domingo, 14 de fevereiro de 2010

Da falha da educação no lar. (Osvaldo)


É muito relativo e efêmero apenas a "solidez" do lar. Acontece que existem confluências de "forças" dentro e fora de casa. Uma boa base no lar é de fato indiscutível.
A começar pela dificílima tarefa de educar um filho mediante o que a sociedade tem a lhe oferecer. Toda sorte de leniência exacerbada dentro de um lar pode resultar em um individuo despreparado para tudo lá fora, inclusive chegar a estados depressivos profundos na fase adolescente e adulta, pois nunca conheceu o que é ganhar com "méritos".
O que se constata, graças a novos "pedagogos" e pais descuidados, é que toda forma de "desafio" e noção de "conquista" foram abandonados no lar. Isto de forma geral. Exceções à regra, obviamente.
Os pais falham ao prover seus filhos com coisas para além das suas necessidades básicas, e paradoxalmente, os que não têm supõe-se falhos também. Hoje há uma enorme quantidade de atrativos compelidos pelos veículos midiáticos. A vida "simples" já não é sinônima de vida plena para muitos.
O homem quando vai porta afora, se defronta com sua alteridade que já não lhe é mais usual ou peculiar. O ser humano cada vez mais se categoriza e se distancia do conceito de identidade própria. Nossa realidade é uma que está "suspensa" dentro de uma realidade completamente "simulada". Parecemos personagens de videogames.
Falham os pais, falha os filhos e falha a sociedade de um modo geral. Seus pais estão tão habituados com a mesma falta de rigor intelectual que não podem prover nada além de compêndios morais que serão desvanecidos quando os filhos se identificarem com um grupo que lhe de maior valia apenas. É uma ilusão negar que lá fora é que se encontra o mundo real para estas crianças hoje.
Já não é mais relevante dizer que o mundo "real" existe. Nenhum sistema de representação ou análise pode referir-se à realidade. Que tipo de abordagem podemos dar a estas crianças e adolescentes? Nós nos moldamos às necessidades vigentes do mundo afora. A saber, dos guetos, do espírito competitivo, das escalada social nas empresas, do estético em voga, do "ar" cheirando a sexo, da fabricação de autômatos nas escolas, das convenções sociais como casamentos vulneráveis, da caça ansiosa à prosperidade etc, etc e etc.
Quando muito um jovem que se "destaca", fora da imbecilidade geral das massas, este é tido como o idiota o anormal, o louco.
Eu creio que o tópico não esteja se referindo ao dizer "bases seguras" àquela velha historia de céu e inferno ou purgatório, mais uma carga metafísica querendo guiar as atitudes do jovem indivíduo.
Quais seriam as bases para os pais estarem seguros?
Uma das formas mínimas para se educar os filhos é através da constatação ininterrupta da responsabilidade por seus atos e suas consequências, desde a tenra idade. E dependendo da idade, um chinelo do lado faz bem. E boa sorte na empreitada.

"… são, todos, indícios funestos de que a maioria de nossos males é obra nossa e teríamos evitado quase todos se tivéssemos conservado a maneira simples, uniforme e solitária de viver prescrita pela natureza".
Jean-Jacques Rousseau

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Do delírio religioso (Osvaldo)


É o contínuo movimento apreendido pelo homem acerca do divino. Ao invés de um salto qualitativo, unindo a natureza, ciência e o racional, a tentantiva de chegar mais próximo de Deus é através da moralidade e castrações, estas pilhérias pueris.
Conceber uma forma divina que seja livre de qualquer pretexto moral, juízo de valores e liberdade do ser, se caracteriza o bojo de incogniscibilidade da ignorância do homem.
O valor da vida, e se a vida tem um valor para estes, é da auto-imolação moral, corporal, e dos desejos reprimidos.
Dawkins nos alerta para esta massificação delirante destas religiões que se tornam ultrapopulares, em seu livro "Deus, um delírio". A meu ver, a obra em si não está no cerne da existência divina ou não tão somente, mas sim de toda sorte de atos deletérios dos que professam sua fé em nome de Deus.
Pasmém, isto é de um primitivismo anormal, sem escalas! Os primatas não fazem isto.
