de contingencias, todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto.
Bem, veja só, cada pessoa tem um projeto diferente, isto é fato, e isto faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que estes projetos se sobrepõem. E o francêss não defende, como muitos pensam, o solipsismo. O homem por si só não conhece sua totaldade; só através dos olhos de outras pessoas é que ele consegue se ver como parte do mundo, ou seja, sem a convivencia o homem não pode se perceber por inteiro. E cada pessoa precisa desse reconhecimento. "Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno tornar-me, um vir-a-ser, que nunca se completa", portanto, passo pelo"crivo" dos olhos dos outros para ter acesso a minha essência (note que para Sartre a existencia precede a essência).
É esta convivência que me dá a certeza de estar fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a expressão "o inferno são os outros", a saber, embora sejam eles que impossibilitam a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o projeto não faria sentido.
Agora, dentro deste bojo existencialista de Sartre, não podemos esquecer que, segundo o francês, ao se assemelhar a um humnismo, ninguém pode se eximir da responsabilidade de seus atos e suas consequências (Quiça assim o fosse em grande escala, principalmente das autoridades), cada um escolhe por si mesmo, através de seu proprio julgamento, baseando sua ação no que julgar melhor. Mas ainda assim há algo a acrescentar: o homem é responsavel poe escolher por si, e para toda a humanidade, o que lhe causa muita angústia; o ser humano tem um compromisso com seu futuro, com as outras pessoas e consigo mesmo.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Existencialismo de Sartre (diversos)


Dentro do sistema sartriano, a única condenação possível para o homem é a de sua "liberdade". Todos os manifestos metafísicos são implodidos.
Que esta liberdade não seja entendida de forma anárquica, mas sim dada à inexistência de uma essência que pré-determine o homem; este está fadado às deliberações calçadas em responsabilidades, e qualquer ato promulgado por ele ainda assim constitui sua vontade e "jurisprudência", seja ela escolher ou não escolher, um ato que possa, junto conosco, beneficiar outros ou não. "Até a decisão de não fazer escolhas é uma escolha".
O primeiro princípio da filosofia existencialista, segundo o francês, é que a existência precede a essência, e o homem está "condenado a liberdade". Esta é a frase que todos repetem de Sartre constantemente e muitos não entendem o motivo, pois é em si uma contradição.Como pode o homem estar condenado, obrigado, e ao mesmo tempo à liberdade? Isto porque esta única "condenação" elimina as outras que seriam fictícias, a exemplo de quando dizemos que não podemos fazer tal coisa, não podemos ou não queremos? Seria a culpabilidade de todos os nossos "desejos" em vão atribuídos somente aos fatores externos do meio em que vivemos, ao menos em sua maioria? Talvez daí saia a noção de Sartre de engajamento político, principalmente em sua época, que englobaria multidões.
O existencialismo pode ser uma questão muito problemática para muitos, pois não parte de essência alguma, nem de essência humana, caso contrario, para Sartre isso seria um essencialismo.Neste caso, portanto, o existencialista prioriza a existência.
Criar nossas próprias vidas, como você citou, não seria um ato excludente de alteridade, muito pelo contrario, é a noção real, constante e responsável de que isso pode ser projetado no outro inextricavelmente.
O que seria uma existência? Seria eu agir todos os dia deliberando, mas deliberando nas condições de existência; se eu tirar as condições de existência, então tudo seria livre de fato. Não posso me imaginar fora da existência porque fora dela eu seria nada; eu só posso me imaginar fora dela se eu fosse uma essência. E isto implicaria uma falta de ação pertinente ao mundo, em termos de maior responsabilidade social temporal e renovada constantemente, dado o caráter de efemeridade das ações do homem.
Tomemos como exemplo a falta de responsabilidade de todos em questões globais como o meio ambiente e outra mazelas governamentais; tanto da inércia de um individuo como da coletividade; exceções à regra são caminhos,escolhas ou manifestos que os demais podem aderir ou não, assim como a idéia de uma pequena comunidade modelo, original ou não, que diversificasse de sistemas vigentes; ou mesmo o assunto discutido aqui acerca do vegetarianismo; não continuarei a comer carne só porque a maioria come ou o problema está longe de ser resolvido. Isto seria má fé para Sartre, mas pelo contrário, eu exerço genuinamente a minha vontade, e se acreditar na causa saio em defesa da mesma e me agrego aos demais.
Na hora em que o ato humano aparece, a vida se reconstrói, se estabelece a existência, e toda vez que deliberamos estabelecemos uma projeção nossa no mundo, porque abrimos "caminhos", e fazemos de forma que esteja aberto para todos percorrerem, uma "jurisprudência" no mundo. Projetamos nossa vontade no mundo, desde os mais insignificantes até os grandes atos como o engajamento social de expressão de sua vontade; o homem projeta o seu "ser" no mundo.
