terça-feira, 4 de maio de 2010

A religião como influência para as idiossincrasias sociais (Osvaldo)


Em se tratando de sociedade, não podemos nos esquecer que todo o proselitismo obscurantista destas instituições tem contribuído para a “estagnação” da retomada de modelos sociais que atendam aos clamores de um era pós-modernidade. Tal debate se encerra no absolutismo total advindo daqueles que apregoam que a sociedade é composta pela mão de um “demiurgo” que proíbe inclusive o uso de preservativos, por exemplo. Portanto penso que qualquer contra argumento “derruba” os pilares já ruídos destas instituições sob a luz mais tênue de uma lógica. São resquícios “amargurados” da perda de poder “moralizador” e de Estado, pós iluminismo.
Em todos os âmbitos sociais temos influência direta deste império, contribuindo apenas que assuntos como células troco, aborto, métodos contraceptivos, etc, sejam postos a partir de um viés completamente maniqueísta e fora do escopo modernidade.
É notório o fato “sociológico” de que o iluminismo criou os maiores rancorosos da história. Como líderes de uma maioria “enfraquecida”, este erro sistemático ou tendenciosidade não descansa na força das armas; em vez disso, eles precisam confiar em seus poderes mentais e do bom uso da linguagem.
Ainda em um âmbito sociológico, a perda de “potencia” de determinados balizadores moralistas para a sociedade se converge em um ódio violento, sinistro e cerebral, assim como foi quando ainda tínhamos na sociedade, em nome da fé, um absolutismo que matava aqueles que “ousavam” apenas olhar para as estrelas.
Talvez a grande sacada “organizacional” de determinada instituição que reprimiu o homem e sua sociedade por séculos, tenha sido a criação de um novo sistema de valores, ou seja, por um processo de inversão, eles tiraram os nobres valores de seus governantes, (os fortes e poderosos) e os transformaram no seu oposto, os grandes vícios e pecados.
Essa engenhosa jogada resultou no seguinte sistema de pensamento social/moral: uma “inversão de valores” que coloca alguns nobres balizadores como pecados institucionalizados.
Podemos resumir então o que há fossilizado em termos de “visão” social:
Ética do escravo: submissão, o valor do sofrimento, humildade (baixo estima), a pobreza que salva as almas, censura, repressão dos sentidos,etc...
Ética do nobre: coragem, saúde, orgulho, engajamento social, pensamento livre, amor ao corpo como templo de Deus e vazão dos sentidos, etc...
Se explicar um pouco, desta forma, porque Marx é Belzebu e Nietzsche o demo em pessoa.

Uma visão da “educação” no mundo contemporâneo (Osvaldo)


Penso que muitos concordam com o fato de que nossa educação, de um modo geral, não vai muito “bem das pernas” (estou usando um eufemismo muito sutil).
O modelo vigente, seja pedagógico ou estrutural, que visava formar meramente a “qualificação” profissional de inserção do homem num mercado competitivo, retrocede mil léguas com a desestruturação deste ambiente (escola), advindo de uma sociedade que mudou por completo seus “valores” (desvalorização do indivíduo, no caso), formando-o apenas para atender as demandas de alguns interesses em certas escalas sociais. No entanto esta “formação”, como todos sabem, é rasa, desprovida de uma “fomentação” do espírito crítico a ser imbuído nos discentes tanto quanto nos decentes, pois a “universidade” hoje também se transformou em outro recôndito da falta de entendimento da pós-modernidade, perdendo-se nas “cifras” que promovem os verdadeiros intuitos formativos.
Nós modernos não temos uma cultura para chamar de própria. Estamos cheios de artes, filosofias, religiões, ciências e costumes estrangeiros : somos enciclopédias ambulantes (o uso e abuso da História) .
A questão é “assimilar” o passado, usando-o para fazer nossa própria vida e cultura. Muitos defendem que a História é um peso morto para o presente, e isto pode ruir as estruturas das cartilhas de algumas proposições sociológicas.