Eu penso que, arbitrário que possa soar isto, alguns movimentos religiosos necessitam sim de fato serem vistos com "maus olhos" mediante aqueles que detém um pingo de sensatez.
Apenas mediante o diálogo crítico na sociedade é que podemos reter e deter o fanatismo "indelével" dos presunçosos que levantam uma bandeira divina na qual rechaçam qualquer forma de iluminismo destas idéias "trevosas".
Se o "mal" de fato existe, sepre foi fomentado por todos eles, que não obstante, é uma forma de coerção do intelecto para assumirmos que a "salvação" deste orbe jaz em nós mesmos, e não em extemporaneidades.
Esta tomada de raciocinio, no qual devemos nos "impor" mediante as ignorâncias gerais do homem, ainda não é possível em consequencia das cartilhas morais do "politicamente correto".
Nos falta uma enorme consciência de engajamento em todos os segmentos sociais. Em nome de uma moral que é fraca, que se esconde por detrás de complacências esquivas e obliterantes das verdadeiras necessidades do homem, sempre "tampamos o sol com a peneira", na eterna esperança de que amanhã será um novo dia, ou cabe ao que é divino interferir no curso da humanidade, através de umna rigida moral inventada por três ou mais pessoas ao longo dos séculos. Assim se pressupõe, desde que o mal não me atinja.
Talvez o ato mais original da casta de sacerdotes foi a criação de um novo sistema de valores. Por um processo de inversão, eles tiraram os nobres valores de seus governantes (os fortes e poderosos) e os transformaram no seu oposto, os grandes vicios e pecados.
A ética do homem nobre se compraz em coragem, saúde, "orgulho", não sentimento de culpa, etc, ao passo que a do escravo em submissão, valor extremo ao sofrimento, medo e humildade não verdadeira.
Os religiosos, aqui se diz em particular os ocidentais, são os mais inteligentes e rancorosos da historia. Como lideres de uma maioria enfraquecida, sua capacidade não descansa na força das armas, em vez disto, eles precisam confiar em seus poderes mentais. É sua impotência física que faz o seu ódio tão violento e sinistro, tão cerebral e taõ venenoso.
Uma vez que este movimento dos religiosos, em nome dos sacerdotes, foi conquistado, resta um pequeno passo para a completa rejeição da ética do homem nobre. Eles nos dizem que "coragem" na verdade é arrogância, e orgulho na verdade é amor por si mesmo, etc, etc e etc.
Psicilogicamente, encontramos aqui a ideia de repressão: a recusa em admitir desejar o que não se pode obter. Melhor é rejeitá-lo como se não tivesse valor algum, e nesta rejeição de valores que se distancia de uma motal castradora, a religião desenvolve um plano ainda mais brilhante: a ideia do mal, do pecado, do proibido e maculado, institucionalizados em nossa sociedade de maneira que encobrem nossa real liberdade e espirito criativo.
Nesta ética escravista vemos um profundo auto-egano. A pessoa rancorosa não é verdadeira nem sincera, mesmo em âmbitos mais incoscientes. Nem é honesta e direta consigo mesma. Sua alma é tendenciosa, sua mente adora caminhos secretos e portas dos fundos. Representa o cheiro do fracasso de uma alma que envelheceu, um alto preço a pagar pela razão e pela repressaõ da emoção.
Não podemos achar que algo como ficar orando chorando, gritando deliradamente a Deus, castrando os desejos mais incontidos inerentes ao homem, e achar que algo seja moralmente bom ou ruim, seja de fato algo "celestial". Nossa única preocupação seria um humanismo que englobe a todos sem exceção, no sentido da sua não deterioração. Humanismo = homem. O resto é grilhões pesadíssimos a serem quebrados.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Desmistificando Platão (Osvaldo)


Muito pelo contrário dos que pensam que o ideal platônico em si encerraria uma certa perfeição,o casamento, por exemplo, não era para Platão uma vida baseada em simpatia e disposições comuns entre dois seres humanos, mas um acordo visando à geração e criação de filhos. E que não é a simpatia que deve unir um homem e uma mulher, mas a tarefa de produzir uma descendência o mais capaz e bem educada possível.
