quinta-feira, 24 de junho de 2010

Do Ceticismo versus a metafísica - Osvaldo


Creio que o interessante são os correlatos que podemos fazer a partir disto, ou seja, voltando um pouco, se verifica que Sócrates está mais voltado a certo “nascimento” de um antropocentrismo, após a as filosofias que o precederam em seus antecessores, que buscavam como causa ultima a imanência de um substancia que fosse caracterizar toda a existência, seja ela a água, fogo, ar ou mesmo o “apeíron” (sem limites) de Anaximandro. Posto isto, os pré-socráticos ainda pairavam nas águas do cosmocentrismo e o do nascimento da física, estes sendo de certa forma posto de lado por Sócrates, que introduzia a “razão”, paralelamente aos sofistas, no cerne social e individual. Não obstante, Sócrates se preocupava com questões de ética, mesmo por racionalidade, diferentemente daqueles.
Nota-se que Platão, penso eu, ao falar de Sócrates por si mesmo, tenta congruir o nascimento da razão, com foco “ontológico”, ao espanto, ainda, das questões cosmológicas e do infinito, que por sua vez é novamente “refiltrado” por Aristóteles, este que é a base da teologia escolástica por ter em seu pressuposto metafísico algumas congruências com as sagradas escrituras, a exemplo da proposição do “motor imóvel” daquele, que por sua vez também “casa” de certa forma com a teoria evolucionista da espécie humana, enfim, isto tudo a grosso modo, pois o assunto é extenso e ainda em filosofia Platão e Aristóteles brigam, inclusive nos dias atuais, pelo titulo de príncipe do conhecimento.
O que vale salientar é que a filosofia antiga nunca esteve obliterada ou estanque, nunca pode ter sido considerada ultrapassada ou inútil. O que temos hoje são divisões no campo epistemológico da filosofia e as filosofias meramente de cunho ontológico, este último quase que se destacando de vez da metafísica para estudar apenas os fenômenos dados a priori, como no caso da fenomenologia e do existencialismo, ou mesmo do pragmatismo americano ou das escolas diversas, como a de Frankfurt, que o homem de fato é, dado a incognoscibilidade de todo restante, a primazia e o centro de estudo filosóficos, dentro de sua alteridade e facticidade, incluindo-se aí o social também e as políticas.
Oras, as questões metafísicas somente não instigam os céticos (em filosofia, não os ateus). De resto, só atrai para si os diversos questionamentos acerca de causas primeiras e causas finais, não em um escopo de causas finais no sentido escatológico, tampouco o da presunção da ciência em travar uma batalha contra a incognoscibilidade do unirverso e a não admissão de nossos recursos parvos para tal. Se fossemos tomar a questão cientifica acerca do desconhecido, poderíamos dizer que, tirando o absolutismo destes cientistas em especular tudo somente em bases apriorísticas somente, que estes são os maiores metafísicos existentes, no que tange o principio de todas as causas.
Não é a toa que a tríade Sócrates, Platão e Aristóteles deixou um legado que nos faz lembrá-los até a modernidade. Advindo destes, se “reinstala” a questão epistemológica na era moderna com descartes, contra o empirismo cético de David Hume, que são resultados de “tese” em Kant, este que por sua vez alude o agnosticismo.
Platão já era conhecido em questões do “conhecimento” em Teeteto, e assim como Sócrates, se preocupavam com o relativismo exacerbado dos sofistas, tal relativismo este que também, séculos depois, indaga Descartes e o impele a uma metafísica também, esta para sustentar que o ceticismo seria uma furada.
Bem, eu penso que metafísica é um campo que é inextricavelmente atrelado à filosofia, seja em que época estivermos, e a de Platão não é tão diferente da de Descartes, Espinosa, ou mesmo Kant, no sentido de conceber uma “ciência”.
Ou seja, no campo das proposições metafísicas, a “lógica” não pode determinar nada em absolutamente, certo ou errado. Mesmo Bertrand Russel, grande filósofo e matemático, se preocupou com o “cogito” de Descartes, este que por sua vez se preocupava com Aristóteles, que por sua vez se preocupava com Platão, que acendeu o estopim.
Para os adeptos do “ostracismo metafísico”, aqueles que não se incluem num ceticismo filosófico, restam remar no mar agnóstico de Kant ou nas marteladas demolidoras nietzschenianas, e para ser mais pontual neste sentido ainda, resta parafrasear a morte da filosofia pela boca de Marx. Afinal de contas, para a humanidade restam os ditames teocentristas, o ateísmo, ou o sofismo. E talvez a metafísica ainda seja uma pulga atrás da orelha deste enorme relativismo ao extremo. Moralismos à parte.
Na realidade o que é filosofia a não ser aquilo que aprendemos da boca dos outros, ou seja, Schopenhauer já nos alertava, embora em sua época, acerca da filosofia universitária, esta que estava sempre atrelada aos interesses do Estado voltando-se para um conceito “racional”, como em Hegel e outros românticos anteriores a este.
Na realidade vivemos sempre à sombra de filósofos ao invés de “pautarmos” nossas críticas também.
Estou neste instante relendo “Sobre a Filosofia Universitária”, de Schopenhauer, que a meu ver é um interessante tratado do real valor do filosofar. Claro que por detrás deste esboço jaz a metafísica da vontade do velho Schops, e de grande modo o fato de seu pessimismo coincidir com a “miséria” alemã e o desespero que toma conta da intelectualidade burguesa de sua época, pós hegeliana.