Olhando por outro prisma e aqui fazendo uma abstração do núcleo de debate proposto em torno de três sociólogos neste fórum, sendo que um obliterado pela grande maioria, poderíamos dizer que a educação nos dá muitas informações sobre a cultura; seu produto é a assim chamada pessoa educada, que possui um excesso de historia e não pode viver uma vida autêntica por si mesma. A educação insiste no “detalhe apurado” e na “objetividade fria”, que servem apenas para paralisar o projeto do individuo de auto-realização no mundo.
Talvez se quisermos de fato produzir uma cultura vital e autêntica, teremos de ser “menos educados” nos moldes tradicionais das cartilhas fossilizadas perante os clamores de uma pós-modernidade. Alguém já disse que certas situações da sociedade eram “contingentes” , transitórias, mas elas perduram até hoje. Mas outro alguém disse que tais idiossincrasias perdurariam mediante a culminação, o ápice de um sistema que convergiria suas falácias na própria “cultura”.
A cultura, as crenças e os valores que caracterizam qualquer grupo ou classe não podem ser criados apenas pela educação. Os maiores povos algumas vezes produzem um gênio, mas esse raro evento ocorre mais frequentemente em culturas onde o Estado está menos imiscuído na educação de seus súditos.

sábado, 1 de maio de 2010

Da subjetividade endêmica do "mal" social (Osvaldo)


Pressupor apenas a “negatividade” que contém em cada um de nós como causa de todas as idiossincrasias do homem é um reducionismo ontológico.
O que é a fé que as religiões nos exigem? Nietzsche responde a essa pergunta com um exemplo de Pascal, cuja crença religiosa impôs severas restrições no escopo de seu trabalho intelectual.
Pascal dizia que o homem, de forma confusa, era condenado pela própria razão, com a qual alegam terem refutado a sua “religiosidade” (ou talvez aqui apenas “religião”).
Mas Nietzsche refuta este pressuposto, dizendo que este tipo de fé parece, de uma maneira terrível, um prolongado suicídio da razão.
Se pensarmos na maioria das doutrinas que se inserem em um escopo “cristão”, veremos desde sempre o sacrifício de toda liberdade, todo o “orgulho” produtivo, toda a autoconfiança do espírito (há de se compreender aqui que “espírito” toma uma conotação meramente filosófica), e ao mesmo tempo escravidão e auto-escárnio, automutilação. (Palavras de Nietzsche, não minhas).
O filosofo dinamarquês Kierkegaard (cristão) chamou a fé de “divina loucura”, um “absurdo” que requeria um “salto” sobre nossa capacidade de raciocínio. Ele dizia que uma condição na qual “nenhum desespero” existe é também uma forma de acreditar; o eu está transparentemente ligado ao poder que o constitui.
Nietzsche martela novamente dizendo que isto é auto-sacrifício, outra vez, neste caso para salvar o espírito do desespero.
Bem, o que eu quero dizer com isto é muito simples; que teorias que fogem do escopo de investigação humana não trarão nenhum tipo de alento para a formulação de uma sociedade melhor, tampouco se for direcionada sob os auspícios de uma cartilha recheada de moral imposta. Penso que dentro do que pressupõe sua alteridade, o homem pode ser capaz de “resolver” suas demandas com o bom uso da razão.
Aqui não faço critica a toda forma de religiosidade, mesmo porque eu acredito em Deus, mas pensarmos que “devemos” prestar contas com o Criador, pois sendo Sua criação devemos analogamente ser “perfeitos”, dentro de uma vasta “contingência” ontológica, é no mínimo uma relação “esquizofrênica” de Deus para com sua prole e vice vera.
As cartilhas sociais estão aí, repletas de balizadores ético-morais advindos destas instituições em nome de Deus. Nenhuma delas deu certo.
É chegada a hora de um “humanocentrismo”, um novo iluminismo que traga à luz da compreensão não o homem focado em si mesmo, mas nas questões humanísticas que todos somos capazes de exercer para com nosso outrem. Talvez os velhos moldes sociológicos estejam defasados, pois há o “dedo” de muitos interesses coercitivos em ralação aos mais incautos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Acerca de Marx e sua “ressignificação” hoje. (Osvaldo)