Então dizia por isto que uma incumbência do estado cuidar para que os parceiros adequados se encontrem. As mulheres são destinadas aos homens como recompensa pela capacidade guerreira ou, ainda mais radicalmente, são consideradas POSSE comum dos homens.
Assim, diferente de tudo que se possa conhecer acerca do filósofo, Platão não nos oferece uma imagem romântica do amor entre homem e mulher.
Quando hoje se menciona o nome do filósofo em conversas do dia a dia, na maioria das vezes tem que ver com a expressão "amor platônico". Entende-se por isso aquele amor pelo no qual, em primeiro plano, não se encontra a cobiça sensual, mas a atração espiritual, baseado no respeito à mulher amada. De fato parece até injusto ligar este conceito a Platão.
Folheando a sua obra, em parte alguma se encontram sinais de um respeito particular pelas mulheres. Pelo contrário, ele afirma que as mulheres, quanto à virtude, estariam bem atrás dos homens e que, como sexo frágil, seriam bem mais traiçoeiras e astutas do que eles. Chama-as de superficiais, fáceis de exaltar e de exasperar, chega a denomina-las pusilânime e superticiosas. Platão chega a afirmar que nascer mulher seria uma maldição dos deuses.
Sua enaltecida "metafísica" afirma que aqueles homens que não tivessem se controlado em vida, sendo covardes e injustos, após sua morte, como punição, renasceriam mulheres.
Penso que é difícil presumir uma idéia de "Estado" ideal tendo como base intelectual estes pilares ruídos.
Bem, não desviando do tópico em si, mas já que enveredamos por este raciocínio aqui, é fartamente curioso o fato de como certos mecanismos "biológicos" e poder da linguagem levam o homem a uma transubstanciação da palavra amor e sua presunçosa identificação com outra pessoa. Como já disse em outros tópicos, os estudos da filosofia da linguagem é interessante para se atingir uma outra extremidade do que se tenta institucionalizar mesmo de forma filosófica, moral e ética.
Em um âmbito até metafísico, por parte de alguns espiritualistas, a máxima "seu amor ideal de hoje poderá ser sua pensão a pagar de amanhã", se faz presente.
É inexoravelmente claro que este sentimento que brota está, sobretudo, inextricavelmente atrelado pela necessidade de procriação do homem, como bem explica Schopenhauer. Esta fábula também está diretamente relacionada a etapas do desenvolvimento "etário" de um indivíduo o qual, ainda em uma ordem empírica, não provou as etapas necessárias de sua própria apreensão do mundo e de sua vida social e sexual, ou seja, tudo se converge para atender necessidades "primarias" do ser humano neste aspecto.
Schopenhauer explica:

"Aquilo que o homem maduro ganha com a experiência de vida, que faz com que veja o mundo de forma diferente do adolescente e do jovem, é, antes de tudo, a falta de prevenção. Começa, então, a ver as coisas com simplicidade e a tomá-las pelo que são; enquanto que aos olhos do jovem e do adolescente o mundo verdadeiro estava oculto ou distorcido por uma ilusão que eles próprios criaram, composta de fantasias e de caprichos, de preconceitos herdados e de devaneios estranhos. A primeira tarefa que a experiência tem de realizar é despojar-nos dos sonhos, das quimeras e das noções falsas acumuladas durante a juventude."

Nunca podemos conhecer de fato quem é outra pessoa num âmbito de convivência amorosa, mas somente os afins meramente materiais e de pura conveniência a ambos. Jamais um teor meramente "intelectual" ou espiritual pode garantir, novamente dizendo, o determinismo de um campo no qual duas pessoas estão envolvidas, dois universos aparentemente iguais, de natureza intrínseca semelhante, mas com projetos e visões de mundo que se diferem ao longo dos anos.
A necessidade de "liberdade", mesmo sendo para muitos ilusória, é um grito das almas não coadunantes com a opressão indireta que o outro pode promover.
Todo tratado de "união", neste caso, se encerra em conhecer gente nova, compartilhar experiências na tentativa de aprender uns com os outros, até esta troca "saudável" de superficialidades, comercio idiossincrático de ninharias e convívio monótono para apenas ser "gregário", cair no ostracismo e daí partir para novas empreitadas de espírito daquele que ainda crê que alguém pode pertencer a alguém.
