quinta-feira, 24 de junho de 2010

Do Ceticismo versus a metafísica - Osvaldo


Creio que o interessante são os correlatos que podemos fazer a partir disto, ou seja, voltando um pouco, se verifica que Sócrates está mais voltado a certo “nascimento” de um antropocentrismo, após a as filosofias que o precederam em seus antecessores, que buscavam como causa ultima a imanência de um substancia que fosse caracterizar toda a existência, seja ela a água, fogo, ar ou mesmo o “apeíron” (sem limites) de Anaximandro. Posto isto, os pré-socráticos ainda pairavam nas águas do cosmocentrismo e o do nascimento da física, estes sendo de certa forma posto de lado por Sócrates, que introduzia a “razão”, paralelamente aos sofistas, no cerne social e individual. Não obstante, Sócrates se preocupava com questões de ética, mesmo por racionalidade, diferentemente daqueles.
Nota-se que Platão, penso eu, ao falar de Sócrates por si mesmo, tenta congruir o nascimento da razão, com foco “ontológico”, ao espanto, ainda, das questões cosmológicas e do infinito, que por sua vez é novamente “refiltrado” por Aristóteles, este que é a base da teologia escolástica por ter em seu pressuposto metafísico algumas congruências com as sagradas escrituras, a exemplo da proposição do “motor imóvel” daquele, que por sua vez também “casa” de certa forma com a teoria evolucionista da espécie humana, enfim, isto tudo a grosso modo, pois o assunto é extenso e ainda em filosofia Platão e Aristóteles brigam, inclusive nos dias atuais, pelo titulo de príncipe do conhecimento.
O que vale salientar é que a filosofia antiga nunca esteve obliterada ou estanque, nunca pode ter sido considerada ultrapassada ou inútil. O que temos hoje são divisões no campo epistemológico da filosofia e as filosofias meramente de cunho ontológico, este último quase que se destacando de vez da metafísica para estudar apenas os fenômenos dados a priori, como no caso da fenomenologia e do existencialismo, ou mesmo do pragmatismo americano ou das escolas diversas, como a de Frankfurt, que o homem de fato é, dado a incognoscibilidade de todo restante, a primazia e o centro de estudo filosóficos, dentro de sua alteridade e facticidade, incluindo-se aí o social também e as políticas.
Oras, as questões metafísicas somente não instigam os céticos (em filosofia, não os ateus). De resto, só atrai para si os diversos questionamentos acerca de causas primeiras e causas finais, não em um escopo de causas finais no sentido escatológico, tampouco o da presunção da ciência em travar uma batalha contra a incognoscibilidade do unirverso e a não admissão de nossos recursos parvos para tal. Se fossemos tomar a questão cientifica acerca do desconhecido, poderíamos dizer que, tirando o absolutismo destes cientistas em especular tudo somente em bases apriorísticas somente, que estes são os maiores metafísicos existentes, no que tange o principio de todas as causas.
Não é a toa que a tríade Sócrates, Platão e Aristóteles deixou um legado que nos faz lembrá-los até a modernidade. Advindo destes, se “reinstala” a questão epistemológica na era moderna com descartes, contra o empirismo cético de David Hume, que são resultados de “tese” em Kant, este que por sua vez alude o agnosticismo.
Platão já era conhecido em questões do “conhecimento” em Teeteto, e assim como Sócrates, se preocupavam com o relativismo exacerbado dos sofistas, tal relativismo este que também, séculos depois, indaga Descartes e o impele a uma metafísica também, esta para sustentar que o ceticismo seria uma furada.
Bem, eu penso que metafísica é um campo que é inextricavelmente atrelado à filosofia, seja em que época estivermos, e a de Platão não é tão diferente da de Descartes, Espinosa, ou mesmo Kant, no sentido de conceber uma “ciência”.
Ou seja, no campo das proposições metafísicas, a “lógica” não pode determinar nada em absolutamente, certo ou errado. Mesmo Bertrand Russel, grande filósofo e matemático, se preocupou com o “cogito” de Descartes, este que por sua vez se preocupava com Aristóteles, que por sua vez se preocupava com Platão, que acendeu o estopim.
Para os adeptos do “ostracismo metafísico”, aqueles que não se incluem num ceticismo filosófico, restam remar no mar agnóstico de Kant ou nas marteladas demolidoras nietzschenianas, e para ser mais pontual neste sentido ainda, resta parafrasear a morte da filosofia pela boca de Marx. Afinal de contas, para a humanidade restam os ditames teocentristas, o ateísmo, ou o sofismo. E talvez a metafísica ainda seja uma pulga atrás da orelha deste enorme relativismo ao extremo. Moralismos à parte.
Na realidade o que é filosofia a não ser aquilo que aprendemos da boca dos outros, ou seja, Schopenhauer já nos alertava, embora em sua época, acerca da filosofia universitária, esta que estava sempre atrelada aos interesses do Estado voltando-se para um conceito “racional”, como em Hegel e outros românticos anteriores a este.
Na realidade vivemos sempre à sombra de filósofos ao invés de “pautarmos” nossas críticas também.
Estou neste instante relendo “Sobre a Filosofia Universitária”, de Schopenhauer, que a meu ver é um interessante tratado do real valor do filosofar. Claro que por detrás deste esboço jaz a metafísica da vontade do velho Schops, e de grande modo o fato de seu pessimismo coincidir com a “miséria” alemã e o desespero que toma conta da intelectualidade burguesa de sua época, pós hegeliana.
Há algo nesta obra de Schopenhauer que me chama a atenção no tocante ao papel “perene” da filosofia e do filosofo que engloba em sua função o sentido estrito da palavra filosofar, em amplo aspecto, e não somente em um, como no caso de somente aspectos sociais, ou epistemológicos, ou somente éticos ou estéticos. Ele cita no mesmo livro que no homem, a vontade se objetiva não só como corpo, mas como sujeito do conhecimento (aqui já temos uma refutação ao dualismo de Descartes, interessante isto!), o que possibilita que ela se conheça a si mesma e chegue à sua negação. Revelar o “significado moral do mundo” é a única e suprema tarefa do filósofo verdadeiro. Por isso ele não pode estar submetido a nenhum outro interesse que não seja da busca da verdade.
O interessante também é que enquanto estudantes da história da filosofia, podemos traçar uma linha “dialética”, a la Hegel, de nosso estado filosófico atual, e voltando agora a Platão e sua metafísica, com intertextualidades entre os principais filósofos da história, se encerrando em Nietzsche e no existencialismo provocado pelo mesmo, podemos observar que o homem pouco mudou. Como diária Nietzsche, qual de fato seria esta tênue linha que separa o homem moderno daquele homem primitivo? Em que de fato evoluímos desde a “arrancada” pós advento racional?
Muitos filósofos apenas tentam desdenhar o verdadeiro conceito da metafísica filosófica para se direcionarem apenas ao extremo “antropocentrismo”, mas se esquecem que este mesmo se torna uma força “centrípeta” que não sai de seu bojo tampouco, coisa que deveria ser bem diferente, pois aqui lidamos com argumentação empírica e fatos concretos, e não metafísicos, ou seja, na pior das hipóteses, irão dizer, como já foi dito em um niilismo amargo e passivo, diverso do “amor fati” nietzscheniano, que a raça humana é algo passível de obliteração.
Creio que não. Dentro do real escopo filosófico, nunca ficou mais evidente um olhar de volta às raízes, como que em Sócrates, Platão e Aristóteles, que englobam ainda as mesmas perguntas de sempre. E que alguns ousaram a continuar e outros simplesmente esqueceram.
Creio que estamos perdidos na nossa própria razão, esta que começou apenas a ser “lapidada” algumas dezenas de séculos atrás e, no entanto, se sustentar apenas nisto para esclarecermos os “balizadores” da humanidade, seria como retornar ao tempo em que se refutava o heliocentrismo de Copérnico.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Crítica à educação capitalista - Osvaldo


Os dados estatísticos de nossa educação espelham duas faces, a saber, alguns que tentam expor fatores de conveniência própria, provenientes das autoridades que encabeçam a educação, outros provêm da constatação “in loco” de quem realmente está de frente às presunções ilusórias da “profetização” da inexistência de fatores alarmantes acerca de nosso ensino.
Aqui não se trata de mera visão niilista, ou de um pessimismo contundente, mas sim da constatação imbricada dos desafios atuais do professor e do que estes podem de fato se assegurar para o pleno exercício de sua função, de modo a promover seus alunos em todos os aspectos de realizações que constam nos estudos sociológicos para a dignidade humana, e, não obstante, de modo que a escola possa de fato ser um pequeno “reduto” que espelha a realidade lá fora, e vice versa.
Pela supracitada afirmativa final, podemos inferir que um dos maiores desafios do educador está redobrado de responsabilidade perante seus alunos, ao que consta, do desenvolvimento, em sala de aula, de uma realidade social menos lúdica e mais “verídica”, análoga aos desafios propostos na sociedade como um todo, e do próprio papel do professor, que para além da transmissão de um conhecimento que visa à formação dos cidadãos engajados no sistema vigente, possa também propor novos desafios aos discentes, de maneira que estes não vejam sua contemporaneidade como causa final de inexorabilidade idiossincrática, mas sim de modelo a ser superado. Portanto, dentre as peças fundamentais deste mosaico, o professor é de fato aquela que ainda pode guiar o discernimento de seus discentes em relação aos caminhos propostos para a amenização das idiossincrasias sociais, que indubitavelmente reflete de maneira singular não somente na formação do individuo como também nas questões apriorísticas comportamentais, salvo os de ordem “biológicas” e “psicológicas”, que são reflexo de uma sociedade doente e que estão inextricavelmente atreladas ao fator disciplinar assim como o da evasão escolar, uma simbiose, uma circularidade, que somente sendo interrompida poderá permitir o afloramento dos ventos da concordância com o verdadeiro papel da escola.
Sabe-se hoje que nossas escolas estão aptas a ensinar de uma forma que atenda as demandas do capitalismo, e este, expressão máxima da desigualdade social, requer formas pragmáticas de inserção do ser humano em “campos” de trabalhos específicos, quase que obliterando totalmente as questões de dignidade humana, em prol de uma subliminar escravidão do saber e da anulação “exponencial” de todos os atributos engrandecedores humanos. Aqui uma “racionalidade” é somente usada em função da cooperação dos indivíduos para com o fomento do capitalismo.
Posto isto, as perspectivas da educação ainda se encontra na própria educação, isto é, da ressignificação de conceitos até então considerados como “motes” educacionais, paradigmas inquebrantáveis e coercitivos de um sistema social muito pouco humano. A capacitação do docente é imprescindível para que ele possa se direcionar para seus alunos de modo a abranger não somente as necessidades formativas de seus discentes, como também das informativas. Para tal, esta maximização do papel do docente carece de certas resoluções de caráter iminente, a saber, de se começar com a simbologia “conceitual” de sua nobre profissão e reconhecimento, que é a melhoria remuneração, capacitando-o a ministrar menos aulas e de maneira que ele possa focar “melhor” em apenas determinado número de classes, sendo que isto corroborará com o fato de não somente as aulas se transformarem em reais agentes de transformação, como também da geração de mais empregos para o setor educacional.
Das três principais escolas sociológicas, uma se faz “bem presente” no sentido da inserção do indivíduo em sua sociedade, ou seja, da escola como “provedora” da educação necessária para o encontro das demandas sociais vigentes, mas penso que uma escola sociológica em específico lida com as reais questões visionárias que jazem por detrás das sombras do capitalismo e dos dissabores que dele resultam. E este modelo é singularmente diferenciado, sempre atual e também faz parte integrante de muitos educadores quando o assunto é ensino versus Estado. A meu ver Marx, embora dito por muitos não se preocupar deveras com a educação, já desmantela todo o sistema vigente quando aponta as tempestes sociais que, de forma inexorável, vertem para a realidade escolar. Como causa ultima de soluções, e como educador, de certo comungo com esta visão que, como em uma árvore, aponta a suas raízes fracas e miúdas do capitalismo para o sustento de um humanismo de necessidades plurais, pois análogo à democracia, seu paradoxo é que as necessidades de muitos são esmagadas em função das necessidades de poucos.
Sabemos que a principal função social da escola é formar o indivíduo com bases no seu futuro exercício,e plenamente ciente, de sua cidadania, embora o que se tem como meta hoje é o “enquadramento” num dito círculo vicioso, digo, virtuoso, que como em uma cadeia alimentar, dada a imposição do sistema social vigente, o indivíduo nasce, aprende, produz, enriquece os outros, ganha muito pouco, paga os impostos brasileiros em cinco meses de serviço antes do ganho real, e este “ressentimento” generalizado gera violência, que por sua vez reflete na educação e na evasão escolar, mas que por sua vez leva o indivíduo ao submundo, e que por sua vez não aprecia a escola, e que consequentemente vai ser também explorado por trabalho escravo, “ad infinitum”.
Por fim, a escola ainda é a base, o pilar que sustenta toda predileção futura por uma sociedade mais justa e de equidade. É a instância primordial para aquisição do saber no desenvolvimento cognitivo do individuo, e para tal, disciplinas como sociologia e filosofia devem ser disponibilizadas em âmbito nacional, sem exceções, para que ao menos um elemento critico possa brotar por parte dos discentes e que isso de fato se torne um dia sinônimo de engajamento social de alunos e professores em prol da constituição de uma sociedade menos desigual e de precariedade educacional.