Há algo nesta obra de Schopenhauer que me chama a atenção no tocante ao papel “perene” da filosofia e do filosofo que engloba em sua função o sentido estrito da palavra filosofar, em amplo aspecto, e não somente em um, como no caso de somente aspectos sociais, ou epistemológicos, ou somente éticos ou estéticos. Ele cita no mesmo livro que no homem, a vontade se objetiva não só como corpo, mas como sujeito do conhecimento (aqui já temos uma refutação ao dualismo de Descartes, interessante isto!), o que possibilita que ela se conheça a si mesma e chegue à sua negação. Revelar o “significado moral do mundo” é a única e suprema tarefa do filósofo verdadeiro. Por isso ele não pode estar submetido a nenhum outro interesse que não seja da busca da verdade.
O interessante também é que enquanto estudantes da história da filosofia, podemos traçar uma linha “dialética”, a la Hegel, de nosso estado filosófico atual, e voltando agora a Platão e sua metafísica, com intertextualidades entre os principais filósofos da história, se encerrando em Nietzsche e no existencialismo provocado pelo mesmo, podemos observar que o homem pouco mudou. Como diária Nietzsche, qual de fato seria esta tênue linha que separa o homem moderno daquele homem primitivo? Em que de fato evoluímos desde a “arrancada” pós advento racional?
Muitos filósofos apenas tentam desdenhar o verdadeiro conceito da metafísica filosófica para se direcionarem apenas ao extremo “antropocentrismo”, mas se esquecem que este mesmo se torna uma força “centrípeta” que não sai de seu bojo tampouco, coisa que deveria ser bem diferente, pois aqui lidamos com argumentação empírica e fatos concretos, e não metafísicos, ou seja, na pior das hipóteses, irão dizer, como já foi dito em um niilismo amargo e passivo, diverso do “amor fati” nietzscheniano, que a raça humana é algo passível de obliteração.
Creio que não. Dentro do real escopo filosófico, nunca ficou mais evidente um olhar de volta às raízes, como que em Sócrates, Platão e Aristóteles, que englobam ainda as mesmas perguntas de sempre. E que alguns ousaram a continuar e outros simplesmente esqueceram.
Creio que estamos perdidos na nossa própria razão, esta que começou apenas a ser “lapidada” algumas dezenas de séculos atrás e, no entanto, se sustentar apenas nisto para esclarecermos os “balizadores” da humanidade, seria como retornar ao tempo em que se refutava o heliocentrismo de Copérnico.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Crítica à educação capitalista - Osvaldo


Os dados estatísticos de nossa educação espelham duas faces, a saber, alguns que tentam expor fatores de conveniência própria, provenientes das autoridades que encabeçam a educação, outros provêm da constatação “in loco” de quem realmente está de frente às presunções ilusórias da “profetização” da inexistência de fatores alarmantes acerca de nosso ensino.
Aqui não se trata de mera visão niilista, ou de um pessimismo contundente, mas sim da constatação imbricada dos desafios atuais do professor e do que estes podem de fato se assegurar para o pleno exercício de sua função, de modo a promover seus alunos em todos os aspectos de realizações que constam nos estudos sociológicos para a dignidade humana, e, não obstante, de modo que a escola possa de fato ser um pequeno “reduto” que espelha a realidade lá fora, e vice versa.
Pela supracitada afirmativa final, podemos inferir que um dos maiores desafios do educador está redobrado de responsabilidade perante seus alunos, ao que consta, do desenvolvimento, em sala de aula, de uma realidade social menos lúdica e mais “verídica”, análoga aos desafios propostos na sociedade como um todo, e do próprio papel do professor, que para além da transmissão de um conhecimento que visa à formação dos cidadãos engajados no sistema vigente, possa também propor novos desafios aos discentes, de maneira que estes não vejam sua contemporaneidade como causa final de inexorabilidade idiossincrática, mas sim de modelo a ser superado. Portanto, dentre as peças fundamentais deste mosaico, o professor é de fato aquela que ainda pode guiar o discernimento de seus discentes em relação aos caminhos propostos para a amenização das idiossincrasias sociais, que indubitavelmente reflete de maneira singular não somente na formação do individuo como também nas questões apriorísticas comportamentais, salvo os de ordem “biológicas” e “psicológicas”, que são reflexo de uma sociedade doente e que estão inextricavelmente atreladas ao fator disciplinar assim como o da evasão escolar, uma simbiose, uma circularidade, que somente sendo interrompida poderá permitir o afloramento dos ventos da concordância com o verdadeiro papel da escola.
Sabe-se hoje que nossas escolas estão aptas a ensinar de uma forma que atenda as demandas do capitalismo, e este, expressão máxima da desigualdade social, requer formas pragmáticas de inserção do ser humano em “campos” de trabalhos específicos, quase que obliterando totalmente as questões de dignidade humana, em prol de uma subliminar escravidão do saber e da anulação “exponencial” de todos os atributos engrandecedores humanos. Aqui uma “racionalidade” é somente usada em função da cooperação dos indivíduos para com o fomento do capitalismo.