A impressão que se tem é que Marx é sempre obliterado assim como qualquer outro pensador que institui uma “dialética materialista”. Penso que muito disto é apenas uma concepção “particular” de ver o mundo, para quem gosta de unilateralismos.
O fato que observo na história da filosofia e que ainda é um grande divisor de águas, a saber, entre antigos e modernos pensadores, são os pressupostos ontológicos ,suas “reduções” e o homem completamente fora se “si” mesmo. Verificamos que os homens adoram “volitar” entre confluências de forças externas para poderem diagnosticar as próprias mazelas, estas sendo interiores e exteriores.
Assim como nossa sociedade atual se encontra mergulhada na dicotomia entre o racional e o “coração”, analogamente a isto se serviram boa parte dos pensadores em suas proposições, com raras exceções, como Descartes e talvez Spinoza, num âmbito mais racionalista. Talvez adequada antítese para ambos, grosso modo, viria a ser a filosofia do “sentimento” de Pascal.
Bem, quero dizer apenas que grande parte dos homens modernos separou as duas questões supracitadas de forma um tanto que maniqueísta, perdendo-se em meio a estas duas confluências, o racional versus o coração, idealismos e formas perfeitas.
A saber, o discurso acerca de Marx refloresce nos dias atuais, e suas criticas renascem e ganham mais espaço na modernidade. Arriscado a primeira vista, aceitar tal argumento.
Marx não faz parte do cardápio pós-modernidade, acusado que é, pelo enredo liberal, de interpretar o intelectual ultrapassado, cujo ideário foi rejeitado pela pratica e abandonado por muitos de seus seguidores. Ele já não teria nada a dizer em uma época em que tudo que é solido desmancha-se no ar, e é banido pela academia porquanto sua teoria ousa proclamar a práxis num tempo em que o paradigma das partículas subatômicas supera as determinações newtonianas.
Não se executa uma filosofia por decreto, nem se mata um autor apenas pelo impulso da vontade. O “assassinato” de Marx e do marxismo é uma constante na historia, e assim como Nietzsche, numa escala de pensadores mais “contundentes”, se escreve mais acerca deles do que eles realmente professaram.
Não há separação entre realização e meta. Aí está o segredo da “imoralidade” de Marx, enigma decifrado por Sartre desde o inicio dos anos 60 do século passado, quando dizia que o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo.
Veja bem, a teoria de Marx nasce das entranhas do capitalismo, e só pode dar seu ultimo suspiro com o desaparecimento do sistema que o engendrou. Não importa, então, qie o regime produtor de mercadorias tenha mudado sua face; interessa saber se as condições econômicas, políticas e sociais do capitalismo permanecem em vigor, e até que ponto as “criticas” levantadas por Marx e esse sistema mantêm sua validade.
Portanto, dentro de um escopo marxista e com seu fantasma a assombrar as idiossincrasias de um capitalismo reinante ainda, mas com a mera impressão de que o homem agora está no poder de si mesmo, mas muito pelo contrario, sua falta de identidade é cada vez pior, percebe-se que acumular conhecimento parece ser o novo espírito de nosso tempo.
A primeira década do novo milênio reedita, em grau elevado, as criticas de Marx ao capitalismo de seu tempo. Como livrar-se do espectro de Marx? Como se desvencilhar de sua filosofia (concepção de mundo) se o sistema que a gerou prossegue viajem sem fim de um desejo a outro (a pulsão de acúmulo; a ambição de adquirir? O que há nos tempo atual que já não estava presente naquele em que floresceu a teoria de Marx? Exceto sua elevação a um nível superior de sofisticação e o alcance de sua forma mais pura, transformando até mesmo a cultura em pura mercadoria? (Vide alguns pensadores da escola de Frankfurt).
Mas há um objetivo capitalista nesse acumulo, a saber, de orientar onde o capital deve ser aplicado para garantir produtividade financeira.
Isso é muito lógico e dialético. Haja vista o produto, sim produto, que saem das escolas atuais. Seres completamente autômatos inseridos numa educação que visa apenas a inserção num campo de batalha acirrado que é a boa vaga de emprego num ambiente hedonista e ao mesmo tempo que elucida um grande niilismo “enrustido”.
Tirem-lhes a cartilha social do status quo, uma crença, e um sonho qualquer para lhes validarem a vida, que se perderão na “nadificação”.