Então partindo deste raciocínio sigo Platão em certos aspectos, como bem citei acima, no tocante aos verdadeiros propósitos de uma união, mas obviamente descarto veementemente sua maneira de inferiorizar o sexo feminino.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nietzsche e o pós-modernismo (diversos)


Ao buscar elementos de intertextualidade entre os pensadores, podemos dizer que o modernismo é o movimento que enfatiza a razão e que se expressava mais amplamente através da ciência. A saber, atreves de filósofos como Locke, Kant e Hegel, o modernismo procurou compreender o mundo através da razão. Ainda devemos citar cientistas como Bacon e Newton, que consideravam a realidade física como operando na base de leis naturais, formulando uma ciência moderna que é empírica em sua metodologia e racional em sua interpretação. Sabemos que o iluminismo do século XVIII procurou aplicar a razão e a ciência a toda a realidade.
O século XIX testemunhou os esforços de Henry Buckle, August Comte e Karl Marx em transformar o estudo da sociedade moderna, tanto passada como presente, em disciplinas que descobririam leis semelhantes às que foram achadas no mundo natural. O século XX enfatizou a aplicação da metodologia cientifica a estudos acadêmicos, e como resultado o modernismo trouxe degradação do ambiente , totalitarismo em nome da ciência, guerras mundiais usando a tecnologia mais moderna e destruição nuclear.
Feito isto, a razão e a ciência não levaram a um paraíso, pois não é de se admirar que houveram reações contra o modernismo, uma delas é o pós-modernismo.
Nietzsche dizia que a realidade é o que criamos, e por vezes ele é considerado o pai ou precursor do pós-modernismo, anunciando a morte de Deus. O bigode salientava que não havia mais fundamento para as coisas, nenhuma base sobre a qual colocar nossas crenças. Portanto nós teríamos tanto a oportunidade como a responsabilidade de criar nosso próprio mundo (isso lhes parece algo familiar em outra filosofia?)
Mas segundo o próprio bigode havia um problema, que o conhecimento de coisas conforme realmente existem é impossível. O que pensamos ser conhecimento é uma criação humana, uma ilusão ou uma formulação artística. A linguagem através da qual expressamos nosso conhecimento é um mundo a parte, distinto da realidade externa e puramente arbitrário em sua formação. O que chamamos de verdade seria então uma invenção humana.
Como para mim particularmente Nietzsche foi e é um divisor de águas, advém deste os pensadores pós modernos, pleonasmos à parte, influenciar o pós modernismo, a saber:
Heiddeger: (Realidade é ser). Concorda essencialmente com o bigode que a linguagem cria a realidade. Heidegger desenvolveu muito a linguagem a partir de exemplos artísticos e mantinha uma opinião mística, ou até religiosa, com respeito a linguagem; ao invés de analisar queria afinal experimenta-la, chegando através desta experiência em contato com o "ser".
Foucault: (Realidade é uma libertação contínua). No período após a segunda guerra, um numero de franceses (convenientemente e inteligentemente) foi atraído às idéias do bigode e Heiddeger, entre eles Foucault e Derrida, que são os mais influentes para o desenvolvimento do pós-modernismo, sendo que conhecimento é a tentativa de controlar e sujeitar, Focault argumentava, não pode ser objetivo. Portanto ele dizia que o intelectual precisa desafiar esta ordem num programa de continuo de idéias reagindo com outras palavras e idéias, em vez de reagir com coisas em si; assim ela permite que um discurso existente desafie um discurso oposto, então Foucault se alinhava com grupos excluídos ou marginais, particularmente homossexuais, paqra subverter a ordem existente. Mas se um destes grupos marginais se tornasse dominante, ele estava pronto para se aliar com outro grupo marginal para se opor à ordem opressiva recém-criada.
Derrida: (Não há sentido evidente). Este também se preocupava com a linguagem, já que não temos uma visão imediata da realidade, dependemos do falar e do escrever. Mas falar e escrever são ambíguos e não comunicam necessariamente o que gostaríamos. Derrida propõe então "decompor" textos, que inclui analisar a etimologia de palavras, trocadilhos não intencionais e deslizes freudianos no esforço de demonstrar que eles não contem nenhum sentido óbvio.