Posto isto, as perspectivas da educação ainda se encontra na própria educação, isto é, da ressignificação de conceitos até então considerados como “motes” educacionais, paradigmas inquebrantáveis e coercitivos de um sistema social muito pouco humano. A capacitação do docente é imprescindível para que ele possa se direcionar para seus alunos de modo a abranger não somente as necessidades formativas de seus discentes, como também das informativas. Para tal, esta maximização do papel do docente carece de certas resoluções de caráter iminente, a saber, de se começar com a simbologia “conceitual” de sua nobre profissão e reconhecimento, que é a melhoria remuneração, capacitando-o a ministrar menos aulas e de maneira que ele possa focar “melhor” em apenas determinado número de classes, sendo que isto corroborará com o fato de não somente as aulas se transformarem em reais agentes de transformação, como também da geração de mais empregos para o setor educacional.
Das três principais escolas sociológicas, uma se faz “bem presente” no sentido da inserção do indivíduo em sua sociedade, ou seja, da escola como “provedora” da educação necessária para o encontro das demandas sociais vigentes, mas penso que uma escola sociológica em específico lida com as reais questões visionárias que jazem por detrás das sombras do capitalismo e dos dissabores que dele resultam. E este modelo é singularmente diferenciado, sempre atual e também faz parte integrante de muitos educadores quando o assunto é ensino versus Estado. A meu ver Marx, embora dito por muitos não se preocupar deveras com a educação, já desmantela todo o sistema vigente quando aponta as tempestes sociais que, de forma inexorável, vertem para a realidade escolar. Como causa ultima de soluções, e como educador, de certo comungo com esta visão que, como em uma árvore, aponta a suas raízes fracas e miúdas do capitalismo para o sustento de um humanismo de necessidades plurais, pois análogo à democracia, seu paradoxo é que as necessidades de muitos são esmagadas em função das necessidades de poucos.
Sabemos que a principal função social da escola é formar o indivíduo com bases no seu futuro exercício,e plenamente ciente, de sua cidadania, embora o que se tem como meta hoje é o “enquadramento” num dito círculo vicioso, digo, virtuoso, que como em uma cadeia alimentar, dada a imposição do sistema social vigente, o indivíduo nasce, aprende, produz, enriquece os outros, ganha muito pouco, paga os impostos brasileiros em cinco meses de serviço antes do ganho real, e este “ressentimento” generalizado gera violência, que por sua vez reflete na educação e na evasão escolar, mas que por sua vez leva o indivíduo ao submundo, e que por sua vez não aprecia a escola, e que consequentemente vai ser também explorado por trabalho escravo, “ad infinitum”.
Por fim, a escola ainda é a base, o pilar que sustenta toda predileção futura por uma sociedade mais justa e de equidade. É a instância primordial para aquisição do saber no desenvolvimento cognitivo do individuo, e para tal, disciplinas como sociologia e filosofia devem ser disponibilizadas em âmbito nacional, sem exceções, para que ao menos um elemento critico possa brotar por parte dos discentes e que isso de fato se torne um dia sinônimo de engajamento social de alunos e professores em prol da constituição de uma sociedade menos desigual e de precariedade educacional.

Crítica aos que desvalidam o homem racional - Osvaldo


O homem é o que é, ele não tem pecado original e tampouco “culpa originária”. O homem por natureza “isolada” de tratados deterministas pode perfeitamente fazer bom uso de sua razão para a solução de seus problemas. Muitas vezes eu mesmo me assombro mediante a crença que se pode ter acerca de um Deus “punitivo” ou rancoroso no tocante a sua própria criação. Vamos colocar então as coisas fora de um escopo teocêntrico e dogmático para então analisarmos esta questão sob um prisma “humanístico”.
Com a derrocada do advento cosmocentrista e teocentrista, o homem começa a ter noção de sua “razão operante” no advento do antropocentrismo, ou seja, todas nossas descobertas em ciência, medicina, engenharia, humanidades e outros, se dá a partir deste momento singular, o do uso da razão , que não necessariamente refuta a idéia de Deus, tampouco o antropocentrismo deixa de “comungar” com a idéia de um Ser infinito e de causas primeiras e finais.
O que apenas vale ressaltar é a forma em que a igreja medieval fez, de maneira sistemática, em atribuir a razão à fé, no período escolástico com Aquino, combinação esta que já estava por ruir mediante o uso “inapropriado” da razão para meramente suportar suas bases teológicas “dogmáticas” e de obediência nos primados racionais de Aristóteles. Este por sua vez, acabou também sendo subjugado por “emprestar”, após vários séculos, sua filosofia para a igreja cristã. Como resultado, a sã consciência diria que nenhum poder humano seria “atemporal” ou “divino”, bases estas que foram e são ainda demolidas pelo constante exercício filosófico, mas não pela teologia própria destas instituições que validam sua autoridade.
Falar do “transporte” destes pensamentos medievais ainda nos dias de hoje é uma tentativa muito improdutiva, assim como a areia escapa por entre nossos dedos, de avaliarmos e balizarmos os verdadeiros problemas do homem, que em suma ocorre pelo mau uso da razão e pela falta de instrução apropriada.
Existe um grande ressentimento dos religiosos e espiritualistas com os tempos modernos, em geral dos mais dogmáticos, em percorrer a modernidade de acordo com as novas nuanças e desafios dos seres humanos. Talvez a grande “sacada” da criação consiste em usar nossa razão da melhor maneira possível para que possa haver o diálogo que abranja as interdisciplinaridades dos seres humanos sem escatologias e nem exclusivismos.