domingo, 11 de abril de 2010

Os Pré- Socráticos - Osvaldo


Penso que o que se torna relevante mediante sua pressuposta “dúvida” acerca dos citados filósofos é o fato dos próprios historiadores elaborá-los de forma conjectural.
Creio que nós homens acreditamos muito mais em coisas “abstratas” do que as de fato são pertinentes ao histórico de nossa civilização ocidental e seu pensamento em seu sentido ontológico, pois a busca e elaboração de uma metafísica sempre nortearam bem mais a filosofia, até certo ponto, do que as reais necessidades do homem para o bom convívio com esta metafísica, não a tornando uma confluência de forças opostas. Se verificar, verá que muitos outros pensadores, como os grandes empiristas, racionalistas, existencialistas ou mesmo os idealistas, já conseguem dar uma forma mais “atada” em suas proposições.
No entanto, esta capacidade de abstração acerca da própria transmissão do conhecimento via oral se torna “intangível” , uma vez que apenas nos focamos, “logicamente”, em apenas um uso da linguagem que é a escrita, desvalidando a grande importância da “fonética”, que é o pilar da linguagem. Um não pode conviver sem o outro.
O assunto é por demais extenso e como a filosofia em si nos convida para um saboroso debate interminável acerca de “veracidades”. Não obstante, penso, particularmente, que este assunto não é uma das grandes “pedras” da filosofia.
Você pode talvez adotar o método cartesiano para chegar à suas convicções, se for o caso (vide René Descartes) que coloca em dúvida toda forma toda epistemologia até então do conhecimento e de si mesmo, e desenvolve um método para poder chegar a algumas verdades e mesmo a Deus. Este foi um grande racionalista e um dos meus filósofos prediletos, e foi “refinado” por Espinosa posteriormente.
Uma das grandes questões acerca da filosofia é sua própria definição. Subjetivamente, conotamo-nos de diversas maneiras em “proveito” próprio, bem mais do que alargar nosso campo de visão de forma a abarcar a própria dialética que provém delas todas, e resulta nas diversas outras filosofias existentes atualmente.
Penso que o verdadeiro exercício filosófico é o das extremidades, ou seja, a única forma de “experimentarmos” determinadas proposições é mergulhando fundo nelas, bem mais do que vagar em suas superfícies periféricas.
Já que não há um consenso sobre o que é “filosofia”, vai ver que essa não é a pergunta certa para se começar, mas em geral a filosofia começa com a pergunta errada ou com a resposta errada.
Em grego ela significa “amor à sabedoria”, o que parece uma boa definição, mas não nos leva muito longe, já que ao longo da história, o conceito de “sabedoria” sempre provocou discussões acirradas.
Marx e outros anunciaram a morte da filosofia. (isso cria dificuldade para os filósofos profissionais.) um italiano chamado Gramsci disse que todo mundo é meio filósofo.
Muito antes, Platão tinha dito que as coisas só iam entrar nos eixos quando os filósofos governassem o mundo. Outros filósofos dizem que a filosofia ensina que nada tem sentido. Assim governar seria difícil.
Confuso? Então vamos para a definição de Bertrand Russel para tomarmos como ponto de partida: “A filosofia é a terra de ninguém entre a ciência e a teologia, exposta a ataques dos dois lados”.
E não podemos nos esquecer aqui que o eixo da historia do mundo passa, aparentemente, pelo século V a.C,em meio ao processo espiritual ocorrido entre 800 e 200 a.C, que viu Confúcio e Lao –Tse na china, os Upanixades e Buda na índia, Zaratustra na Pérsia, os Profetas do velhos testamento na Palestina, Homero, os filósofos e os tragediógrafos na Grécia.
Qual seria a diferença de uma “carta” evangelizadora e sua posterior escrita, passada antes de forma oral, e da dos filósofos que são inclusive posteriores a este advento? Seria um “toque” de racionalidade que o tornaria inviável?
Talvez apenas acreditamos somente naquilo que nos convém, e novamente nos remetendo a Sócrates, acerca de nós mesmo conhecemos muito pouco, sempre!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A “tomada” do pensamento sofístico,a tragédia grega e a “politicagem”.


Vale lembrar que no século V a.C, Atenas viva o auge de um regime de governo no qual os homens livres decidiam os interesses comuns a todos os cidadãos. Em outras palavras, eles determinavam, em discussões públicas, como a cidade deveria ser administrada, e era considerado cidadão o homem que possuísse alguma propriedade, que tivesse escravos e que não fosse estrangeiro. Sendo assim nem todos eram adeptos das decisões públicas, a saber, as mulheres eram excluídas também.
Bem, esta era, acredite se quiser, a democracia ateniense que, embora não distribuísse os direitos para todos de igual forma, representou uma importante mudança no modo de ver o mundo, pois isto parte do princípio que eles tinham de que o homem era soberano sobre seu destino.
No mesmo período, porém, a sociedade teve como auge de produção um gênero de teatro chamado de “tragédia”. Isto tematizava acontecimentos terríveis, muitas vezes míticos, com a intenção de “mostrar” as consequências de atos morais e passionais dos homens. A tragédia era também uma reflexão acerca dos conflitos entre a liberdade individual e o destino, e se pensarmos bem, isto era um assunto que incomodava e incomoda até hoje todo o “detentor” da linguagem de poder (democracia), e falando em linguagem de poder nos remetemos ao Estado, e do Estado aos políticos inseridos nos maiores lamaçais antiéticos. Afinal de contas, até que ponto eles terão poder sobre nossas vidas se reagíssemos contra estas falácias?
As propostas defendidas pelos cidadãos atenienses eram feitas na “Ágora”, e para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos, como falar bem e de modo convincente, um dom muito valioso. Por isto, analogamente aos dias de hoje , havia cidadãos que procuravam aperfeiçoar a habilidade de discursar para melhor convencer os outros.
Vemos aqui que a linguagem é subliminarmente presente em todos os recônditos do ser, e através desta, se imprimi os mais diversos temas de “credibilidade”, assim como a possibilidade de capacitar ou incapacitar o homem. O surgimento dos sofistas foi uma lacuna a ser preenchida em um estado “natural” do próprio movimento histórico da filosofia e das categorizações da linguagem.
Os sofistas, entretanto, não foram apenas professores, mas também estabeleceram uma corrente de pensamento própria. Sua preocupação filosófica se voltava para o homem e a vida em sociedade; as questões que ocuparam os pré-socráticos, dirigidas para a natureza e a essência do universo, e que se pode dizer que foram os primeiros “físicos”, foram colocadas em segundo plano.
Se a vida em sociedade clama por uma ordem, talvez a dicotomia metafísica e ciência poderia chegar a um consenso para olhar o desespero humano que é de forma primariamente social e miserável, bem mais do que as necessidades das descobertas estratosféricas ou da ordenação do mundo das idéias perfeitas. Fórmula que não tem dado certo até agora acerca da constituição de uma ética universal, pois a única “centralização” no homem até então é a do ganho próprio, e não a do bom senso através ainda da própria racionalidade.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da espiritualidade de Sócrates