Crítica aos que desvalidam o homem racional - Osvaldo


O homem é o que é, ele não tem pecado original e tampouco “culpa originária”. O homem por natureza “isolada” de tratados deterministas pode perfeitamente fazer bom uso de sua razão para a solução de seus problemas. Muitas vezes eu mesmo me assombro mediante a crença que se pode ter acerca de um Deus “punitivo” ou rancoroso no tocante a sua própria criação. Vamos colocar então as coisas fora de um escopo teocêntrico e dogmático para então analisarmos esta questão sob um prisma “humanístico”.
Com a derrocada do advento cosmocentrista e teocentrista, o homem começa a ter noção de sua “razão operante” no advento do antropocentrismo, ou seja, todas nossas descobertas em ciência, medicina, engenharia, humanidades e outros, se dá a partir deste momento singular, o do uso da razão , que não necessariamente refuta a idéia de Deus, tampouco o antropocentrismo deixa de “comungar” com a idéia de um Ser infinito e de causas primeiras e finais.
O que apenas vale ressaltar é a forma em que a igreja medieval fez, de maneira sistemática, em atribuir a razão à fé, no período escolástico com Aquino, combinação esta que já estava por ruir mediante o uso “inapropriado” da razão para meramente suportar suas bases teológicas “dogmáticas” e de obediência nos primados racionais de Aristóteles. Este por sua vez, acabou também sendo subjugado por “emprestar”, após vários séculos, sua filosofia para a igreja cristã. Como resultado, a sã consciência diria que nenhum poder humano seria “atemporal” ou “divino”, bases estas que foram e são ainda demolidas pelo constante exercício filosófico, mas não pela teologia própria destas instituições que validam sua autoridade.
Falar do “transporte” destes pensamentos medievais ainda nos dias de hoje é uma tentativa muito improdutiva, assim como a areia escapa por entre nossos dedos, de avaliarmos e balizarmos os verdadeiros problemas do homem, que em suma ocorre pelo mau uso da razão e pela falta de instrução apropriada.
Existe um grande ressentimento dos religiosos e espiritualistas com os tempos modernos, em geral dos mais dogmáticos, em percorrer a modernidade de acordo com as novas nuanças e desafios dos seres humanos. Talvez a grande “sacada” da criação consiste em usar nossa razão da melhor maneira possível para que possa haver o diálogo que abranja as interdisciplinaridades dos seres humanos sem escatologias e nem exclusivismos.
Penso que os estóicos, voltando novamente ao passado,em se tratando de uma “ética de vida”, se configuram como os mais sensatos ao lidarem com questões pertinentes à conduta mediante o hedonismo e a vaidade humana, seja ela do materialista radical ou do espiritualista-religioso, e ainda eles conseguem um diálogo “interno” com o que chamam de harmonia cósmica.(O Estoicismo ainda se faz muito presente hoje como filosofia de vida para muitos).
Tudo se resume em conceitos, pré-conceitos, e crenças do senso comum, questões que a filosofia bem aplicada tem por finalidade demolir. E a partir disto nos centrarmos nos diálogos que venham de encontro com as reais necessidades sociais do homem, parafraseando a perfeição de todo o sistema universal, que pelo mau uso da razão, em muitos, ainda não se faz claro.
Penso então que os argumentos dogmáticos, seus vestígios atuais, assim como a tentativa de fundir razão com dogmas deterministas,estão fora da ousadia filosófica de quebra de paradigmas e vislumbre do novo.
Façamos o exercício socrático que diz: "Homem, antes de conhecer aos deuses e ao universo, conhece-te a ti mesmo".Talvez este tão procurado Deus esteja dentro e não fora. Isto seria um vislumbre apenas, pois nas tentativas de se "agarrar" Deus com as próprias mãos, desastrosamente o homem o faz de maneira antropormofizada, nos remetendo a Kant que diz que esta "possibilidade" é impossível. Mas ao contrário, segundo Descartes,o bom uso da razão pode, de maneira intuitiva, apreender a idéia de Deus, mas para tal, precisamos antes de tudo confundir tudo, desmoronar tudo, para enfim reconstruir o “novo”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da Epistemologia e Metafísica- Osvaldo


As questões de “crenças” fogem de fato do âmbito do conhecimento humano. Acreditar ou deixar de acreditar penso ser impossível dispormos de provas para ambos os lados da dúvida.
Em epistemologia, ou seja, gnosiologia, temos uma “truncagem” muito interessante desde o grande racionalismo de Descartes e do empirismo “final” de David Hume, precedido por Locke e Berkerley.
Em se tratando do sentido estrito de filosofia, ao qual nos remetemos à metafísica, o ramo do “conhecimento” se torna ainda um assunto muito extenso e digno de debates infindáveis.
Penso que ao voltar os olhos apenas para o homem e sua cultura a filosofia pós-moderna, tendo Nietzsche como estopim, decide abarcar apenas a efemeridade do ser e as questões existenciais que se contrapõem em vista de uma contingência multiforme.
Nietzsche mesmo disse que provar a existência de “metafísicas”, ou seja, dos assuntos abordados por ela, seria impossível. Portanto seu foco inicial não é de refutação, mas talvez aqui eu fazendo um paralelismo com a “incognoscibilidade” de Kant, o bigode simplesmente deixa os assuntos “impossíveis” de lado para voltar seus olhos aos homens e suas circunstâncias.
Não creio que a “morte de Deus” seja uma interpretação apenas dedutiva, como se faz na maioria das vezes, e sim se faz cabível o contexto “hedonista-tecnológico” da falta de balizadores para o homem moderno, pós racionalismo e pós “individualização” de seu “eu” pensante, este que é de fato abordado pelas grandes escolas idealistas germânicas.
A meu ver, filosofia é inextricavelmente atrelada a indagações pertinentes à metafísica. Muitas das escolas que apenas englobam o “ser social” mais parecem com proposições sociológicas e antropológicas. Portanto penso que os assuntos pertinentes a metafísica é um dos pilares da filosofia, daquela praticada como um “todo”, e é neste aspecto que ainda tenta trabalhar a tão infindável epistemologia que, a saber, nos fomenta ao debate daquilo que é possível conhecer, como se dá isto, e o que de fato podemos saber com “certo grau” de entendimento das coisas.
A saber, a epistemologia tenta apagar o “incêndio” provocado quando o racionalismo e idealismo, o empirismo, o ceticismo metodológico, e o relativismo se encontram.
Hoje a filosofia como a analítica e da linguagem deixam de lado os aspectos metafísicos que são sim a meu ver ainda constituintes do bojo do “filosofar”. Ainda não sabemos muito bem se proposições voltadas apenas ao positivismo e ao humanismo, ou mesmo o materialismo dialético, encerram em si proposições “filosóficas”, ao invés de serem adequadamente citadas como teorias sociológicas ou antropológicas, estas que são os ramos de uma filosofia “primeira” e são sustentados a partir de elucubrações metafísicas da raiz desta árvore. Bem disse Marx em sua época que a filosofia estava morta.
A meu ver, dentre todos os pressupostos filosóficos, a filosofia “genuína, se assim posso chamar, vai até Hegel e Schopenhauer. Já em Nietzsche vemos uma derrocada, como ele mesmo propõe, dos conceitos e abordagens filosóficas, e por aí a coisa segue, a exemplo de Freud, Comte, Derrida, Foucault , Lacan, Baudrillard e outros. Estes se voltam para o social em relação ao sujeito. Mas dentro desta nova leva filosófica, ainda vejo, de maneira particular, o existencialismo como real indagação filosófica, pois este sistema embora refute metafísicas, leva o ser humano à questionamentos “atemporais”, no sentido de sua existência mediante um mundo sem ordenação e sem “paternidade”, levando a conceber apenas sua nulidade mediante este processo e sua forma independente de ser que ao mesmo tempo não pode circunstancialmente deixar de enxergar sua alteridade.
Não obstante, sendo o existencialismo estritamente atrelado à fenomenologia, esta ainda se preocupa com as questões do “cogito” e dos objetos apreendidos em nossas mentes. Arriscaria dizer que é quase uma intertextualidade com os pilares cartesianos, do sujeito “cognoscente”, mas para tal devemos estudar muito e ver estas conexões., ao menos entre o racionalismo, o hegelianismo , de certa forma, e Sartre.
Posto tudo isto, em filosofia, sempre restará a indagação acerca do incognoscível, e a epistemologia ainda é forte ramo filosófico que constantemente quebra a cabeça acerca do “entendimento”.
Para muitos tudo isto pode não passar de perda de tempo, já que o importante é nossa cultura e as diversas aplicações conceituais em nossa realidade social presente.
Por fim, penso que as estruturas filosóficas pós-modernas não se interessam muito pelas questões epistemológicas, a não ser por aquelas que já são estão postas em determinadas áreas do saber.
Descartes, pai da filosofia moderna e do grande racionalismo, provou a existência de Deus em seu argumento ontológico. Creio que isto seja de uma suntuosidade e profundidade extrema na filosofia de Descartes, grande matemático que, não obstante, baseou sua filosofia em métodos da geometria analítica, sendo que a matemática é uma das verdades que podemos de fato conceber.
O problema se instaura com David Hume e seu ceticismo filosófico. Ceticismo este que não é sinônimo de ateísmo, e sim de cunho epistemológico, ou seja, que é impossível poder "conhecer" algo a partir de nossas mentes, a não ser através das experiências sensíveis.
Eu já sou mais adepto do racionalismo de Descartes, pois acredito que também somos constituídos de, até certo grau, de idéias inatas.
Já Kant diz que ambos estão errados, e une as duas filosofias como “a priori” (da dedução de idéias de Descartes) e “a posteriori” (da indução de idéias de Locke e Hume), e não obstante, da "coisa-em-si", que seria da "incognoscibilidade" de nossas mentes no que tange assuntos como Deus, verdade, e realidade. Que nossas mentes são um "retrato" contínuo da realidade que é processada através de "filtros" categóricos como profundidade, tempo, espaço, qualidades, etc.
Este é um assunto que me consome faz muito tempo e uma das minhas áreas prediletas em filosofia, que é da teoria do conhecimento.
Portanto, num silogismo, eu penso que: Se Deus é uma idéia, e uma idéia pode ser uma probabilidade, então a probabilidade de Deus de fato existir é certa. Agora, esta idéia não é racional, a não ser pelo fato de lógicas e silogismos, mas sim uma questão de fé, por certeza. Apenas uma coisa me intriga sobremaneira, que é o fato das ciências não passarem de idéias “apriorísticas” no que concerne a cosmologia e a infinitude do universo, e em seu fomento acerca das "causas finais", que também se esbarram em contradições e se torna meta “alienável”.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aquino e Agostinho, uma sandice intelectual - Osvaldo