Penso que os estóicos, voltando novamente ao passado,em se tratando de uma “ética de vida”, se configuram como os mais sensatos ao lidarem com questões pertinentes à conduta mediante o hedonismo e a vaidade humana, seja ela do materialista radical ou do espiritualista-religioso, e ainda eles conseguem um diálogo “interno” com o que chamam de harmonia cósmica.(O Estoicismo ainda se faz muito presente hoje como filosofia de vida para muitos).
Tudo se resume em conceitos, pré-conceitos, e crenças do senso comum, questões que a filosofia bem aplicada tem por finalidade demolir. E a partir disto nos centrarmos nos diálogos que venham de encontro com as reais necessidades sociais do homem, parafraseando a perfeição de todo o sistema universal, que pelo mau uso da razão, em muitos, ainda não se faz claro.
Penso então que os argumentos dogmáticos, seus vestígios atuais, assim como a tentativa de fundir razão com dogmas deterministas,estão fora da ousadia filosófica de quebra de paradigmas e vislumbre do novo.
Façamos o exercício socrático que diz: "Homem, antes de conhecer aos deuses e ao universo, conhece-te a ti mesmo".Talvez este tão procurado Deus esteja dentro e não fora. Isto seria um vislumbre apenas, pois nas tentativas de se "agarrar" Deus com as próprias mãos, desastrosamente o homem o faz de maneira antropormofizada, nos remetendo a Kant que diz que esta "possibilidade" é impossível. Mas ao contrário, segundo Descartes,o bom uso da razão pode, de maneira intuitiva, apreender a idéia de Deus, mas para tal, precisamos antes de tudo confundir tudo, desmoronar tudo, para enfim reconstruir o “novo”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da Epistemologia e Metafísica- Osvaldo


As questões de “crenças” fogem de fato do âmbito do conhecimento humano. Acreditar ou deixar de acreditar penso ser impossível dispormos de provas para ambos os lados da dúvida.
Em epistemologia, ou seja, gnosiologia, temos uma “truncagem” muito interessante desde o grande racionalismo de Descartes e do empirismo “final” de David Hume, precedido por Locke e Berkerley.
Em se tratando do sentido estrito de filosofia, ao qual nos remetemos à metafísica, o ramo do “conhecimento” se torna ainda um assunto muito extenso e digno de debates infindáveis.
Penso que ao voltar os olhos apenas para o homem e sua cultura a filosofia pós-moderna, tendo Nietzsche como estopim, decide abarcar apenas a efemeridade do ser e as questões existenciais que se contrapõem em vista de uma contingência multiforme.
Nietzsche mesmo disse que provar a existência de “metafísicas”, ou seja, dos assuntos abordados por ela, seria impossível. Portanto seu foco inicial não é de refutação, mas talvez aqui eu fazendo um paralelismo com a “incognoscibilidade” de Kant, o bigode simplesmente deixa os assuntos “impossíveis” de lado para voltar seus olhos aos homens e suas circunstâncias.
Não creio que a “morte de Deus” seja uma interpretação apenas dedutiva, como se faz na maioria das vezes, e sim se faz cabível o contexto “hedonista-tecnológico” da falta de balizadores para o homem moderno, pós racionalismo e pós “individualização” de seu “eu” pensante, este que é de fato abordado pelas grandes escolas idealistas germânicas.
A meu ver, filosofia é inextricavelmente atrelada a indagações pertinentes à metafísica. Muitas das escolas que apenas englobam o “ser social” mais parecem com proposições sociológicas e antropológicas. Portanto penso que os assuntos pertinentes a metafísica é um dos pilares da filosofia, daquela praticada como um “todo”, e é neste aspecto que ainda tenta trabalhar a tão infindável epistemologia que, a saber, nos fomenta ao debate daquilo que é possível conhecer, como se dá isto, e o que de fato podemos saber com “certo grau” de entendimento das coisas.
A saber, a epistemologia tenta apagar o “incêndio” provocado quando o racionalismo e idealismo, o empirismo, o ceticismo metodológico, e o relativismo se encontram.
Hoje a filosofia como a analítica e da linguagem deixam de lado os aspectos metafísicos que são sim a meu ver ainda constituintes do bojo do “filosofar”. Ainda não sabemos muito bem se proposições voltadas apenas ao positivismo e ao humanismo, ou mesmo o materialismo dialético, encerram em si proposições “filosóficas”, ao invés de serem adequadamente citadas como teorias sociológicas ou antropológicas, estas que são os ramos de uma filosofia “primeira” e são sustentados a partir de elucubrações metafísicas da raiz desta árvore. Bem disse Marx em sua época que a filosofia estava morta.
A meu ver, dentre todos os pressupostos filosóficos, a filosofia “genuína, se assim posso chamar, vai até Hegel e Schopenhauer. Já em Nietzsche vemos uma derrocada, como ele mesmo propõe, dos conceitos e abordagens filosóficas, e por aí a coisa segue, a exemplo de Freud, Comte, Derrida, Foucault , Lacan, Baudrillard e outros. Estes se voltam para o social em relação ao sujeito. Mas dentro desta nova leva filosófica, ainda vejo, de maneira particular, o existencialismo como real indagação filosófica, pois este sistema embora refute metafísicas, leva o ser humano à questionamentos “atemporais”, no sentido de sua existência mediante um mundo sem ordenação e sem “paternidade”, levando a conceber apenas sua nulidade mediante este processo e sua forma independente de ser que ao mesmo tempo não pode circunstancialmente deixar de enxergar sua alteridade.