O homem de má fé no fundo seria um covarde, porque ele sabe que escolheu ou se decidiu mais não quer se responsabilizar por suas decisões.
Quando o homem imagina condições na vida em que não é livre, é porque ele imagina condições que não são da vida, está partindo para a essência, que descarta Sartre.
A relação sujeito/objeto para Sartre é puramente existencial, não há objeto sem sujeito e vice-versa, e sendo o próprio homem um objeto.Posto isto, aparece imediatamente a projeção do homem em relação ao objeto, podendo desdenha-lo ou não, quere-lo ou não, olhar para ele como objeto de estética ou de conhecimento, imediatamente projetando sua vontade, seu ser no mundo, que segundo Heiddeger seria o "ser-aí-no mundo", o Dasein.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Existencialismo e Freud (baseado em texto diverso)


Parto de Sartre, ao refutar a idéia de causas inconscientes dos fatos psíquicos; para ele tudo que está na mente é consciente. Rompe-se desta forma com a psicanálise por ela retirar a responsabilidade do indivíduo ao invocar a ação de uma força subconsciente e estados mentais inconscientes, que para Sartre, não existem. A consciência é necessariamente transparente para si mesma.
Todos os aspectos de nossas vidas mentais são intencionais, escolhidos, e de nossa responsabilidade, que é incompatível com o determinismo psíquico postulado por alguns autores.
Teríamos de atribuir a repressão inconsciente a alguma instancia dentro da mente , como a censura, que distingue entre o que será reprimido e o que pode ficar consciente, de forma que essa censura tem de estar a par da idéia reprimida a fim de não estar a par dela. Portanto, o inconsciente não é verdadeiramente inconsciente.
Por isso penso que não podemos usar "o inconsciente" como va´vula de escape parameu comportamento. Mesmo que não possa admitir para im mesmo, eu estou consciente e escolhendo. Mesmo na decepção que sofro, eu sei que sou eu aquele que me decepciona, e o assim chamado "censor" de Freud deve estar consciente para saber o que reprimir.
Ao usarmos o inconsciente como desculpa do comportamento, acreditamos que nossos instintos, nossas inclinações e complexos constituem uma realidade que simplesmente é; que não é verdadeira nem falsa em si mesma mas simplesmente real.
De certo esta proposição de Sartre é uma linha dura, pois não trata de nenhum dualismo o qual o ser humano se locupleta ao fugir de suas questões existenciais e seu real papel de responsabilidade perante o mundo enquanto forma e humanidade.
Penso que muita das idiossincrasias vista na humanidade são dadas ao fugir deste escopo de responsabilidade ontológica; da alta "voltagem" que constitui a obrigação imediata do homem de arcar com os danos de sua própria casa que engloba todo o outro, longe do solipsimo que lhe nega sua alteridade.
Somos responsáveis também por nossas emoções, visto que há maneiras que escolhemos para reagir frente ao mundo. Somos também responsáveis pelos traços de nossa personalidade. Não posso dizer "sou tímido", como isso fosse um ato imutável e inextricavelmente pré-determinado ao meio; uma vez que nossa timidez representa a forma como agimos, e que podemos escolher agir diferente, pois na vida nossos atos se definem, o homem se compromete, desenha seu próprio retrato e não há mais nada senão este retrato.
O que sobra são ilusões e imaginação a nosso respeito, sobre o que poderíamos ter sido, que são decepções auto-infligidas.
Por isto citei o papel de uma "psicologia" mais voltada ao escopo existencialista, que é um movimento que se aflora hoje.
Eu mesmo, em minhas grandes indagações existenciais, sempre em relação a sociedade, nunca encontrei tantas respostas no existencialismo que em diversas terapias que discorriam em eterna procura de meu "self".
Senti-me bem melhor ao assumir minhas "responsabilidades"; tentando definir, sem aspectos causais, a mim mesmo.
Isto não é uma forma de solipsismo, para maior esclarecimento consulte "Sartre e o Humanismo".

domingo, 27 de dezembro de 2009

Do suicídio (Osvaldo)


Boas referências ao tema também se encontram no livro "O mito de Sísifo" de Camus, que ao meu ver também é de maior compatibilidade e congruência ao tema por se tratar de uma abordagem existencialista. Na obra ele também começa citando que só existe um problema absolutamente sério e este é o suicídio, e cita também a questão do "absurdo", uma ótima literatura, embora às vezes um tanto prolixo demais.