Autores podem também saber vender seu peixe muito bem ao defender estes doutores da igreja, que ao meu ver mais parecem doutores de "castração mental", mas para mim a primeira regra é duvidar de tudo, ao menos em matéria de conhecimento "induzido".
Quais são os pilares para o surgimento de Aquino e Agostinho.
Após longo período em que crenças se baseavam no torpor dogmático e o renascentismo é instaurado, a resposta da igreja é a escolástica, e seus expoentes são Aquino e Agostino.
Penso que aqui se deve verificar se a autora do comentário que você citou apenas estuda os fatos em si através da mera intencionalidade, seja ela filosófica ou teológica, ou se também há certo proselitismo por parte deste discurso. Nada melhor do que a “desconstrução” da linguagem para nos atermos às verdadeiras “intenções”. Eu fico com o racionalismo. Mas não o racionalismo que se incorre do subproduto das verdades “objetivas” que posteriormente, agregadas, se tornam subjetivas e de senso comum.
Para provarmos que teologia e filosofia são excludentes, precisamos partir de um método. A primeira instância filosófica seria do “questionamento”, ou seja, o que de fato posso conhecer através de meus sentidos ou de minha razão? Portanto o racionalismo posto de forma equilibrada e filosófica tende apenas a nos posicionar em plataformas mais “convincentes” a observar as questões de crédulos sem embasamentos críticos. A saber, podemos contar com a historicidade dos fatos para podermos ruir os pilares de uma teologia que se ergue sob questões de “aprisionamento intelectual”.
Ora, tudo se instaura através de um processo dialético, e deste mesmo processo, resulta a teologia escolástica como forma de perpetuar, embora de forma mais atenuada, o poder da igreja. Como pode haver um bom "consenso" entre a filosofia moderna e pós- moderna , ou estas últimas ao encarar os primados dogmáticos que são diretamente advindos dos pilares escolásticos de Aquino e Agostino, e que são ainda hoje os mesmos pilares que refutam vários experimentos científicos, o uso de preservativos, os diversos gêneros sexuais, o dialogo em torno do aborto, a ciência em torno das células tronco, diálogos ultrapassados em torno de instituições como o casamento, e da obrigatoriedade de ensino religioso nas escolas.
Aqui não valeria dizer que estes teólogos são “independentes” desta instituição. Eles formam o corpo intelectual deste escopo teológico que visou confrontar a modernidade. Percebemos que por fruto de intolerância mediante a falta de ressignificação aos tempos modernos, esta instituição perde cada vez mais seguidores, com a premissa de manter sua “qualidade”.
Não obstante, devemos salientar que a filosofia não é exclusivamente advinda de um “cogito” grego-ocidental, mas sim de uma intertextualidade como ocorria com a Ásia menor antes dos pré-socráticos e , em termos de religiões, bem antes de o pensamento ocidental começar a florescer já tínhamos os sábios conhecimentos dos egípcios, dos animistas africanos, dentre outros. E numa jogada espetacular, após a derrocada da influência helenista no mundo tanto quanto do império romano, ergueu-se o sacro império romano, e a igreja ocupou a lacuna deixada “órfã” nesta historicidade, impondo sua força e seu poder "atemporal".
Os jesuítas nada mais fizeram do que uma expedição de “força” descomunal a catequizar de acordo com onde soprava o vento. Os clerigos inventaram o diabo ao verificar os deuses africanos ou outras deidades pagãs, ressignificou, com Constantino, todo o calendário pagão de sua época para forçosamente instituir o cristianismo.
Bem, feito a grosso modo uma tentativa aqui de tese, antítese e síntese, o que seria da historia da humanidade e de seu curso, doravante, se “Avatares filosóficos" como Descartes, Locke, Hume, Kant, kierkegaard, Nietzsche e outros não viessem à tona com seus novos “modos operandis”? Talvez fossem de fato queimados em nome do santo oficio, o mesmo que inclui no bojo sistemático e doutrinário Aquino e Agostinho.
Metafísica não é teologia. Teologia não é metafísica (ao menos no que se baseia a filosófica).
Dogmas e filosofia são mutuamente excludentes, vide todos os pensadores que pensaram que suas proposições fossem se tornar dogmas, isto se de fato um bom filósofo pensou nesta sandice.
A era da razão tem também suas mazelas, mas estas, como já disse o grande “pai” da modernidade Descartes, é quando conduzida de forma “inadequada”. Portanto viva a filosofia, que é um processo interno de construção e de desconstrução, quebra de paradigmas. Isto ao menos é pretendido do real conceito de filosofar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Do "Furor Philosophicus" de cada um - Osvaldo


O problema não é a constatação de uma dimensão metafísica ou não, de um dualismo, idealismo platônico ou de uma forma universal. A questão é mais profunda.
O homem se situa numa confluência de forças externas para validar seus fracassos e suas glórias. Logicamente dizendo, se fosse vontade divina a perfeição de todos os seres, eles assim seriam sem titubear. Portanto, façamos aqui uso de um silogismo prático: Somos criados por Deus, Deus é perfeito, portanto nossa realidade é perfeita. Dizer o contrário de uma supremacia toda poderosa e perfeita, inserindo o homem em teorias como o “pecado original” ou de sua inexorável “ incapacidade” frente seu mundo, seria no mínimo um desrespeito a Deus e estaríamos taxando esta relação de esquizofrênica, maniqueísta e sádica.
Segundo Kant, o que distorce a “imagem” e o conceito de que temos da realidade são nossas próprias categorizações mentais. O homem tem a necessidade de impor uma ordem “a priori” transcendental, e esta não “empírica” e portanto não “a posteriori”, de um juízo no qual se torna os balizador de nossas vidas.
A fé e a razão são mutuamente excludentes, isto foi jogada bem elaborada de Agostinho em relação a Platão e o neoplatonismo, e de Aquino em Aristóteles, ao compreender o escolaticismo após a patrística. A fé e os desígnios da igreja precisavam estar “fundamentadas” na razão.
Hoje um discurso meramente “abstrato” não pode ser calçado nos pressupostos da razão. Todo o discurso racionalista que visa explicar Deus chega a uma conclusão bem adversa, sem refutá-lo. Vide Descartes, Spinoza e Leibniz, conhecidos como grandes racionalistas, ou mesmo o diálogo “idealista’ de Hegel, do grande espírito, baseado no racionalismo.
Todos têm uma concepção adversa do que seria este “grande arquiteto do universo”, não obstante, nenhuma delas parte de que Deus seria uma instância anuladora da capacidade que o homem tem de exercer seus ideais humanistas, através da razão. Isto é uma matéria que está em voga, a do antropocentrismo ou mesmo em outras correntes como o “humanocentrismo”.
A fé baseada em âmbitos que descartam a lógica e a racionalidade é apenas um axioma, seria o mesmo quando Copernico pediu ao papa que olhasse através de sua luneta e este imediatamente refutou, dizendo que já tinha suas convicções acerca de tudo. Copérnico estava apenas tentando provar sua teoria do heliocentrismo.
Provar a existência de uma realidade metafísica será impossível, e tendo isto como base, seu oposto pode ser ou não verdadeiro. Ou seja, penso que a questão é esta: o homem ora está inserido em proposições extemporâneas, longe de si, tendo como predileção sua vida pós morte e obliterando esta; ora o homem está inserido num hedonismo capitalista e que oblitera sua própria identidade humana e contingente; ora o homem, sofrendo coerção social, está inserido em um patamar de anulação de seus potenciais criativos e de esquecimento de sua alteridade. Coerção, coerção e mais coerção.
Para quem de fato tem o “furor philosophicus” , todas as proposições na filosofia são passíveis de um encanto meditativo e reflexivo, desde os pré-socráticos até os pós-modernos, pois todos em si encerram uma dialética própria da história do conhecimento, pois toda tentativa de se chegar a uma verdade não seria eficaz se não houvesse várias dúvidas neste caminho. Caso contrário, um curso de filosofia poderia apenas ser dividido em módulos, e um filósofo poderia ser formado apenas com os estudos de alguns pensadores que encerram em suas doutrinas a irrefutabilidade de seu passado ou presente.
Estas indagações são pertinentes ao bom filósofo, de fato.
O princípio da dúvida encerra em nós mesmos a dicotomia do ser, e esta se traduz em "ser ou não ser", como disse o velho camarada.
Penso que o princípio "philosophicus" não está atrelado ao fato de uma plataforma de "sossego" enquanto apenas providencias da razão, mas sim da clareza de um "método", para podermos constituir dentro deste mar vermelho, princípios claros para a aquisição do conhecimento.
A questão epistemológica, ou melhor ainda, de gnosiologia, em filosofia, sempre exerceu a partir da filosofia moderna com os grandes racionalistas, empiristas e mesmo o idealista alemão Kant, um problema em relação ao que podemos "conhecer" de fato. Isto se torna portanto um dos ramos mais "acirrados" na ciência filosófica.
Eu penso que questões de fé não se misturam com a do antropocentrismo ou do humanismo. Isto é dado pelo fato do homem conservar um princípio de maniqueísmo latente, algo sempre avivado e impregnado em nosso "DNA" histórico durante as gerações, e que hoje novamente chega em forma de religiões que fazem vistas grossas aos problemas emergentes em nosso mundo moderno.
Sempre houve e haverá, neste sentido, questões "escatológicas" que obliteram as capacidades natas do homem de sua verdadeira constituição humanísticas e real relação de responsabilidade com sua alteridade. Isto parece ir um pouco contra os princípios de submissão do homem perante o incognoscível, mas ainda em se tratando de metafísicas, não vai contra os princípios de "imanência".
Talvez "viver" seja de fato um dos motores básicos da filosofia, e este está inextricavelmente atrelado a questões sociais e de cunho "gregário", pois de fato as previsões de escatologia poderão ser evidentes se o homem não souber volitar entre sua alteridade, mediante o diferente e também frente os desafios da modernidade. Todo e qualquer pressuposto metafísico, hoje, é feito em função do escapismo do papel de responsabilidade do homem . Talvez o que vemos hoje em termos de sociedade seja a real indiferença do homem em relação a questões de responsabilidade com o outro, pois a ele sempre foi ensinado que a realidade não é esta, e sim outra. E como resultado temos aqueles que enveredaram para a singularidade de suas verdades excludentes, outros para a obliteração do planeta em que vivem, e outros parecem preferir viver como peças de sustento de uma engrenagem de automatismo. Como podemos pensar conhecer algo fora de nós se não conhecemos a nós mesmos? E penso que conhecer a nós mesmo, de antemão, não está cunhado em propostas de "ser ou não ser", mas elas de fato volitam no desespero existencial. Tudo é uma questão de "furor", ou engajamento.