Não obstante, sendo o existencialismo estritamente atrelado à fenomenologia, esta ainda se preocupa com as questões do “cogito” e dos objetos apreendidos em nossas mentes. Arriscaria dizer que é quase uma intertextualidade com os pilares cartesianos, do sujeito “cognoscente”, mas para tal devemos estudar muito e ver estas conexões., ao menos entre o racionalismo, o hegelianismo , de certa forma, e Sartre.
Posto tudo isto, em filosofia, sempre restará a indagação acerca do incognoscível, e a epistemologia ainda é forte ramo filosófico que constantemente quebra a cabeça acerca do “entendimento”.
Para muitos tudo isto pode não passar de perda de tempo, já que o importante é nossa cultura e as diversas aplicações conceituais em nossa realidade social presente.
Por fim, penso que as estruturas filosóficas pós-modernas não se interessam muito pelas questões epistemológicas, a não ser por aquelas que já são estão postas em determinadas áreas do saber.
Descartes, pai da filosofia moderna e do grande racionalismo, provou a existência de Deus em seu argumento ontológico. Creio que isto seja de uma suntuosidade e profundidade extrema na filosofia de Descartes, grande matemático que, não obstante, baseou sua filosofia em métodos da geometria analítica, sendo que a matemática é uma das verdades que podemos de fato conceber.
O problema se instaura com David Hume e seu ceticismo filosófico. Ceticismo este que não é sinônimo de ateísmo, e sim de cunho epistemológico, ou seja, que é impossível poder "conhecer" algo a partir de nossas mentes, a não ser através das experiências sensíveis.
Eu já sou mais adepto do racionalismo de Descartes, pois acredito que também somos constituídos de, até certo grau, de idéias inatas.
Já Kant diz que ambos estão errados, e une as duas filosofias como “a priori” (da dedução de idéias de Descartes) e “a posteriori” (da indução de idéias de Locke e Hume), e não obstante, da "coisa-em-si", que seria da "incognoscibilidade" de nossas mentes no que tange assuntos como Deus, verdade, e realidade. Que nossas mentes são um "retrato" contínuo da realidade que é processada através de "filtros" categóricos como profundidade, tempo, espaço, qualidades, etc.
Este é um assunto que me consome faz muito tempo e uma das minhas áreas prediletas em filosofia, que é da teoria do conhecimento.
Portanto, num silogismo, eu penso que: Se Deus é uma idéia, e uma idéia pode ser uma probabilidade, então a probabilidade de Deus de fato existir é certa. Agora, esta idéia não é racional, a não ser pelo fato de lógicas e silogismos, mas sim uma questão de fé, por certeza. Apenas uma coisa me intriga sobremaneira, que é o fato das ciências não passarem de idéias “apriorísticas” no que concerne a cosmologia e a infinitude do universo, e em seu fomento acerca das "causas finais", que também se esbarram em contradições e se torna meta “alienável”.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aquino e Agostinho, uma sandice intelectual - Osvaldo


Autores podem também saber vender seu peixe muito bem ao defender estes doutores da igreja, que ao meu ver mais parecem doutores de "castração mental", mas para mim a primeira regra é duvidar de tudo, ao menos em matéria de conhecimento "induzido".
Quais são os pilares para o surgimento de Aquino e Agostinho.
Após longo período em que crenças se baseavam no torpor dogmático e o renascentismo é instaurado, a resposta da igreja é a escolástica, e seus expoentes são Aquino e Agostino.
Penso que aqui se deve verificar se a autora do comentário que você citou apenas estuda os fatos em si através da mera intencionalidade, seja ela filosófica ou teológica, ou se também há certo proselitismo por parte deste discurso. Nada melhor do que a “desconstrução” da linguagem para nos atermos às verdadeiras “intenções”. Eu fico com o racionalismo. Mas não o racionalismo que se incorre do subproduto das verdades “objetivas” que posteriormente, agregadas, se tornam subjetivas e de senso comum.
Para provarmos que teologia e filosofia são excludentes, precisamos partir de um método. A primeira instância filosófica seria do “questionamento”, ou seja, o que de fato posso conhecer através de meus sentidos ou de minha razão? Portanto o racionalismo posto de forma equilibrada e filosófica tende apenas a nos posicionar em plataformas mais “convincentes” a observar as questões de crédulos sem embasamentos críticos. A saber, podemos contar com a historicidade dos fatos para podermos ruir os pilares de uma teologia que se ergue sob questões de “aprisionamento intelectual”.
Ora, tudo se instaura através de um processo dialético, e deste mesmo processo, resulta a teologia escolástica como forma de perpetuar, embora de forma mais atenuada, o poder da igreja. Como pode haver um bom "consenso" entre a filosofia moderna e pós- moderna , ou estas últimas ao encarar os primados dogmáticos que são diretamente advindos dos pilares escolásticos de Aquino e Agostino, e que são ainda hoje os mesmos pilares que refutam vários experimentos científicos, o uso de preservativos, os diversos gêneros sexuais, o dialogo em torno do aborto, a ciência em torno das células tronco, diálogos ultrapassados em torno de instituições como o casamento, e da obrigatoriedade de ensino religioso nas escolas.