Penso antes de qualquer coisa que devemos nos certificar das causas medicinais, da psiquiatria, que hoje claramente "diagnostica" um ímpeto de vontade suicida se o mesmo for de ordem de desajustes bioquímicos e advindos de estados depressivos profundo; pois qualquer banalidade que não seja de ordem "existencial" também é motivo de depressão.
Creio que o homem moderno mais do que nunca se defronta com estados de "lampejos" frequentes acerca de sua existência; e isto se dá ao fato da saída de um estado contemplativo em oposição ao mergulho puramente racional dos menos preparados a viver suas vidas sem um auxílio metafísico, no sentido da garantia do determinismo do homem e seu post mortem.
O homem vive cada vez mais cercado de estímulos que o leva a um foco fora de si; o hedonismo não é um "amuleto" de auto-suficiência que corrobora com a sensação de bem estar permanente, e até lembrando da metafísica da vontade de Schopenhauer quando este cita a efemeridade dos desejos humanos.
Pois bem, então penso que é dado um momento de nossas vidas, ou vários deles, que nos assombramos com o sentido da própria existência independentemente de sermos filósofos, religiosos ou cientistas. Mas pior ainda é quando hoje estamos envoltos de uma realidade social que não se explica em si mesma; o homem passa a ser seu pior inimigo, resultado de um movimento histórico do absoluto almejo do "fora-de-si" ontologicamente dizendo.
A consciência do homem enquanto ser social, gregário, e constituinte de seu próprio meio, desvirtuou-se ao longo do tempo no sentido de negação de si mesmo em auto-análise.
Sempre se tratou o suicídio apenas como um fenômeno social, mas penso que ao contrário, trata-se da relação entre o pensamento individual e o suicídio. Um gesto desses se prepara no silencio do coração como uma grande obra.
Começar a pensar é começar a ser atormentado. A sociedade não tem muito a ver com esse começo, a não ser pela promoção dissociativa do homem de seu meio que o torna cego à questões mais pragmáticas de seu cotidiano, porém, não obstante, penso que exista uma má sinergia do homem contemporâneo entre o pragmatismo enquanto cumprimento de seu papel social e uma má fé no mesmo quando este deveria ser antidogmático.
Há vários motivos para o suicídio, em sua maioria motivos "superficiais". A noção de "Absurdo" que trata Camus, do "Nada", da "Angústia" e "Inautenticidade" de Sartre, são interpretados com má fé ou concebidos tardiamente e equivocadamente.
Raramente alguém se suicida por reflexão. O que desencadeia a crise é quase sempre incontrolável. Torna-se então difícil o instante preciso, o percurso sutil que o espírito apostou na morte, é mais simples extrair do gesto em si as conseqüências que ele supõe.
Matar-se, em certo sentido, é como um melodrama; confessar que fomos superados pela vida ou que não a entendemos, que isto "não vale a pena".
Penso que viver, de certa forma, não é fácil, mas refutar a vida em meu conceito é um ato de covardia. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro dos quais é o costume, de um caráter ridículo, ausência de um motivo profundo, de caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento.
O "Absurdo" existencial talvez ocorra de forma mais clara no confronto da razão que é insuficiente para o homem formular todos os aspectos existenciais e volitar em diversas hipóteses, pressuposições e proposições da mesma. É dado ao homem em sua grande maioria se apegar a uma "fé" somente que lhe norteie a vida.
Permanecendo ainda em uma questão existencialista, penso que o homem deve rejeitar o suicídio na medida em que assume um estado de revolta e aceita o caráter absurdo da vida, de forma "suficiente", aceitando suas contingências.
Schopenhauer parte de um caráter mais profundo porque sai de um fundamento metafísico, da doutrina da negação do querer viver É estranho o fato de Schopenhauer "negar" o ato suicida tendo em vista toda uma analogia ao niilismo passivo e ressentido em relação à vida, se fizermos um certo correlato, ele e Camus de certa forma comungam com algumas coisas; pois me parece que para um schopenhaueriano a vida também é absurda, mas seu caráter é menos denso do que para um ateísta que não acredita em uma metafísica que seja, mesmo que de cunho pessimista.
Não poderia deixar de finalizar com Nietzsche quando ele cita o "amor fati", o niilismo ativo:
"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!"
A vida exige que se enfrente sofrimentos, incógnitas e obstáculos sem fim, entretanto, ela é cheia de mistérios e tesão que, inexoravelmente, nos fazem até estarmos aqui debatendo estes temas, ao menos por enquanto; pois não nos esqueçamos que podemos dizer não a tudo isto e viver ordinariamente.