Isso significa que vamos para o inferno, dada a constatação que somos filósofos "desgarrados".
A única coisa que podemos ter certeza é a convicção do ser ou da existência. Basear a vida em pressupostos da conquista de seu estado “alado”, como uma meta final, é apenas uma verdade objetiva, que ao compor com todas as outras verdades, se torna subjetiva.
Qual teoria deve seguir o homem que enaltece a moral religiosa como um meio? Seriam estes meios “praticáveis” mediante a alteridade do ser?
Pois penso que por estas razões temos os mais diversificados problemas de ordem ontológica, a saber, de cada qual querer validar aquilo que nunca chegará perto do humanismo, que é uma linguagem universal e dada à razão humana.
A ociosidade dos indivíduos, seu conformismo e adequação em um sistema que lhe proponha “segurança” é apenas uma obliteração para a aquisição do bom diálogo pertinente a raça humana. Penso que muitos estão um pouco “enfadados” de toda esta carga metafísica como um “meio” de conduta humana. Talvez uma releitura de tudo isto seja viável, mas não é o caso, dado o ponto em que chegamos, no qual ao homem custa muito pensar além de seus limites.
Se o homem não possui uma plataforma que ele possa creditar algumas crenças, ele é automaticamente lançado ao desespero, e a constatação é a apreensão de um estado niilista que observamos na sociedade, mistura de hedonismo, utilitarismo, crenças enferrujadas, coerção social e conformismo, cada vez mais o potencial humano e sua capacidade mental são reduzidos à analogia do “cérebro em uma cuba”, ou seja, pensamos somente aquilo que nos é imposto, grosso modo.
Fé e filosofia são excludentes, isto se explica na lógica (para quem não refuta também a lógica), pois como já disse anteriormente cabe ao bom filósofo a abrangência de todas as proposições existentes, tanto quanto sua intertextualidade, correlatos, relações interpessoais e intrapessoais. Do contrário, muitos se frustrarão ao verificar a lógica que está por trás de muitas teorias, e estas automaticamente passam a demolir os pilares de barro das inconsistências e insipiências filosóficas.
Há uma enorme diferença para o individuo entre pensar por si mesmo e pensar através de outras pessoas que invocam o determinismo humano.
Não obstante, em meu discurso não estou desvalidando alguma proposição metafísica que seja uma releitura e critica das próprias anteriores. Apenas penso que o mundo lá fora está ruindo, mesmo em aspectos “físicos” a terra também sofre com a ação do homem. Portanto, todo discurso que tem a metafísica como embasamento de um “meio” para a solução de nossos problemas é falho e insipiente.
O homem “autêntico” vivencia a maravilha de tudo, toda a beleza e horror. Os artificiais são seguidores insípidos que vivem suas vidas como um papagaio de pirata a repetir as compilações “extemporâneas” à sua realidade e momento singular que é o presente e tudo o que isto significa.
Elevarmo-nos acima da massa artificial é a máxima de Sócrates: “Uma vida sem questionamento não vale a pena ser vivida”.
Veja que muitos jargões de filosofia como metafísica, transcendental, dualidade, humanismo e idealismo, são hoje formados por suas "corruptelas etimológicas". Portanto precisamos antes saber bem o que em filosofia elas significam, já que o assunto aqui é tão somente dentro das esferas filosóficas. Ou mesmo encontramos palavras e conceito difíceis como a epistemologia (na filosofia a gnosiologia) e a alteridade.
No que concerne ciência, precisamos de um método de constatação, senão a coisa se torna uma verdade objetiva e subjetiva. Não vai valer se alguém disse isto ou aquilo.
Ao invés de usar o método científico - investigar provas empíricas - para estudar o nível quântico, os físicos precisam usar experimentos mentais. Apesar de estes experimentos serem realizados somente de maneira hipotética, são baseados nos dados observados na física quântica.
Pressupostamente você também está tentando validar os pressupostos de sua fé em questões racionais e científicas. Nada contra, eu mesmo tenho minhas convicções "metafísicas", no entanto continuo a postular que uma metafísica que seja só contribui para que o homem se distancie de sua realidade e das necessidades de caráter "iminente".
Nunca a palavra "viver" teve tanto impacto como nos dias atuais para o bom questionador do conhecimento.
De que valerá para o homem o conhecimento de uma realidade metafísica? Você sabe muito bem que ela será apenas um "fim", e não um meio. Pois é a forma do ser humano categorizar as coisas.
Aqui eu repito o que já disse em outras instâncias, o fato de que se a cultura, a condição humana, a valoração do humanismo que concerne a razão do homem, é nossa meta mais importante, poderíamos perguntar o que acontece com as teorias metafísicas que especulam sobre a natureza fundamental da realidade usando apenas a "razão". E razão também tem seu limite, vide o idealismo kantiano, e este mesmo se encontra em certa autonegação no que tange a incognoscibilidade de certos "conhecimentos" e , não obstante, cria uma metafísica a partir de sua razão. Bem diferente do argumento ontológico e racional de Descartes para explicar a existência de Deus, ou do panteísmo de Spinoza que explica que Deus e a natureza intercambiam. O problema da metafísica está na "moralidade" implícita nela, e de seu uso "usurpador" ao longo dos tempos para argumentos coercitivos de impedância ao verdadeiro estabelecimento do humanismo.
Quem aqui recebeu de Deus o mapa "genealógico" de seus desígnios ou a liberdade de proferir suas metas incognoscíveis? É muita presunção de quem o faz, minimamente!
O homem é validado por suas ações e não por suas crenças.
Oras, façamos uma analogia. O conhecimento de uma metafísica, e sua possível aplicação no aqui agora, dentro da linguagem e da percepção humana, seria apenas como o conhecimento da composição química da água para um marinheiro que está se afogando.
Se perceber atentamente meu discurso, verá que em absoluto nego a existência de um grande arquiteto do universo ou mesmo de uma metafísica (ela compõe, exerce e sempre exercerá um fascínio sobre os filósofos), mas apenas volito nas presunções que esta última tenta inferir nas reais idiossincrasias humanas.
Portanto penso que o homem precisa parar de atribuir suas mazelas a fatores externos de confluências de forças e assumir sua verdadeira responsabilidade mediante sua alteridade, seu mundo, seus atos, e de forma como se fosse o mundo dado a nós e nós mesmos devemos nos entender, como adultos, sem recorrer ao Pai que possivelmente diria: vocês são bem grandinhos para agirem como "crianças" birrentas ou mesmo animais "irracionais".
É fato notório que muitas religiões são omissas no tocante ao desenvolvimento da mútua compreensão entre os iguais e no alavancamento do real conceito de entendimento da raça humana.
Em temos lógicos, qualquer religião que não consegue estas proezas são falhas, tendo em vista que seus cernes estão ruídos por professar conceitos escatológicos e deterministas, lançando as qualidades humanitárias latentes do homem para segundo plano.
O fato é que o homem deixou de acreditar em si mesmo. Ele é esmagado por uma estrutura social dogmática, e se interpelado acerca de seus motivos, a resposta não saberá. Pois não sabe que o conceito “Deus est homo”, de que somos segundo algumas leituras imagem e semelhança do divino, é pacificamente, confortavelmente, e convenientemente agregado à preguiça intelectual e que o desejo de muitos são apenas os desejos de alguns “burocratas” idealistas para a raça humana.
Crer em Deus não encerra no bojo desta crença fundamentalismos e infindáveis diálogos “para inglês ver” da boa vizinhança ou de ecumenismo. Com certeza as filosofias que valorizam o homem em seu potencial criativo, a exemplo do budismo ou mesmo de certas ramificações “animistas”, que conseguem manter um diálogo íntimo com a natureza, este que a longo foi posto de lado em virtude do “novo mundo”.
Richard Dawkins, renomado cientista, faz campanha massiva contra o fundamentalismo religioso e suas peripécias sangrentas, tanto quando os absurdos dogmáticos que ainda contrapõem a ciência como foi outrora em Copérnico, Galileu ou Giordano Bruno.
Dawkins é criticado tanto no meio cientifico quanto no teológico, arrastando debates “ontológicos” onde quer que possa ir. Sua obra “Deus um delírio”, é vista por mim não em um reducionismo simplista acerca dos recônditos de um ateu, mas sim uma obra que tem como pressuposto a “desvalidação” (segundo minha inferência) de um Deus que não faz sentido em plena era em que as grandes religiões não condizem com as reais necessidades do ser humano. A saber, do controle da natalidade, das células tronco, de instituições como o matrimonio, e da omissão em questões político sociais, do ultrapassado conceito de pecado, que apenas pode ser interpretado hoje como “irresponsabilidade” mediante a alteridade.
Ademais, em um universo de múltiplas possibilidades em que uma única verdade não pode ser evidenciada, ninguém pode desqualificar as pretensões de um ateu, que em muitos casos, pode agradar mais aos olhos de Deus do que um religioso intransigente e que derrama sangue em seu nome, ou pratica a intolerância em seu nome também. Bem da verdade, eu não conheço esse Deus, deve ser a antítese do verdadeiro principio de perfeição. Novamente o homem e suas “categorizações” turvas mediante tudo, só concebe uma imagem distorcida do que já é distorcido naturalmente.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A religião como influência para as idiossincrasias sociais (Osvaldo)


Em se tratando de sociedade, não podemos nos esquecer que todo o proselitismo obscurantista destas instituições tem contribuído para a “estagnação” da retomada de modelos sociais que atendam aos clamores de um era pós-modernidade. Tal debate se encerra no absolutismo total advindo daqueles que apregoam que a sociedade é composta pela mão de um “demiurgo” que proíbe inclusive o uso de preservativos, por exemplo. Portanto penso que qualquer contra argumento “derruba” os pilares já ruídos destas instituições sob a luz mais tênue de uma lógica. São resquícios “amargurados” da perda de poder “moralizador” e de Estado, pós iluminismo.
Em todos os âmbitos sociais temos influência direta deste império, contribuindo apenas que assuntos como células troco, aborto, métodos contraceptivos, etc, sejam postos a partir de um viés completamente maniqueísta e fora do escopo modernidade.
É notório o fato “sociológico” de que o iluminismo criou os maiores rancorosos da história. Como líderes de uma maioria “enfraquecida”, este erro sistemático ou tendenciosidade não descansa na força das armas; em vez disso, eles precisam confiar em seus poderes mentais e do bom uso da linguagem.
Ainda em um âmbito sociológico, a perda de “potencia” de determinados balizadores moralistas para a sociedade se converge em um ódio violento, sinistro e cerebral, assim como foi quando ainda tínhamos na sociedade, em nome da fé, um absolutismo que matava aqueles que “ousavam” apenas olhar para as estrelas.
Talvez a grande sacada “organizacional” de determinada instituição que reprimiu o homem e sua sociedade por séculos, tenha sido a criação de um novo sistema de valores, ou seja, por um processo de inversão, eles tiraram os nobres valores de seus governantes, (os fortes e poderosos) e os transformaram no seu oposto, os grandes vícios e pecados.
Essa engenhosa jogada resultou no seguinte sistema de pensamento social/moral: uma “inversão de valores” que coloca alguns nobres balizadores como pecados institucionalizados.
Podemos resumir então o que há fossilizado em termos de “visão” social:
Ética do escravo: submissão, o valor do sofrimento, humildade (baixo estima), a pobreza que salva as almas, censura, repressão dos sentidos,etc...
Ética do nobre: coragem, saúde, orgulho, engajamento social, pensamento livre, amor ao corpo como templo de Deus e vazão dos sentidos, etc...
Se explicar um pouco, desta forma, porque Marx é Belzebu e Nietzsche o demo em pessoa.