Aqui não valeria dizer que estes teólogos são “independentes” desta instituição. Eles formam o corpo intelectual deste escopo teológico que visou confrontar a modernidade. Percebemos que por fruto de intolerância mediante a falta de ressignificação aos tempos modernos, esta instituição perde cada vez mais seguidores, com a premissa de manter sua “qualidade”.
Não obstante, devemos salientar que a filosofia não é exclusivamente advinda de um “cogito” grego-ocidental, mas sim de uma intertextualidade como ocorria com a Ásia menor antes dos pré-socráticos e , em termos de religiões, bem antes de o pensamento ocidental começar a florescer já tínhamos os sábios conhecimentos dos egípcios, dos animistas africanos, dentre outros. E numa jogada espetacular, após a derrocada da influência helenista no mundo tanto quanto do império romano, ergueu-se o sacro império romano, e a igreja ocupou a lacuna deixada “órfã” nesta historicidade, impondo sua força e seu poder "atemporal".
Os jesuítas nada mais fizeram do que uma expedição de “força” descomunal a catequizar de acordo com onde soprava o vento. Os clerigos inventaram o diabo ao verificar os deuses africanos ou outras deidades pagãs, ressignificou, com Constantino, todo o calendário pagão de sua época para forçosamente instituir o cristianismo.
Bem, feito a grosso modo uma tentativa aqui de tese, antítese e síntese, o que seria da historia da humanidade e de seu curso, doravante, se “Avatares filosóficos" como Descartes, Locke, Hume, Kant, kierkegaard, Nietzsche e outros não viessem à tona com seus novos “modos operandis”? Talvez fossem de fato queimados em nome do santo oficio, o mesmo que inclui no bojo sistemático e doutrinário Aquino e Agostinho.
Metafísica não é teologia. Teologia não é metafísica (ao menos no que se baseia a filosófica).
Dogmas e filosofia são mutuamente excludentes, vide todos os pensadores que pensaram que suas proposições fossem se tornar dogmas, isto se de fato um bom filósofo pensou nesta sandice.
A era da razão tem também suas mazelas, mas estas, como já disse o grande “pai” da modernidade Descartes, é quando conduzida de forma “inadequada”. Portanto viva a filosofia, que é um processo interno de construção e de desconstrução, quebra de paradigmas. Isto ao menos é pretendido do real conceito de filosofar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Do "Furor Philosophicus" de cada um - Osvaldo


O problema não é a constatação de uma dimensão metafísica ou não, de um dualismo, idealismo platônico ou de uma forma universal. A questão é mais profunda.
O homem se situa numa confluência de forças externas para validar seus fracassos e suas glórias. Logicamente dizendo, se fosse vontade divina a perfeição de todos os seres, eles assim seriam sem titubear. Portanto, façamos aqui uso de um silogismo prático: Somos criados por Deus, Deus é perfeito, portanto nossa realidade é perfeita. Dizer o contrário de uma supremacia toda poderosa e perfeita, inserindo o homem em teorias como o “pecado original” ou de sua inexorável “ incapacidade” frente seu mundo, seria no mínimo um desrespeito a Deus e estaríamos taxando esta relação de esquizofrênica, maniqueísta e sádica.
Segundo Kant, o que distorce a “imagem” e o conceito de que temos da realidade são nossas próprias categorizações mentais. O homem tem a necessidade de impor uma ordem “a priori” transcendental, e esta não “empírica” e portanto não “a posteriori”, de um juízo no qual se torna os balizador de nossas vidas.
A fé e a razão são mutuamente excludentes, isto foi jogada bem elaborada de Agostinho em relação a Platão e o neoplatonismo, e de Aquino em Aristóteles, ao compreender o escolaticismo após a patrística. A fé e os desígnios da igreja precisavam estar “fundamentadas” na razão.
Hoje um discurso meramente “abstrato” não pode ser calçado nos pressupostos da razão. Todo o discurso racionalista que visa explicar Deus chega a uma conclusão bem adversa, sem refutá-lo. Vide Descartes, Spinoza e Leibniz, conhecidos como grandes racionalistas, ou mesmo o diálogo “idealista’ de Hegel, do grande espírito, baseado no racionalismo.
Todos têm uma concepção adversa do que seria este “grande arquiteto do universo”, não obstante, nenhuma delas parte de que Deus seria uma instância anuladora da capacidade que o homem tem de exercer seus ideais humanistas, através da razão. Isto é uma matéria que está em voga, a do antropocentrismo ou mesmo em outras correntes como o “humanocentrismo”.
A fé baseada em âmbitos que descartam a lógica e a racionalidade é apenas um axioma, seria o mesmo quando Copernico pediu ao papa que olhasse através de sua luneta e este imediatamente refutou, dizendo que já tinha suas convicções acerca de tudo. Copérnico estava apenas tentando provar sua teoria do heliocentrismo.
Provar a existência de uma realidade metafísica será impossível, e tendo isto como base, seu oposto pode ser ou não verdadeiro. Ou seja, penso que a questão é esta: o homem ora está inserido em proposições extemporâneas, longe de si, tendo como predileção sua vida pós morte e obliterando esta; ora o homem está inserido num hedonismo capitalista e que oblitera sua própria identidade humana e contingente; ora o homem, sofrendo coerção social, está inserido em um patamar de anulação de seus potenciais criativos e de esquecimento de sua alteridade. Coerção, coerção e mais coerção.