Finalizando, apesar da diferença entre estes quatro pensadores, eles lançaram as bases filosóficas para o pós-modernismo através de suas contribuições primárias, a saber: seres humanos não t~em acesso à realidade e, portanto, nenhum meio de perceber a verdade; a realidade é inacessível porque somos restritos a uma linguagem que molda nossos pensamentos antes de pensarmos e porque não podemos expressar o que pensamos; através da linguagem criamos a relidade, e assim a natureza da realidade é determinada por quem que tenha o poder de moldar a linguagem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Do conceito de "Moral" (Osvaldo)



Nietzsche no campo da moral da muita margem à interpretação, embora no que se refere às instituições, ele tem grande razão.
Ele é duro com esta questão, e o super homem dele está ainda além de nossa compreensão, conceito que pode deliberadamente se transformar em qualquer coisa "híbrida" ao invés do que o que ele realmente propõe. O homem "nobre" de acordo com o bigode juntaria atributos hoje inadmissíveis na mentalidade da sociedade, seria como algo "contraproducente" para quem prioriza uma moral estipulada e comum a todos.
Neste caso, eu acho interessante a idéia de "compaixão" de Schopenhauer; algo que de fato é praticável e que nos "identifica" com o pesar alheio sem que façamos disto algo como advindo dos "imperativos" de Kant (categórico, moral e prático), determinando este conceito através de axiomas ou pela racionalização de um bem estar a todos de forma recíproca; constatamos que isto não acontece de forma alguma e se transforma em pura falácia. Por outro lado, os que praticam tais virtudes postas aqui no tópico, o fazem, a principio por barganhas imediatas ou até uma ascensão do praticante sobre quem sofre a ação, em qualquer esfera social; ou ainda por um idealismo ou força oriunda de uma escatologia ou promessa final de redenção e indulgências "platônicas".
Embora soe análogo ao pressuposto kantiano acima, Sartre menciona que nossas realizações e projetos devem "englobar" todos, dentro de uma visão humanista que ele atribui ao seu existencialismo, mas diverso de Kant pelo fato do alemão se basear em um conceito fixo, dogmático, dado a incognoscibilidade de sua essência e sob o conceito de "metafísica dos costumes", uma analogia ao termo bíblico "mandamento" e uma ordem da razão; ao passo que o francês admite que este" imperativo" é apreendido fenomenologicamente, dado como é em si mesmo e sem um efeito de ordem "racional" única, que desconsidere suas variantes.
É difícil tratar desta questão em Sartre pelo fato do homem exercer sua própria existência já que não concebe uma essência que o define. Estas questões de virtude, verdade e fraqueza são dadas como de fato se apresentam, pois constituem a percepção imediata de quem as intenciona. Dentre todos os seres, o ser humano é o único responsável por dar sentido e atribuir valores a sua própria existência, somente o homem é capaz de inserir significação a tudo que o rodeia. Dessa forma, a teoria existencialista afirma que o homem não é definível, pois inicialmente não é nada; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que fizer de si mesmo, e isto lançaria, se for de sua escolha, um atributo de valor "alto" quando se refere ao outrem; mesmo porque não somos nós que, apesar da máxima "o inferno são os outros", determinaríamos os passos do outrem; mas ao mesmo tempo temos a "angústia" de nos projetarmos a cada instante nessa alteridade de nuances mil, e muitas das vezes "colidindo" com nossas órbitas.
Neste caso, Sartre tenta mais explicar o porque destas questões do que "lidar" com elas de forma análoga a muitos pensadores antes de Schopenhauer, que tentavam a todo custo estabelecer uma "verdade" acerca destes fatos de uma moral comum a todos.
Eu diria que para Sartre estas questões estão inextricavelmente relacionadas em torno das questões de "liberdade", escolha, ação e responsabilidade.
As outras pessoas são fontes permanentes de contingencias, todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto.
Bem, veja só, cada pessoa tem um projeto diferente, isto é fato, e isto faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que estes projetos se sobrepõem. E o francêss não defende, como muitos pensam, o solipsismo. O homem por si só não conhece sua totaldade; só através dos olhos de outras pessoas é que ele consegue se ver como parte do mundo, ou seja, sem a convivencia o homem não pode se perceber por inteiro. E cada pessoa precisa desse reconhecimento. "Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno tornar-me, um vir-a-ser, que nunca se completa", portanto, passo pelo"crivo" dos olhos dos outros para ter acesso a minha essência (note que para Sartre a existencia precede a essência).