Uma visão da “educação” no mundo contemporâneo (Osvaldo)


Penso que muitos concordam com o fato de que nossa educação, de um modo geral, não vai muito “bem das pernas” (estou usando um eufemismo muito sutil).
O modelo vigente, seja pedagógico ou estrutural, que visava formar meramente a “qualificação” profissional de inserção do homem num mercado competitivo, retrocede mil léguas com a desestruturação deste ambiente (escola), advindo de uma sociedade que mudou por completo seus “valores” (desvalorização do indivíduo, no caso), formando-o apenas para atender as demandas de alguns interesses em certas escalas sociais. No entanto esta “formação”, como todos sabem, é rasa, desprovida de uma “fomentação” do espírito crítico a ser imbuído nos discentes tanto quanto nos decentes, pois a “universidade” hoje também se transformou em outro recôndito da falta de entendimento da pós-modernidade, perdendo-se nas “cifras” que promovem os verdadeiros intuitos formativos.
Nós modernos não temos uma cultura para chamar de própria. Estamos cheios de artes, filosofias, religiões, ciências e costumes estrangeiros : somos enciclopédias ambulantes (o uso e abuso da História) .
A questão é “assimilar” o passado, usando-o para fazer nossa própria vida e cultura. Muitos defendem que a História é um peso morto para o presente, e isto pode ruir as estruturas das cartilhas de algumas proposições sociológicas.

Olhando por outro prisma e aqui fazendo uma abstração do núcleo de debate proposto em torno de três sociólogos neste fórum, sendo que um obliterado pela grande maioria, poderíamos dizer que a educação nos dá muitas informações sobre a cultura; seu produto é a assim chamada pessoa educada, que possui um excesso de historia e não pode viver uma vida autêntica por si mesma. A educação insiste no “detalhe apurado” e na “objetividade fria”, que servem apenas para paralisar o projeto do individuo de auto-realização no mundo.
Talvez se quisermos de fato produzir uma cultura vital e autêntica, teremos de ser “menos educados” nos moldes tradicionais das cartilhas fossilizadas perante os clamores de uma pós-modernidade. Alguém já disse que certas situações da sociedade eram “contingentes” , transitórias, mas elas perduram até hoje. Mas outro alguém disse que tais idiossincrasias perdurariam mediante a culminação, o ápice de um sistema que convergiria suas falácias na própria “cultura”.
A cultura, as crenças e os valores que caracterizam qualquer grupo ou classe não podem ser criados apenas pela educação. Os maiores povos algumas vezes produzem um gênio, mas esse raro evento ocorre mais frequentemente em culturas onde o Estado está menos imiscuído na educação de seus súditos.

sábado, 1 de maio de 2010

Da subjetividade endêmica do "mal" social (Osvaldo)


Pressupor apenas a “negatividade” que contém em cada um de nós como causa de todas as idiossincrasias do homem é um reducionismo ontológico.
O que é a fé que as religiões nos exigem? Nietzsche responde a essa pergunta com um exemplo de Pascal, cuja crença religiosa impôs severas restrições no escopo de seu trabalho intelectual.
Pascal dizia que o homem, de forma confusa, era condenado pela própria razão, com a qual alegam terem refutado a sua “religiosidade” (ou talvez aqui apenas “religião”).
Mas Nietzsche refuta este pressuposto, dizendo que este tipo de fé parece, de uma maneira terrível, um prolongado suicídio da razão.
Se pensarmos na maioria das doutrinas que se inserem em um escopo “cristão”, veremos desde sempre o sacrifício de toda liberdade, todo o “orgulho” produtivo, toda a autoconfiança do espírito (há de se compreender aqui que “espírito” toma uma conotação meramente filosófica), e ao mesmo tempo escravidão e auto-escárnio, automutilação. (Palavras de Nietzsche, não minhas).
O filosofo dinamarquês Kierkegaard (cristão) chamou a fé de “divina loucura”, um “absurdo” que requeria um “salto” sobre nossa capacidade de raciocínio. Ele dizia que uma condição na qual “nenhum desespero” existe é também uma forma de acreditar; o eu está transparentemente ligado ao poder que o constitui.
Nietzsche martela novamente dizendo que isto é auto-sacrifício, outra vez, neste caso para salvar o espírito do desespero.
Bem, o que eu quero dizer com isto é muito simples; que teorias que fogem do escopo de investigação humana não trarão nenhum tipo de alento para a formulação de uma sociedade melhor, tampouco se for direcionada sob os auspícios de uma cartilha recheada de moral imposta. Penso que dentro do que pressupõe sua alteridade, o homem pode ser capaz de “resolver” suas demandas com o bom uso da razão.
Aqui não faço critica a toda forma de religiosidade, mesmo porque eu acredito em Deus, mas pensarmos que “devemos” prestar contas com o Criador, pois sendo Sua criação devemos analogamente ser “perfeitos”, dentro de uma vasta “contingência” ontológica, é no mínimo uma relação “esquizofrênica” de Deus para com sua prole e vice vera.
As cartilhas sociais estão aí, repletas de balizadores ético-morais advindos destas instituições em nome de Deus. Nenhuma delas deu certo.
É chegada a hora de um “humanocentrismo”, um novo iluminismo que traga à luz da compreensão não o homem focado em si mesmo, mas nas questões humanísticas que todos somos capazes de exercer para com nosso outrem. Talvez os velhos moldes sociológicos estejam defasados, pois há o “dedo” de muitos interesses coercitivos em ralação aos mais incautos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Acerca de Marx e sua “ressignificação” hoje. (Osvaldo)


A impressão que se tem é que Marx é sempre obliterado assim como qualquer outro pensador que institui uma “dialética materialista”. Penso que muito disto é apenas uma concepção “particular” de ver o mundo, para quem gosta de unilateralismos.
O fato que observo na história da filosofia e que ainda é um grande divisor de águas, a saber, entre antigos e modernos pensadores, são os pressupostos ontológicos ,suas “reduções” e o homem completamente fora se “si” mesmo. Verificamos que os homens adoram “volitar” entre confluências de forças externas para poderem diagnosticar as próprias mazelas, estas sendo interiores e exteriores.
Assim como nossa sociedade atual se encontra mergulhada na dicotomia entre o racional e o “coração”, analogamente a isto se serviram boa parte dos pensadores em suas proposições, com raras exceções, como Descartes e talvez Spinoza, num âmbito mais racionalista. Talvez adequada antítese para ambos, grosso modo, viria a ser a filosofia do “sentimento” de Pascal.
Bem, quero dizer apenas que grande parte dos homens modernos separou as duas questões supracitadas de forma um tanto que maniqueísta, perdendo-se em meio a estas duas confluências, o racional versus o coração, idealismos e formas perfeitas.
A saber, o discurso acerca de Marx refloresce nos dias atuais, e suas criticas renascem e ganham mais espaço na modernidade. Arriscado a primeira vista, aceitar tal argumento.
Marx não faz parte do cardápio pós-modernidade, acusado que é, pelo enredo liberal, de interpretar o intelectual ultrapassado, cujo ideário foi rejeitado pela pratica e abandonado por muitos de seus seguidores. Ele já não teria nada a dizer em uma época em que tudo que é solido desmancha-se no ar, e é banido pela academia porquanto sua teoria ousa proclamar a práxis num tempo em que o paradigma das partículas subatômicas supera as determinações newtonianas.
Não se executa uma filosofia por decreto, nem se mata um autor apenas pelo impulso da vontade. O “assassinato” de Marx e do marxismo é uma constante na historia, e assim como Nietzsche, numa escala de pensadores mais “contundentes”, se escreve mais acerca deles do que eles realmente professaram.
Não há separação entre realização e meta. Aí está o segredo da “imoralidade” de Marx, enigma decifrado por Sartre desde o inicio dos anos 60 do século passado, quando dizia que o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo.
Veja bem, a teoria de Marx nasce das entranhas do capitalismo, e só pode dar seu ultimo suspiro com o desaparecimento do sistema que o engendrou. Não importa, então, qie o regime produtor de mercadorias tenha mudado sua face; interessa saber se as condições econômicas, políticas e sociais do capitalismo permanecem em vigor, e até que ponto as “criticas” levantadas por Marx e esse sistema mantêm sua validade.
Portanto, dentro de um escopo marxista e com seu fantasma a assombrar as idiossincrasias de um capitalismo reinante ainda, mas com a mera impressão de que o homem agora está no poder de si mesmo, mas muito pelo contrario, sua falta de identidade é cada vez pior, percebe-se que acumular conhecimento parece ser o novo espírito de nosso tempo.
A primeira década do novo milênio reedita, em grau elevado, as criticas de Marx ao capitalismo de seu tempo. Como livrar-se do espectro de Marx? Como se desvencilhar de sua filosofia (concepção de mundo) se o sistema que a gerou prossegue viajem sem fim de um desejo a outro (a pulsão de acúmulo; a ambição de adquirir? O que há nos tempo atual que já não estava presente naquele em que floresceu a teoria de Marx? Exceto sua elevação a um nível superior de sofisticação e o alcance de sua forma mais pura, transformando até mesmo a cultura em pura mercadoria? (Vide alguns pensadores da escola de Frankfurt).
Mas há um objetivo capitalista nesse acumulo, a saber, de orientar onde o capital deve ser aplicado para garantir produtividade financeira.
Isso é muito lógico e dialético. Haja vista o produto, sim produto, que saem das escolas atuais. Seres completamente autômatos inseridos numa educação que visa apenas a inserção num campo de batalha acirrado que é a boa vaga de emprego num ambiente hedonista e ao mesmo tempo que elucida um grande niilismo “enrustido”.
Tirem-lhes a cartilha social do status quo, uma crença, e um sonho qualquer para lhes validarem a vida, que se perderão na “nadificação”.

domingo, 11 de abril de 2010

Os Pré- Socráticos - Osvaldo


Penso que o que se torna relevante mediante sua pressuposta “dúvida” acerca dos citados filósofos é o fato dos próprios historiadores elaborá-los de forma conjectural.
Creio que nós homens acreditamos muito mais em coisas “abstratas” do que as de fato são pertinentes ao histórico de nossa civilização ocidental e seu pensamento em seu sentido ontológico, pois a busca e elaboração de uma metafísica sempre nortearam bem mais a filosofia, até certo ponto, do que as reais necessidades do homem para o bom convívio com esta metafísica, não a tornando uma confluência de forças opostas. Se verificar, verá que muitos outros pensadores, como os grandes empiristas, racionalistas, existencialistas ou mesmo os idealistas, já conseguem dar uma forma mais “atada” em suas proposições.
No entanto, esta capacidade de abstração acerca da própria transmissão do conhecimento via oral se torna “intangível” , uma vez que apenas nos focamos, “logicamente”, em apenas um uso da linguagem que é a escrita, desvalidando a grande importância da “fonética”, que é o pilar da linguagem. Um não pode conviver sem o outro.
O assunto é por demais extenso e como a filosofia em si nos convida para um saboroso debate interminável acerca de “veracidades”. Não obstante, penso, particularmente, que este assunto não é uma das grandes “pedras” da filosofia.
Você pode talvez adotar o método cartesiano para chegar à suas convicções, se for o caso (vide René Descartes) que coloca em dúvida toda forma toda epistemologia até então do conhecimento e de si mesmo, e desenvolve um método para poder chegar a algumas verdades e mesmo a Deus. Este foi um grande racionalista e um dos meus filósofos prediletos, e foi “refinado” por Espinosa posteriormente.
Uma das grandes questões acerca da filosofia é sua própria definição. Subjetivamente, conotamo-nos de diversas maneiras em “proveito” próprio, bem mais do que alargar nosso campo de visão de forma a abarcar a própria dialética que provém delas todas, e resulta nas diversas outras filosofias existentes atualmente.
Penso que o verdadeiro exercício filosófico é o das extremidades, ou seja, a única forma de “experimentarmos” determinadas proposições é mergulhando fundo nelas, bem mais do que vagar em suas superfícies periféricas.
Já que não há um consenso sobre o que é “filosofia”, vai ver que essa não é a pergunta certa para se começar, mas em geral a filosofia começa com a pergunta errada ou com a resposta errada.
Em grego ela significa “amor à sabedoria”, o que parece uma boa definição, mas não nos leva muito longe, já que ao longo da história, o conceito de “sabedoria” sempre provocou discussões acirradas.
Marx e outros anunciaram a morte da filosofia. (isso cria dificuldade para os filósofos profissionais.) um italiano chamado Gramsci disse que todo mundo é meio filósofo.
Muito antes, Platão tinha dito que as coisas só iam entrar nos eixos quando os filósofos governassem o mundo. Outros filósofos dizem que a filosofia ensina que nada tem sentido. Assim governar seria difícil.
Confuso? Então vamos para a definição de Bertrand Russel para tomarmos como ponto de partida: “A filosofia é a terra de ninguém entre a ciência e a teologia, exposta a ataques dos dois lados”.
E não podemos nos esquecer aqui que o eixo da historia do mundo passa, aparentemente, pelo século V a.C,em meio ao processo espiritual ocorrido entre 800 e 200 a.C, que viu Confúcio e Lao –Tse na china, os Upanixades e Buda na índia, Zaratustra na Pérsia, os Profetas do velhos testamento na Palestina, Homero, os filósofos e os tragediógrafos na Grécia.
Qual seria a diferença de uma “carta” evangelizadora e sua posterior escrita, passada antes de forma oral, e da dos filósofos que são inclusive posteriores a este advento? Seria um “toque” de racionalidade que o tornaria inviável?
Talvez apenas acreditamos somente naquilo que nos convém, e novamente nos remetendo a Sócrates, acerca de nós mesmo conhecemos muito pouco, sempre!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A “tomada” do pensamento sofístico,a tragédia grega e a “politicagem”.