Para quem de fato tem o “furor philosophicus” , todas as proposições na filosofia são passíveis de um encanto meditativo e reflexivo, desde os pré-socráticos até os pós-modernos, pois todos em si encerram uma dialética própria da história do conhecimento, pois toda tentativa de se chegar a uma verdade não seria eficaz se não houvesse várias dúvidas neste caminho. Caso contrário, um curso de filosofia poderia apenas ser dividido em módulos, e um filósofo poderia ser formado apenas com os estudos de alguns pensadores que encerram em suas doutrinas a irrefutabilidade de seu passado ou presente.
Estas indagações são pertinentes ao bom filósofo, de fato.
O princípio da dúvida encerra em nós mesmos a dicotomia do ser, e esta se traduz em "ser ou não ser", como disse o velho camarada.
Penso que o princípio "philosophicus" não está atrelado ao fato de uma plataforma de "sossego" enquanto apenas providencias da razão, mas sim da clareza de um "método", para podermos constituir dentro deste mar vermelho, princípios claros para a aquisição do conhecimento.
A questão epistemológica, ou melhor ainda, de gnosiologia, em filosofia, sempre exerceu a partir da filosofia moderna com os grandes racionalistas, empiristas e mesmo o idealista alemão Kant, um problema em relação ao que podemos "conhecer" de fato. Isto se torna portanto um dos ramos mais "acirrados" na ciência filosófica.
Eu penso que questões de fé não se misturam com a do antropocentrismo ou do humanismo. Isto é dado pelo fato do homem conservar um princípio de maniqueísmo latente, algo sempre avivado e impregnado em nosso "DNA" histórico durante as gerações, e que hoje novamente chega em forma de religiões que fazem vistas grossas aos problemas emergentes em nosso mundo moderno.
Sempre houve e haverá, neste sentido, questões "escatológicas" que obliteram as capacidades natas do homem de sua verdadeira constituição humanísticas e real relação de responsabilidade com sua alteridade. Isto parece ir um pouco contra os princípios de submissão do homem perante o incognoscível, mas ainda em se tratando de metafísicas, não vai contra os princípios de "imanência".
Talvez "viver" seja de fato um dos motores básicos da filosofia, e este está inextricavelmente atrelado a questões sociais e de cunho "gregário", pois de fato as previsões de escatologia poderão ser evidentes se o homem não souber volitar entre sua alteridade, mediante o diferente e também frente os desafios da modernidade. Todo e qualquer pressuposto metafísico, hoje, é feito em função do escapismo do papel de responsabilidade do homem . Talvez o que vemos hoje em termos de sociedade seja a real indiferença do homem em relação a questões de responsabilidade com o outro, pois a ele sempre foi ensinado que a realidade não é esta, e sim outra. E como resultado temos aqueles que enveredaram para a singularidade de suas verdades excludentes, outros para a obliteração do planeta em que vivem, e outros parecem preferir viver como peças de sustento de uma engrenagem de automatismo. Como podemos pensar conhecer algo fora de nós se não conhecemos a nós mesmos? E penso que conhecer a nós mesmo, de antemão, não está cunhado em propostas de "ser ou não ser", mas elas de fato volitam no desespero existencial. Tudo é uma questão de "furor", ou engajamento.

Isso significa que vamos para o inferno, dada a constatação que somos filósofos "desgarrados".
A única coisa que podemos ter certeza é a convicção do ser ou da existência. Basear a vida em pressupostos da conquista de seu estado “alado”, como uma meta final, é apenas uma verdade objetiva, que ao compor com todas as outras verdades, se torna subjetiva.
Qual teoria deve seguir o homem que enaltece a moral religiosa como um meio? Seriam estes meios “praticáveis” mediante a alteridade do ser?
Pois penso que por estas razões temos os mais diversificados problemas de ordem ontológica, a saber, de cada qual querer validar aquilo que nunca chegará perto do humanismo, que é uma linguagem universal e dada à razão humana.
A ociosidade dos indivíduos, seu conformismo e adequação em um sistema que lhe proponha “segurança” é apenas uma obliteração para a aquisição do bom diálogo pertinente a raça humana. Penso que muitos estão um pouco “enfadados” de toda esta carga metafísica como um “meio” de conduta humana. Talvez uma releitura de tudo isto seja viável, mas não é o caso, dado o ponto em que chegamos, no qual ao homem custa muito pensar além de seus limites.
Se o homem não possui uma plataforma que ele possa creditar algumas crenças, ele é automaticamente lançado ao desespero, e a constatação é a apreensão de um estado niilista que observamos na sociedade, mistura de hedonismo, utilitarismo, crenças enferrujadas, coerção social e conformismo, cada vez mais o potencial humano e sua capacidade mental são reduzidos à analogia do “cérebro em uma cuba”, ou seja, pensamos somente aquilo que nos é imposto, grosso modo.
Fé e filosofia são excludentes, isto se explica na lógica (para quem não refuta também a lógica), pois como já disse anteriormente cabe ao bom filósofo a abrangência de todas as proposições existentes, tanto quanto sua intertextualidade, correlatos, relações interpessoais e intrapessoais. Do contrário, muitos se frustrarão ao verificar a lógica que está por trás de muitas teorias, e estas automaticamente passam a demolir os pilares de barro das inconsistências e insipiências filosóficas.
Há uma enorme diferença para o individuo entre pensar por si mesmo e pensar através de outras pessoas que invocam o determinismo humano.