É esta convivência que me dá a certeza de estar fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a expressão "o inferno são os outros", a saber, embora sejam eles que impossibilitam a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o projeto não faria sentido.
Agora, dentro deste bojo existencialista de Sartre, não podemos esquecer que, segundo o francês, ao se assemelhar a um humnismo, ninguém pode se eximir da responsabilidade de seus atos e suas consequências (Quiça assim o fosse em grande escala, principalmente das autoridades), cada um escolhe por si mesmo, através de seu proprio julgamento, baseando sua ação no que julgar melhor. Mas ainda assim há algo a acrescentar: o homem é responsavel poe escolher por si, e para toda a humanidade, o que lhe causa muita angústia; o ser humano tem um compromisso com seu futuro, com as outras pessoas e consigo mesmo.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Existencialismo de Sartre (diversos)


Dentro do sistema sartriano, a única condenação possível para o homem é a de sua "liberdade". Todos os manifestos metafísicos são implodidos.
Que esta liberdade não seja entendida de forma anárquica, mas sim dada à inexistência de uma essência que pré-determine o homem; este está fadado às deliberações calçadas em responsabilidades, e qualquer ato promulgado por ele ainda assim constitui sua vontade e "jurisprudência", seja ela escolher ou não escolher, um ato que possa, junto conosco, beneficiar outros ou não. "Até a decisão de não fazer escolhas é uma escolha".
O primeiro princípio da filosofia existencialista, segundo o francês, é que a existência precede a essência, e o homem está "condenado a liberdade". Esta é a frase que todos repetem de Sartre constantemente e muitos não entendem o motivo, pois é em si uma contradição.Como pode o homem estar condenado, obrigado, e ao mesmo tempo à liberdade? Isto porque esta única "condenação" elimina as outras que seriam fictícias, a exemplo de quando dizemos que não podemos fazer tal coisa, não podemos ou não queremos? Seria a culpabilidade de todos os nossos "desejos" em vão atribuídos somente aos fatores externos do meio em que vivemos, ao menos em sua maioria? Talvez daí saia a noção de Sartre de engajamento político, principalmente em sua época, que englobaria multidões.
O existencialismo pode ser uma questão muito problemática para muitos, pois não parte de essência alguma, nem de essência humana, caso contrario, para Sartre isso seria um essencialismo.Neste caso, portanto, o existencialista prioriza a existência.
Criar nossas próprias vidas, como você citou, não seria um ato excludente de alteridade, muito pelo contrario, é a noção real, constante e responsável de que isso pode ser projetado no outro inextricavelmente.
O que seria uma existência? Seria eu agir todos os dia deliberando, mas deliberando nas condições de existência; se eu tirar as condições de existência, então tudo seria livre de fato. Não posso me imaginar fora da existência porque fora dela eu seria nada; eu só posso me imaginar fora dela se eu fosse uma essência. E isto implicaria uma falta de ação pertinente ao mundo, em termos de maior responsabilidade social temporal e renovada constantemente, dado o caráter de efemeridade das ações do homem.
Tomemos como exemplo a falta de responsabilidade de todos em questões globais como o meio ambiente e outra mazelas governamentais; tanto da inércia de um individuo como da coletividade; exceções à regra são caminhos,escolhas ou manifestos que os demais podem aderir ou não, assim como a idéia de uma pequena comunidade modelo, original ou não, que diversificasse de sistemas vigentes; ou mesmo o assunto discutido aqui acerca do vegetarianismo; não continuarei a comer carne só porque a maioria come ou o problema está longe de ser resolvido. Isto seria má fé para Sartre, mas pelo contrário, eu exerço genuinamente a minha vontade, e se acreditar na causa saio em defesa da mesma e me agrego aos demais.