Vale lembrar que no século V a.C, Atenas viva o auge de um regime de governo no qual os homens livres decidiam os interesses comuns a todos os cidadãos. Em outras palavras, eles determinavam, em discussões públicas, como a cidade deveria ser administrada, e era considerado cidadão o homem que possuísse alguma propriedade, que tivesse escravos e que não fosse estrangeiro. Sendo assim nem todos eram adeptos das decisões públicas, a saber, as mulheres eram excluídas também.
Bem, esta era, acredite se quiser, a democracia ateniense que, embora não distribuísse os direitos para todos de igual forma, representou uma importante mudança no modo de ver o mundo, pois isto parte do princípio que eles tinham de que o homem era soberano sobre seu destino.
No mesmo período, porém, a sociedade teve como auge de produção um gênero de teatro chamado de “tragédia”. Isto tematizava acontecimentos terríveis, muitas vezes míticos, com a intenção de “mostrar” as consequências de atos morais e passionais dos homens. A tragédia era também uma reflexão acerca dos conflitos entre a liberdade individual e o destino, e se pensarmos bem, isto era um assunto que incomodava e incomoda até hoje todo o “detentor” da linguagem de poder (democracia), e falando em linguagem de poder nos remetemos ao Estado, e do Estado aos políticos inseridos nos maiores lamaçais antiéticos. Afinal de contas, até que ponto eles terão poder sobre nossas vidas se reagíssemos contra estas falácias?
As propostas defendidas pelos cidadãos atenienses eram feitas na “Ágora”, e para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos, como falar bem e de modo convincente, um dom muito valioso. Por isto, analogamente aos dias de hoje , havia cidadãos que procuravam aperfeiçoar a habilidade de discursar para melhor convencer os outros.
Vemos aqui que a linguagem é subliminarmente presente em todos os recônditos do ser, e através desta, se imprimi os mais diversos temas de “credibilidade”, assim como a possibilidade de capacitar ou incapacitar o homem. O surgimento dos sofistas foi uma lacuna a ser preenchida em um estado “natural” do próprio movimento histórico da filosofia e das categorizações da linguagem.
Os sofistas, entretanto, não foram apenas professores, mas também estabeleceram uma corrente de pensamento própria. Sua preocupação filosófica se voltava para o homem e a vida em sociedade; as questões que ocuparam os pré-socráticos, dirigidas para a natureza e a essência do universo, e que se pode dizer que foram os primeiros “físicos”, foram colocadas em segundo plano.
Se a vida em sociedade clama por uma ordem, talvez a dicotomia metafísica e ciência poderia chegar a um consenso para olhar o desespero humano que é de forma primariamente social e miserável, bem mais do que as necessidades das descobertas estratosféricas ou da ordenação do mundo das idéias perfeitas. Fórmula que não tem dado certo até agora acerca da constituição de uma ética universal, pois a única “centralização” no homem até então é a do ganho próprio, e não a do bom senso através ainda da própria racionalidade.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da espiritualidade de Sócrates


Quando se fala em espírito, estabelece-se automaticamente, para a maioria das pessoas, uma conotação com religião, ou crenças religiosas. Bem, pesquisando um poço mais além, nos deparamos com o fato que no caso de Sócrates e dos gregos de sua época, os mitos não se identificavam com a religião, pois a mesma estabelece um vínculo “individual” e social com o poder concebido como transcendente. O mito grego, pelo contrario, não ligava o homem à divindade, nem criava uma relação necessariamente doutrinária e normativa, como em nossas instituições religiosas. O mito se entendia mais como metáfora.
A espiritualidade de Sócrates não estava ligada a uma religião especifica. Suas crenças (ou mitos) sobre a espiritualidade situavam-se num nível mais racional e lógico.
Cada mito que citava encerrava um ensinamento ou conceito plenamente definido em suas crenças.
É notório que Sócrates, segundo meus estudos, acreditava inclusive na imortalidade da alma e sua reencarnação, porém a espiritualidade como valor maior da vida em Sócrates não consistia em fazer algo que agradasse ou satisfizesse sua relação com Deus, uma espécie de troca comercial segundo suas próprias palavras, ou “petitório”. A espiritualidade era um nível voltado para o conhecimento e a ciência, contendo um ideal de vida, como o que estava assinalado no frontão do oráculo de Delphos: “Conhece a ti mesmo”.
O que eu quero expor aqui é simplesmente a “confluência” de forças entre a ciência e a religião, que inextricavelmente reflete no homem, ou no mais incauto.
Se partirmos como base o conhecimento “a posteriori” segundo Kant, este é impossível, mas aí jaz a maioria das justificativas de fé da igreja e da ciência, porém todo este “conhecimento” não é “empírico” e sim parte da subjetividade. A ciência, análoga às religiões, tentam a todo custo provar a existência de uma “auto-ordenação” cósmica, e para tal estão neste momento tentando recriar de forma “empírica” , através do mais moderno acelerador de partículas, o momento da “criação” do universo, e a procura do “Bóson de Higgs”, teoria secular que se não provada de forma empírica irá ruir todos os pilares da física moderna acerca da única explanação do momento inicial de toda nossa cosmologia.
Em suma, uns se preocupam com a questão da “dogmatização” do homem, enquanto outros estão com o olhar cada vez mais projetados na cosmologia e suas teorias “a priori”. Ambos se esquecem do presente, e também se esquecem que o homem, via racionalidade, tem todo o poder latente de viabilizar um tão sonhado humanismo.
Quem sabe se nossa “fé “fosse de tal forma análoga à dos gregos antigos, viveríamos um pouco mais atrelados ao presente bem mais do que, egoisticamente, pensar na salvação de nossas próprias almas no post-mortem, ou de tantas “instituições” que crescem a rodo, que colocam Deus focado em escalas de bens de consumo, a saber, o da prosperidade, o da “blindagem” e “escape” do mundo cruel lá fora, e o da “isenção” de responsabilidade para com a alteridade, ou seja, as questões básicas de convívio com o próximo sem imputar a minha ou sua crença!
Nota zero para tudo isto!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Da falha da educação no lar. (Osvaldo)


É muito relativo e efêmero apenas a "solidez" do lar. Acontece que existem confluências de "forças" dentro e fora de casa. Uma boa base no lar é de fato indiscutível.
A começar pela dificílima tarefa de educar um filho mediante o que a sociedade tem a lhe oferecer. Toda sorte de leniência exacerbada dentro de um lar pode resultar em um individuo despreparado para tudo lá fora, inclusive chegar a estados depressivos profundos na fase adolescente e adulta, pois nunca conheceu o que é ganhar com "méritos".
O que se constata, graças a novos "pedagogos" e pais descuidados, é que toda forma de "desafio" e noção de "conquista" foram abandonados no lar. Isto de forma geral. Exceções à regra, obviamente.
Os pais falham ao prover seus filhos com coisas para além das suas necessidades básicas, e paradoxalmente, os que não têm supõe-se falhos também. Hoje há uma enorme quantidade de atrativos compelidos pelos veículos midiáticos. A vida "simples" já não é sinônima de vida plena para muitos.
O homem quando vai porta afora, se defronta com sua alteridade que já não lhe é mais usual ou peculiar. O ser humano cada vez mais se categoriza e se distancia do conceito de identidade própria. Nossa realidade é uma que está "suspensa" dentro de uma realidade completamente "simulada". Parecemos personagens de videogames.
Falham os pais, falha os filhos e falha a sociedade de um modo geral. Seus pais estão tão habituados com a mesma falta de rigor intelectual que não podem prover nada além de compêndios morais que serão desvanecidos quando os filhos se identificarem com um grupo que lhe de maior valia apenas. É uma ilusão negar que lá fora é que se encontra o mundo real para estas crianças hoje.
Já não é mais relevante dizer que o mundo "real" existe. Nenhum sistema de representação ou análise pode referir-se à realidade. Que tipo de abordagem podemos dar a estas crianças e adolescentes? Nós nos moldamos às necessidades vigentes do mundo afora. A saber, dos guetos, do espírito competitivo, das escalada social nas empresas, do estético em voga, do "ar" cheirando a sexo, da fabricação de autômatos nas escolas, das convenções sociais como casamentos vulneráveis, da caça ansiosa à prosperidade etc, etc e etc.
Quando muito um jovem que se "destaca", fora da imbecilidade geral das massas, este é tido como o idiota o anormal, o louco.
Eu creio que o tópico não esteja se referindo ao dizer "bases seguras" àquela velha historia de céu e inferno ou purgatório, mais uma carga metafísica querendo guiar as atitudes do jovem indivíduo.
Quais seriam as bases para os pais estarem seguros?
Uma das formas mínimas para se educar os filhos é através da constatação ininterrupta da responsabilidade por seus atos e suas consequências, desde a tenra idade. E dependendo da idade, um chinelo do lado faz bem. E boa sorte na empreitada.