Quando se fala em espírito, estabelece-se automaticamente, para a maioria das pessoas, uma conotação com religião, ou crenças religiosas. Bem, pesquisando um poço mais além, nos deparamos com o fato que no caso de Sócrates e dos gregos de sua época, os mitos não se identificavam com a religião, pois a mesma estabelece um vínculo “individual” e social com o poder concebido como transcendente. O mito grego, pelo contrario, não ligava o homem à divindade, nem criava uma relação necessariamente doutrinária e normativa, como em nossas instituições religiosas. O mito se entendia mais como metáfora.
A espiritualidade de Sócrates não estava ligada a uma religião especifica. Suas crenças (ou mitos) sobre a espiritualidade situavam-se num nível mais racional e lógico.
Cada mito que citava encerrava um ensinamento ou conceito plenamente definido em suas crenças.
É notório que Sócrates, segundo meus estudos, acreditava inclusive na imortalidade da alma e sua reencarnação, porém a espiritualidade como valor maior da vida em Sócrates não consistia em fazer algo que agradasse ou satisfizesse sua relação com Deus, uma espécie de troca comercial segundo suas próprias palavras, ou “petitório”. A espiritualidade era um nível voltado para o conhecimento e a ciência, contendo um ideal de vida, como o que estava assinalado no frontão do oráculo de Delphos: “Conhece a ti mesmo”.
O que eu quero expor aqui é simplesmente a “confluência” de forças entre a ciência e a religião, que inextricavelmente reflete no homem, ou no mais incauto.
Se partirmos como base o conhecimento “a posteriori” segundo Kant, este é impossível, mas aí jaz a maioria das justificativas de fé da igreja e da ciência, porém todo este “conhecimento” não é “empírico” e sim parte da subjetividade. A ciência, análoga às religiões, tentam a todo custo provar a existência de uma “auto-ordenação” cósmica, e para tal estão neste momento tentando recriar de forma “empírica” , através do mais moderno acelerador de partículas, o momento da “criação” do universo, e a procura do “Bóson de Higgs”, teoria secular que se não provada de forma empírica irá ruir todos os pilares da física moderna acerca da única explanação do momento inicial de toda nossa cosmologia.
Em suma, uns se preocupam com a questão da “dogmatização” do homem, enquanto outros estão com o olhar cada vez mais projetados na cosmologia e suas teorias “a priori”. Ambos se esquecem do presente, e também se esquecem que o homem, via racionalidade, tem todo o poder latente de viabilizar um tão sonhado humanismo.
Quem sabe se nossa “fé “fosse de tal forma análoga à dos gregos antigos, viveríamos um pouco mais atrelados ao presente bem mais do que, egoisticamente, pensar na salvação de nossas próprias almas no post-mortem, ou de tantas “instituições” que crescem a rodo, que colocam Deus focado em escalas de bens de consumo, a saber, o da prosperidade, o da “blindagem” e “escape” do mundo cruel lá fora, e o da “isenção” de responsabilidade para com a alteridade, ou seja, as questões básicas de convívio com o próximo sem imputar a minha ou sua crença!
Nota zero para tudo isto!