Na hora em que o ato humano aparece, a vida se reconstrói, se estabelece a existência, e toda vez que deliberamos estabelecemos uma projeção nossa no mundo, porque abrimos "caminhos", e fazemos de forma que esteja aberto para todos percorrerem, uma "jurisprudência" no mundo. Projetamos nossa vontade no mundo, desde os mais insignificantes até os grandes atos como o engajamento social de expressão de sua vontade; o homem projeta o seu "ser" no mundo.
O homem de má fé no fundo seria um covarde, porque ele sabe que escolheu ou se decidiu mais não quer se responsabilizar por suas decisões.
Quando o homem imagina condições na vida em que não é livre, é porque ele imagina condições que não são da vida, está partindo para a essência, que descarta Sartre.
A relação sujeito/objeto para Sartre é puramente existencial, não há objeto sem sujeito e vice-versa, e sendo o próprio homem um objeto.Posto isto, aparece imediatamente a projeção do homem em relação ao objeto, podendo desdenha-lo ou não, quere-lo ou não, olhar para ele como objeto de estética ou de conhecimento, imediatamente projetando sua vontade, seu ser no mundo, que segundo Heiddeger seria o "ser-aí-no mundo", o Dasein.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Existencialismo e Freud (baseado em texto diverso)


Parto de Sartre, ao refutar a idéia de causas inconscientes dos fatos psíquicos; para ele tudo que está na mente é consciente. Rompe-se desta forma com a psicanálise por ela retirar a responsabilidade do indivíduo ao invocar a ação de uma força subconsciente e estados mentais inconscientes, que para Sartre, não existem. A consciência é necessariamente transparente para si mesma.
Todos os aspectos de nossas vidas mentais são intencionais, escolhidos, e de nossa responsabilidade, que é incompatível com o determinismo psíquico postulado por alguns autores.
Teríamos de atribuir a repressão inconsciente a alguma instancia dentro da mente , como a censura, que distingue entre o que será reprimido e o que pode ficar consciente, de forma que essa censura tem de estar a par da idéia reprimida a fim de não estar a par dela. Portanto, o inconsciente não é verdadeiramente inconsciente.
Por isso penso que não podemos usar "o inconsciente" como va´vula de escape parameu comportamento. Mesmo que não possa admitir para im mesmo, eu estou consciente e escolhendo. Mesmo na decepção que sofro, eu sei que sou eu aquele que me decepciona, e o assim chamado "censor" de Freud deve estar consciente para saber o que reprimir.
Ao usarmos o inconsciente como desculpa do comportamento, acreditamos que nossos instintos, nossas inclinações e complexos constituem uma realidade que simplesmente é; que não é verdadeira nem falsa em si mesma mas simplesmente real.
De certo esta proposição de Sartre é uma linha dura, pois não trata de nenhum dualismo o qual o ser humano se locupleta ao fugir de suas questões existenciais e seu real papel de responsabilidade perante o mundo enquanto forma e humanidade.
Penso que muita das idiossincrasias vista na humanidade são dadas ao fugir deste escopo de responsabilidade ontológica; da alta "voltagem" que constitui a obrigação imediata do homem de arcar com os danos de sua própria casa que engloba todo o outro, longe do solipsimo que lhe nega sua alteridade.
Somos responsáveis também por nossas emoções, visto que há maneiras que escolhemos para reagir frente ao mundo. Somos também responsáveis pelos traços de nossa personalidade. Não posso dizer "sou tímido", como isso fosse um ato imutável e inextricavelmente pré-determinado ao meio; uma vez que nossa timidez representa a forma como agimos, e que podemos escolher agir diferente, pois na vida nossos atos se definem, o homem se compromete, desenha seu próprio retrato e não há mais nada senão este retrato.
O que sobra são ilusões e imaginação a nosso respeito, sobre o que poderíamos ter sido, que são decepções auto-infligidas.
Por isto citei o papel de uma "psicologia" mais voltada ao escopo existencialista, que é um movimento que se aflora hoje.
Eu mesmo, em minhas grandes indagações existenciais, sempre em relação a sociedade, nunca encontrei tantas respostas no existencialismo que em diversas terapias que discorriam em eterna procura de meu "self".
Senti-me bem melhor ao assumir minhas "responsabilidades"; tentando definir, sem aspectos causais, a mim mesmo.
Isto não é uma forma de solipsismo, para maior esclarecimento consulte "Sartre e o Humanismo".