"… são, todos, indícios funestos de que a maioria de nossos males é obra nossa e teríamos evitado quase todos se tivéssemos conservado a maneira simples, uniforme e solitária de viver prescrita pela natureza".
Jean-Jacques Rousseau

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Do delírio religioso (Osvaldo)


É o contínuo movimento apreendido pelo homem acerca do divino. Ao invés de um salto qualitativo, unindo a natureza, ciência e o racional, a tentantiva de chegar mais próximo de Deus é através da moralidade e castrações, estas pilhérias pueris.
Conceber uma forma divina que seja livre de qualquer pretexto moral, juízo de valores e liberdade do ser, se caracteriza o bojo de incogniscibilidade da ignorância do homem.
O valor da vida, e se a vida tem um valor para estes, é da auto-imolação moral, corporal, e dos desejos reprimidos.
Dawkins nos alerta para esta massificação delirante destas religiões que se tornam ultrapopulares, em seu livro "Deus, um delírio". A meu ver, a obra em si não está no cerne da existência divina ou não tão somente, mas sim de toda sorte de atos deletérios dos que professam sua fé em nome de Deus.
Pasmém, isto é de um primitivismo anormal, sem escalas! Os primatas não fazem isto.
Eu penso que, arbitrário que possa soar isto, alguns movimentos religiosos necessitam sim de fato serem vistos com "maus olhos" mediante aqueles que detém um pingo de sensatez.
Apenas mediante o diálogo crítico na sociedade é que podemos reter e deter o fanatismo "indelével" dos presunçosos que levantam uma bandeira divina na qual rechaçam qualquer forma de iluminismo destas idéias "trevosas".
Se o "mal" de fato existe, sepre foi fomentado por todos eles, que não obstante, é uma forma de coerção do intelecto para assumirmos que a "salvação" deste orbe jaz em nós mesmos, e não em extemporaneidades.
Esta tomada de raciocinio, no qual devemos nos "impor" mediante as ignorâncias gerais do homem, ainda não é possível em consequencia das cartilhas morais do "politicamente correto".
Nos falta uma enorme consciência de engajamento em todos os segmentos sociais. Em nome de uma moral que é fraca, que se esconde por detrás de complacências esquivas e obliterantes das verdadeiras necessidades do homem, sempre "tampamos o sol com a peneira", na eterna esperança de que amanhã será um novo dia, ou cabe ao que é divino interferir no curso da humanidade, através de umna rigida moral inventada por três ou mais pessoas ao longo dos séculos. Assim se pressupõe, desde que o mal não me atinja.
Talvez o ato mais original da casta de sacerdotes foi a criação de um novo sistema de valores. Por um processo de inversão, eles tiraram os nobres valores de seus governantes (os fortes e poderosos) e os transformaram no seu oposto, os grandes vicios e pecados.
A ética do homem nobre se compraz em coragem, saúde, "orgulho", não sentimento de culpa, etc, ao passo que a do escravo em submissão, valor extremo ao sofrimento, medo e humildade não verdadeira.
Os religiosos, aqui se diz em particular os ocidentais, são os mais inteligentes e rancorosos da historia. Como lideres de uma maioria enfraquecida, sua capacidade não descansa na força das armas, em vez disto, eles precisam confiar em seus poderes mentais. É sua impotência física que faz o seu ódio tão violento e sinistro, tão cerebral e taõ venenoso.
Uma vez que este movimento dos religiosos, em nome dos sacerdotes, foi conquistado, resta um pequeno passo para a completa rejeição da ética do homem nobre. Eles nos dizem que "coragem" na verdade é arrogância, e orgulho na verdade é amor por si mesmo, etc, etc e etc.
Psicilogicamente, encontramos aqui a ideia de repressão: a recusa em admitir desejar o que não se pode obter. Melhor é rejeitá-lo como se não tivesse valor algum, e nesta rejeição de valores que se distancia de uma motal castradora, a religião desenvolve um plano ainda mais brilhante: a ideia do mal, do pecado, do proibido e maculado, institucionalizados em nossa sociedade de maneira que encobrem nossa real liberdade e espirito criativo.
Nesta ética escravista vemos um profundo auto-egano. A pessoa rancorosa não é verdadeira nem sincera, mesmo em âmbitos mais incoscientes. Nem é honesta e direta consigo mesma. Sua alma é tendenciosa, sua mente adora caminhos secretos e portas dos fundos. Representa o cheiro do fracasso de uma alma que envelheceu, um alto preço a pagar pela razão e pela repressaõ da emoção.
Não podemos achar que algo como ficar orando chorando, gritando deliradamente a Deus, castrando os desejos mais incontidos inerentes ao homem, e achar que algo seja moralmente bom ou ruim, seja de fato algo "celestial". Nossa única preocupação seria um humanismo que englobe a todos sem exceção, no sentido da sua não deterioração. Humanismo = homem. O resto é grilhões pesadíssimos a serem quebrados.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Desmistificando Platão (Osvaldo)


Muito pelo contrário dos que pensam que o ideal platônico em si encerraria uma certa perfeição,o casamento, por exemplo, não era para Platão uma vida baseada em simpatia e disposições comuns entre dois seres humanos, mas um acordo visando à geração e criação de filhos. E que não é a simpatia que deve unir um homem e uma mulher, mas a tarefa de produzir uma descendência o mais capaz e bem educada possível.
Então dizia por isto que uma incumbência do estado cuidar para que os parceiros adequados se encontrem. As mulheres são destinadas aos homens como recompensa pela capacidade guerreira ou, ainda mais radicalmente, são consideradas POSSE comum dos homens.
Assim, diferente de tudo que se possa conhecer acerca do filósofo, Platão não nos oferece uma imagem romântica do amor entre homem e mulher.
Quando hoje se menciona o nome do filósofo em conversas do dia a dia, na maioria das vezes tem que ver com a expressão "amor platônico". Entende-se por isso aquele amor pelo no qual, em primeiro plano, não se encontra a cobiça sensual, mas a atração espiritual, baseado no respeito à mulher amada. De fato parece até injusto ligar este conceito a Platão.
Folheando a sua obra, em parte alguma se encontram sinais de um respeito particular pelas mulheres. Pelo contrário, ele afirma que as mulheres, quanto à virtude, estariam bem atrás dos homens e que, como sexo frágil, seriam bem mais traiçoeiras e astutas do que eles. Chama-as de superficiais, fáceis de exaltar e de exasperar, chega a denomina-las pusilânime e superticiosas. Platão chega a afirmar que nascer mulher seria uma maldição dos deuses.
Sua enaltecida "metafísica" afirma que aqueles homens que não tivessem se controlado em vida, sendo covardes e injustos, após sua morte, como punição, renasceriam mulheres.
Penso que é difícil presumir uma idéia de "Estado" ideal tendo como base intelectual estes pilares ruídos.
Bem, não desviando do tópico em si, mas já que enveredamos por este raciocínio aqui, é fartamente curioso o fato de como certos mecanismos "biológicos" e poder da linguagem levam o homem a uma transubstanciação da palavra amor e sua presunçosa identificação com outra pessoa. Como já disse em outros tópicos, os estudos da filosofia da linguagem é interessante para se atingir uma outra extremidade do que se tenta institucionalizar mesmo de forma filosófica, moral e ética.
Em um âmbito até metafísico, por parte de alguns espiritualistas, a máxima "seu amor ideal de hoje poderá ser sua pensão a pagar de amanhã", se faz presente.
É inexoravelmente claro que este sentimento que brota está, sobretudo, inextricavelmente atrelado pela necessidade de procriação do homem, como bem explica Schopenhauer. Esta fábula também está diretamente relacionada a etapas do desenvolvimento "etário" de um indivíduo o qual, ainda em uma ordem empírica, não provou as etapas necessárias de sua própria apreensão do mundo e de sua vida social e sexual, ou seja, tudo se converge para atender necessidades "primarias" do ser humano neste aspecto.
Schopenhauer explica:

"Aquilo que o homem maduro ganha com a experiência de vida, que faz com que veja o mundo de forma diferente do adolescente e do jovem, é, antes de tudo, a falta de prevenção. Começa, então, a ver as coisas com simplicidade e a tomá-las pelo que são; enquanto que aos olhos do jovem e do adolescente o mundo verdadeiro estava oculto ou distorcido por uma ilusão que eles próprios criaram, composta de fantasias e de caprichos, de preconceitos herdados e de devaneios estranhos. A primeira tarefa que a experiência tem de realizar é despojar-nos dos sonhos, das quimeras e das noções falsas acumuladas durante a juventude."

Nunca podemos conhecer de fato quem é outra pessoa num âmbito de convivência amorosa, mas somente os afins meramente materiais e de pura conveniência a ambos. Jamais um teor meramente "intelectual" ou espiritual pode garantir, novamente dizendo, o determinismo de um campo no qual duas pessoas estão envolvidas, dois universos aparentemente iguais, de natureza intrínseca semelhante, mas com projetos e visões de mundo que se diferem ao longo dos anos.
A necessidade de "liberdade", mesmo sendo para muitos ilusória, é um grito das almas não coadunantes com a opressão indireta que o outro pode promover.
Todo tratado de "união", neste caso, se encerra em conhecer gente nova, compartilhar experiências na tentativa de aprender uns com os outros, até esta troca "saudável" de superficialidades, comercio idiossincrático de ninharias e convívio monótono para apenas ser "gregário", cair no ostracismo e daí partir para novas empreitadas de espírito daquele que ainda crê que alguém pode pertencer a alguém.
Então partindo deste raciocínio sigo Platão em certos aspectos, como bem citei acima, no tocante aos verdadeiros propósitos de uma união, mas obviamente descarto veementemente sua maneira de inferiorizar o sexo feminino.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nietzsche e o pós-modernismo (diversos)


Ao buscar elementos de intertextualidade entre os pensadores, podemos dizer que o modernismo é o movimento que enfatiza a razão e que se expressava mais amplamente através da ciência. A saber, atreves de filósofos como Locke, Kant e Hegel, o modernismo procurou compreender o mundo através da razão. Ainda devemos citar cientistas como Bacon e Newton, que consideravam a realidade física como operando na base de leis naturais, formulando uma ciência moderna que é empírica em sua metodologia e racional em sua interpretação. Sabemos que o iluminismo do século XVIII procurou aplicar a razão e a ciência a toda a realidade.
O século XIX testemunhou os esforços de Henry Buckle, August Comte e Karl Marx em transformar o estudo da sociedade moderna, tanto passada como presente, em disciplinas que descobririam leis semelhantes às que foram achadas no mundo natural. O século XX enfatizou a aplicação da metodologia cientifica a estudos acadêmicos, e como resultado o modernismo trouxe degradação do ambiente , totalitarismo em nome da ciência, guerras mundiais usando a tecnologia mais moderna e destruição nuclear.
Feito isto, a razão e a ciência não levaram a um paraíso, pois não é de se admirar que houveram reações contra o modernismo, uma delas é o pós-modernismo.
Nietzsche dizia que a realidade é o que criamos, e por vezes ele é considerado o pai ou precursor do pós-modernismo, anunciando a morte de Deus. O bigode salientava que não havia mais fundamento para as coisas, nenhuma base sobre a qual colocar nossas crenças. Portanto nós teríamos tanto a oportunidade como a responsabilidade de criar nosso próprio mundo (isso lhes parece algo familiar em outra filosofia?)
Mas segundo o próprio bigode havia um problema, que o conhecimento de coisas conforme realmente existem é impossível. O que pensamos ser conhecimento é uma criação humana, uma ilusão ou uma formulação artística. A linguagem através da qual expressamos nosso conhecimento é um mundo a parte, distinto da realidade externa e puramente arbitrário em sua formação. O que chamamos de verdade seria então uma invenção humana.
Como para mim particularmente Nietzsche foi e é um divisor de águas, advém deste os pensadores pós modernos, pleonasmos à parte, influenciar o pós modernismo, a saber:
Heiddeger: (Realidade é ser). Concorda essencialmente com o bigode que a linguagem cria a realidade. Heidegger desenvolveu muito a linguagem a partir de exemplos artísticos e mantinha uma opinião mística, ou até religiosa, com respeito a linguagem; ao invés de analisar queria afinal experimenta-la, chegando através desta experiência em contato com o "ser".
Foucault: (Realidade é uma libertação contínua). No período após a segunda guerra, um numero de franceses (convenientemente e inteligentemente) foi atraído às idéias do bigode e Heiddeger, entre eles Foucault e Derrida, que são os mais influentes para o desenvolvimento do pós-modernismo, sendo que conhecimento é a tentativa de controlar e sujeitar, Focault argumentava, não pode ser objetivo. Portanto ele dizia que o intelectual precisa desafiar esta ordem num programa de continuo de idéias reagindo com outras palavras e idéias, em vez de reagir com coisas em si; assim ela permite que um discurso existente desafie um discurso oposto, então Foucault se alinhava com grupos excluídos ou marginais, particularmente homossexuais, paqra subverter a ordem existente. Mas se um destes grupos marginais se tornasse dominante, ele estava pronto para se aliar com outro grupo marginal para se opor à ordem opressiva recém-criada.
Derrida: (Não há sentido evidente). Este também se preocupava com a linguagem, já que não temos uma visão imediata da realidade, dependemos do falar e do escrever. Mas falar e escrever são ambíguos e não comunicam necessariamente o que gostaríamos. Derrida propõe então "decompor" textos, que inclui analisar a etimologia de palavras, trocadilhos não intencionais e deslizes freudianos no esforço de demonstrar que eles não contem nenhum sentido óbvio.
Finalizando, apesar da diferença entre estes quatro pensadores, eles lançaram as bases filosóficas para o pós-modernismo através de suas contribuições primárias, a saber: seres humanos não t~em acesso à realidade e, portanto, nenhum meio de perceber a verdade; a realidade é inacessível porque somos restritos a uma linguagem que molda nossos pensamentos antes de pensarmos e porque não podemos expressar o que pensamos; através da linguagem criamos a relidade, e assim a natureza da realidade é determinada por quem que tenha o poder de moldar a linguagem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Do conceito de "Moral" (Osvaldo)