Não vamos também nos esquecer do suicídio mental, que é um problema de maior cunho iminente.
Bem, o termo suicídio mental ou intelectual me veio como insight na hora que escrevia o texto do tópico aqui,
Eu penso que toda fuga que o homem possa ter referente a sua condição enquanto "ser-no-mundo", se traduz como um suicídio intelectual, da aquisição de valores fúteis e volatilidade se si e de teorias, em detrimento de sua razão frente a ilusões adquiridas e vivenciadas "ipsis-litteris" dos fenômenos dados à consciência.
Ao se discutir a questão do sentido do ser, a fenomenologia compreende a verdade com um caráter de provisoriedade, mutabilidade e relatividade, radicalmente diferente do entendimento da metafísica que pressupõe uma condição estável e absoluta.
Esta é uma das razões de dizer que a fenomenologia é uma postura ou atitude, um modo de compreender o mundo, e não uma teoria, um modo de explicar.
Isso em ultima análise, representa o rompimento do clássico sujeito/objeto.
Para além desta minha menção acima, podemos no referir às marteladas de Nietzsche no quesito temporalidade de conceitos e desnivelamento intelectual do homem.
A coadunação do homem com o sistema vigente e a hiper realidade, sem a desconfiança mínima de um caráter malicioso que jaz por detrás disto, o leva ao ordinário, se locupletando no trivial e banal. Desta forma o homem se conforta em um estado de realidade "forjada", um simulacro, que deleta de sua mente quaisquer resquícios de crítica mediante tais fatos; sua racionalidade é também volátil e tende a dar as mãos com a melhor e menos custosa das aquisições enquanto objetos para o sujeito, uma zona de conforto intelectual que se resume na imbecilidade do ser humano.
Viver autenticamente é viver na plena consciência da nulidade do próprio ser, e plena consciência da nulidade significa estar certo de que nosso futuro é a morte.
De fato nossa "natureza" também é nada até que um caráter é escolhido. Somente desse modo podemos viver autenticamente em termos existencialistas.
Voltando ao assunto do suicídio, penso que indubitavelmente o homem é assolado por este fantasma do "Nada", ou um estado de ansiedade e angústia.
A ênfase de Nietzche no papel fundamental da "vontade" fornece a base do pensamento existencial, uma filosofia de "liberdade" desejada e o inescapável fato da escolha humana mediante a nulidade, e a fenomenologia visa uma austera inspeção dos conteúdos lógicos da mente, que Heiddeger usa para investigar estados extremos de ansiedade, preocupação, autenticidade e o nada.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Esperança na educação? (Osvaldo)


Nossa sociedade nunca falou tanto em educação: violência, desemprego, aquecimento global, mudança de valores. É na educação que imaginamos encontrar a solução de todos os impasses que vivemos. Mas será que escola pode dar conta dessa enorme expectativa?
Que tipo de pessoa a escola busca formar? Enfim, o que é a escola hoje?
A escola é uma forma de educar que nasceu na Grécia antiga, com propósito de formar cidadãos, mas foi só com a modernidade que adquiriu o objetivo que tem hoje: formar mão de obra de qualidade.
Desde então, basicamente nada mudou. O modelo educacional que predomina ainda hoje no mundo foi influenciado pela revolução industrial, é como se a escola fosse uma linha de montagem como em uma fábrica.
Português, matemática, química, geografia, etc, são peças a serem encaixadas; no final da linha sai um produto para atender as exigências do mercado, um aluno formado.
Mas hoje diante do enorme desenvolvimento tecnológico, e ao mesmo tempo, o extremo caos social em que vivemos, precisamos nos perguntar: será que é apenas para o mercado que a educação deve nos formar?
A escola que nós temos ainda é aquela que parece que é o único espaço de construção do conhecimento científico, e não é.
Segundo o filosofo e educador Edgard Morin, a escola não lida com indivíduos, mas com uma massa de alunos.A escola não está montada para desenvolver a capacidade de cada um, apenas ensina conteúdos isolados, separados um dos outros sem relação com a vida, acumulando informações que se empilham, sem sentido.
Penso que não existe uma separação dos saberes, só fazemos isto metodologicamente.
Vivemos numa sociedade cada vez mais desigual, dividida, e nós não podemos nos omitir e achar que tudo isto não nos atinge. Costumamos falar de um ser humano violento, cruel, que destrói o planeta, que desrespeita o vizinho e a cidade. Mas não falamos de um novo cidadão e de uma nova "cidade", portanto mais do que nunca devemos nos perguntar: "Quem somos, quem queremos ser, e qual a"cidade" em que queremos viver?"