Nietzsche no campo da moral da muita margem à interpretação, embora no que se refere às instituições, ele tem grande razão.
Ele é duro com esta questão, e o super homem dele está ainda além de nossa compreensão, conceito que pode deliberadamente se transformar em qualquer coisa "híbrida" ao invés do que o que ele realmente propõe. O homem "nobre" de acordo com o bigode juntaria atributos hoje inadmissíveis na mentalidade da sociedade, seria como algo "contraproducente" para quem prioriza uma moral estipulada e comum a todos.
Neste caso, eu acho interessante a idéia de "compaixão" de Schopenhauer; algo que de fato é praticável e que nos "identifica" com o pesar alheio sem que façamos disto algo como advindo dos "imperativos" de Kant (categórico, moral e prático), determinando este conceito através de axiomas ou pela racionalização de um bem estar a todos de forma recíproca; constatamos que isto não acontece de forma alguma e se transforma em pura falácia. Por outro lado, os que praticam tais virtudes postas aqui no tópico, o fazem, a principio por barganhas imediatas ou até uma ascensão do praticante sobre quem sofre a ação, em qualquer esfera social; ou ainda por um idealismo ou força oriunda de uma escatologia ou promessa final de redenção e indulgências "platônicas".
Embora soe análogo ao pressuposto kantiano acima, Sartre menciona que nossas realizações e projetos devem "englobar" todos, dentro de uma visão humanista que ele atribui ao seu existencialismo, mas diverso de Kant pelo fato do alemão se basear em um conceito fixo, dogmático, dado a incognoscibilidade de sua essência e sob o conceito de "metafísica dos costumes", uma analogia ao termo bíblico "mandamento" e uma ordem da razão; ao passo que o francês admite que este" imperativo" é apreendido fenomenologicamente, dado como é em si mesmo e sem um efeito de ordem "racional" única, que desconsidere suas variantes.
É difícil tratar desta questão em Sartre pelo fato do homem exercer sua própria existência já que não concebe uma essência que o define. Estas questões de virtude, verdade e fraqueza são dadas como de fato se apresentam, pois constituem a percepção imediata de quem as intenciona. Dentre todos os seres, o ser humano é o único responsável por dar sentido e atribuir valores a sua própria existência, somente o homem é capaz de inserir significação a tudo que o rodeia. Dessa forma, a teoria existencialista afirma que o homem não é definível, pois inicialmente não é nada; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que fizer de si mesmo, e isto lançaria, se for de sua escolha, um atributo de valor "alto" quando se refere ao outrem; mesmo porque não somos nós que, apesar da máxima "o inferno são os outros", determinaríamos os passos do outrem; mas ao mesmo tempo temos a "angústia" de nos projetarmos a cada instante nessa alteridade de nuances mil, e muitas das vezes "colidindo" com nossas órbitas.
Neste caso, Sartre tenta mais explicar o porque destas questões do que "lidar" com elas de forma análoga a muitos pensadores antes de Schopenhauer, que tentavam a todo custo estabelecer uma "verdade" acerca destes fatos de uma moral comum a todos.
Eu diria que para Sartre estas questões estão inextricavelmente relacionadas em torno das questões de "liberdade", escolha, ação e responsabilidade.
As outras pessoas são fontes permanentes de contingencias, todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto.
Bem, veja só, cada pessoa tem um projeto diferente, isto é fato, e isto faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que estes projetos se sobrepõem. E o francêss não defende, como muitos pensam, o solipsismo. O homem por si só não conhece sua totaldade; só através dos olhos de outras pessoas é que ele consegue se ver como parte do mundo, ou seja, sem a convivencia o homem não pode se perceber por inteiro. E cada pessoa precisa desse reconhecimento. "Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno tornar-me, um vir-a-ser, que nunca se completa", portanto, passo pelo"crivo" dos olhos dos outros para ter acesso a minha essência (note que para Sartre a existencia precede a essência).
É esta convivência que me dá a certeza de estar fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a expressão "o inferno são os outros", a saber, embora sejam eles que impossibilitam a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o projeto não faria sentido.
Agora, dentro deste bojo existencialista de Sartre, não podemos esquecer que, segundo o francês, ao se assemelhar a um humnismo, ninguém pode se eximir da responsabilidade de seus atos e suas consequências (Quiça assim o fosse em grande escala, principalmente das autoridades), cada um escolhe por si mesmo, através de seu proprio julgamento, baseando sua ação no que julgar melhor. Mas ainda assim há algo a acrescentar: o homem é responsavel poe escolher por si, e para toda a humanidade, o que lhe causa muita angústia; o ser humano tem um compromisso com seu futuro, com as outras pessoas e consigo mesmo.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Existencialismo de Sartre (diversos)


Dentro do sistema sartriano, a única condenação possível para o homem é a de sua "liberdade". Todos os manifestos metafísicos são implodidos.
Que esta liberdade não seja entendida de forma anárquica, mas sim dada à inexistência de uma essência que pré-determine o homem; este está fadado às deliberações calçadas em responsabilidades, e qualquer ato promulgado por ele ainda assim constitui sua vontade e "jurisprudência", seja ela escolher ou não escolher, um ato que possa, junto conosco, beneficiar outros ou não. "Até a decisão de não fazer escolhas é uma escolha".
O primeiro princípio da filosofia existencialista, segundo o francês, é que a existência precede a essência, e o homem está "condenado a liberdade". Esta é a frase que todos repetem de Sartre constantemente e muitos não entendem o motivo, pois é em si uma contradição.Como pode o homem estar condenado, obrigado, e ao mesmo tempo à liberdade? Isto porque esta única "condenação" elimina as outras que seriam fictícias, a exemplo de quando dizemos que não podemos fazer tal coisa, não podemos ou não queremos? Seria a culpabilidade de todos os nossos "desejos" em vão atribuídos somente aos fatores externos do meio em que vivemos, ao menos em sua maioria? Talvez daí saia a noção de Sartre de engajamento político, principalmente em sua época, que englobaria multidões.
O existencialismo pode ser uma questão muito problemática para muitos, pois não parte de essência alguma, nem de essência humana, caso contrario, para Sartre isso seria um essencialismo.Neste caso, portanto, o existencialista prioriza a existência.
Criar nossas próprias vidas, como você citou, não seria um ato excludente de alteridade, muito pelo contrario, é a noção real, constante e responsável de que isso pode ser projetado no outro inextricavelmente.
O que seria uma existência? Seria eu agir todos os dia deliberando, mas deliberando nas condições de existência; se eu tirar as condições de existência, então tudo seria livre de fato. Não posso me imaginar fora da existência porque fora dela eu seria nada; eu só posso me imaginar fora dela se eu fosse uma essência. E isto implicaria uma falta de ação pertinente ao mundo, em termos de maior responsabilidade social temporal e renovada constantemente, dado o caráter de efemeridade das ações do homem.
Tomemos como exemplo a falta de responsabilidade de todos em questões globais como o meio ambiente e outra mazelas governamentais; tanto da inércia de um individuo como da coletividade; exceções à regra são caminhos,escolhas ou manifestos que os demais podem aderir ou não, assim como a idéia de uma pequena comunidade modelo, original ou não, que diversificasse de sistemas vigentes; ou mesmo o assunto discutido aqui acerca do vegetarianismo; não continuarei a comer carne só porque a maioria come ou o problema está longe de ser resolvido. Isto seria má fé para Sartre, mas pelo contrário, eu exerço genuinamente a minha vontade, e se acreditar na causa saio em defesa da mesma e me agrego aos demais.
Na hora em que o ato humano aparece, a vida se reconstrói, se estabelece a existência, e toda vez que deliberamos estabelecemos uma projeção nossa no mundo, porque abrimos "caminhos", e fazemos de forma que esteja aberto para todos percorrerem, uma "jurisprudência" no mundo. Projetamos nossa vontade no mundo, desde os mais insignificantes até os grandes atos como o engajamento social de expressão de sua vontade; o homem projeta o seu "ser" no mundo.
O homem de má fé no fundo seria um covarde, porque ele sabe que escolheu ou se decidiu mais não quer se responsabilizar por suas decisões.
Quando o homem imagina condições na vida em que não é livre, é porque ele imagina condições que não são da vida, está partindo para a essência, que descarta Sartre.
A relação sujeito/objeto para Sartre é puramente existencial, não há objeto sem sujeito e vice-versa, e sendo o próprio homem um objeto.Posto isto, aparece imediatamente a projeção do homem em relação ao objeto, podendo desdenha-lo ou não, quere-lo ou não, olhar para ele como objeto de estética ou de conhecimento, imediatamente projetando sua vontade, seu ser no mundo, que segundo Heiddeger seria o "ser-aí-no mundo", o Dasein.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.
Bem, continuando nos estudos, vale ainda aqui ressaltar que o existencialismo é um tipo de humanismo também. Sua concepção foi a partir das trilhas deixadas por Kierkegaard.
Aí muitos perguntariam: "Essa concepção torna o ser humano egoísta, individualista, permitindo-lhe fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo?"; "O eximiria de uma responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?"
Não ao menos na obra de Sartre, que tem uma concepção humanista.
Humanismo porque o homem precisava voltar para voltar a ser o centro da atenção dele mesmo, consciente de sua condição humana, de finitude, de sua solitude e responsabilidade de seus atos diante toda a humanidade, isto depois de perpetrar atrocidades , ser o coveiro de si mesmo mais uma vez.
Nossa responsabilidade para cada ação é inevitável. Isto é, escolhemos como se toda a humanidade optasse conosco, como se fosse possível servir de exemplo a todos os humanos. Partindo desse pressuposto, a liberdade é um fardo pesado que o homem carrega, mas necessária, pois com ela desenhamos a nossa existência dia a dia, montando esse quebra cabeça que é viver.
Antes de tudo, há um bojo multifacetado aqui que reflete o pensamento existencialista em vários campos de ação, a saber, se o homem define suas ações considerando a profunda responsabilidade daquele que tem toda a humanidade com os olhos sobre sua ação; se o homem consegue imaginar a vida, a sociedade, caso todos escolhessem agir como ele; se o homem pode imaginar como seria viver livre das exigências das instituições, conduzindo seu viver por um senso de responsabilidade que é garantia, e ao mesmo tempo, condenação a liberdade.
Se não há uma essência previamente determinada, se primeiro existimos para somente depois nos tornarmos o que somos, tudo depende de nossas escolhas e ações.
Bem, isto é muito diferente do que defendem algumas pessoas ao afirmarem que podemos ser e fazer o que quisermos, que basta querer profundamente, e como num passe de mágica, tudo o que desejamos acontecerá.
É diferente, o principio do existencialismo atribui ao ser humano a responsabilidade e o mérito por aquilo que faz de si mesmo, mas não basta querer, desejar. São escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos.
Bem, simplificando um pouco mais, a ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação prêmio/castigo, mas como o resultado de um processo continuo de construção de si mesmo.
Não se trata de uma simples relação de causa-consequência, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz vivendo.