Não obstante, em meu discurso não estou desvalidando alguma proposição metafísica que seja uma releitura e critica das próprias anteriores. Apenas penso que o mundo lá fora está ruindo, mesmo em aspectos “físicos” a terra também sofre com a ação do homem. Portanto, todo discurso que tem a metafísica como embasamento de um “meio” para a solução de nossos problemas é falho e insipiente.
O homem “autêntico” vivencia a maravilha de tudo, toda a beleza e horror. Os artificiais são seguidores insípidos que vivem suas vidas como um papagaio de pirata a repetir as compilações “extemporâneas” à sua realidade e momento singular que é o presente e tudo o que isto significa.
Elevarmo-nos acima da massa artificial é a máxima de Sócrates: “Uma vida sem questionamento não vale a pena ser vivida”.
Veja que muitos jargões de filosofia como metafísica, transcendental, dualidade, humanismo e idealismo, são hoje formados por suas "corruptelas etimológicas". Portanto precisamos antes saber bem o que em filosofia elas significam, já que o assunto aqui é tão somente dentro das esferas filosóficas. Ou mesmo encontramos palavras e conceito difíceis como a epistemologia (na filosofia a gnosiologia) e a alteridade.
No que concerne ciência, precisamos de um método de constatação, senão a coisa se torna uma verdade objetiva e subjetiva. Não vai valer se alguém disse isto ou aquilo.
Ao invés de usar o método científico - investigar provas empíricas - para estudar o nível quântico, os físicos precisam usar experimentos mentais. Apesar de estes experimentos serem realizados somente de maneira hipotética, são baseados nos dados observados na física quântica.
Pressupostamente você também está tentando validar os pressupostos de sua fé em questões racionais e científicas. Nada contra, eu mesmo tenho minhas convicções "metafísicas", no entanto continuo a postular que uma metafísica que seja só contribui para que o homem se distancie de sua realidade e das necessidades de caráter "iminente".
Nunca a palavra "viver" teve tanto impacto como nos dias atuais para o bom questionador do conhecimento.
De que valerá para o homem o conhecimento de uma realidade metafísica? Você sabe muito bem que ela será apenas um "fim", e não um meio. Pois é a forma do ser humano categorizar as coisas.
Aqui eu repito o que já disse em outras instâncias, o fato de que se a cultura, a condição humana, a valoração do humanismo que concerne a razão do homem, é nossa meta mais importante, poderíamos perguntar o que acontece com as teorias metafísicas que especulam sobre a natureza fundamental da realidade usando apenas a "razão". E razão também tem seu limite, vide o idealismo kantiano, e este mesmo se encontra em certa autonegação no que tange a incognoscibilidade de certos "conhecimentos" e , não obstante, cria uma metafísica a partir de sua razão. Bem diferente do argumento ontológico e racional de Descartes para explicar a existência de Deus, ou do panteísmo de Spinoza que explica que Deus e a natureza intercambiam. O problema da metafísica está na "moralidade" implícita nela, e de seu uso "usurpador" ao longo dos tempos para argumentos coercitivos de impedância ao verdadeiro estabelecimento do humanismo.
Quem aqui recebeu de Deus o mapa "genealógico" de seus desígnios ou a liberdade de proferir suas metas incognoscíveis? É muita presunção de quem o faz, minimamente!
O homem é validado por suas ações e não por suas crenças.
Oras, façamos uma analogia. O conhecimento de uma metafísica, e sua possível aplicação no aqui agora, dentro da linguagem e da percepção humana, seria apenas como o conhecimento da composição química da água para um marinheiro que está se afogando.
Se perceber atentamente meu discurso, verá que em absoluto nego a existência de um grande arquiteto do universo ou mesmo de uma metafísica (ela compõe, exerce e sempre exercerá um fascínio sobre os filósofos), mas apenas volito nas presunções que esta última tenta inferir nas reais idiossincrasias humanas.
Portanto penso que o homem precisa parar de atribuir suas mazelas a fatores externos de confluências de forças e assumir sua verdadeira responsabilidade mediante sua alteridade, seu mundo, seus atos, e de forma como se fosse o mundo dado a nós e nós mesmos devemos nos entender, como adultos, sem recorrer ao Pai que possivelmente diria: vocês são bem grandinhos para agirem como "crianças" birrentas ou mesmo animais "irracionais".
É fato notório que muitas religiões são omissas no tocante ao desenvolvimento da mútua compreensão entre os iguais e no alavancamento do real conceito de entendimento da raça humana.
Em temos lógicos, qualquer religião que não consegue estas proezas são falhas, tendo em vista que seus cernes estão ruídos por professar conceitos escatológicos e deterministas, lançando as qualidades humanitárias latentes do homem para segundo plano.
O fato é que o homem deixou de acreditar em si mesmo. Ele é esmagado por uma estrutura social dogmática, e se interpelado acerca de seus motivos, a resposta não saberá. Pois não sabe que o conceito “Deus est homo”, de que somos segundo algumas leituras imagem e semelhança do divino, é pacificamente, confortavelmente, e convenientemente agregado à preguiça intelectual e que o desejo de muitos são apenas os desejos de alguns “burocratas” idealistas para a raça humana.
Crer em Deus não encerra no bojo desta crença fundamentalismos e infindáveis diálogos “para inglês ver” da boa vizinhança ou de ecumenismo. Com certeza as filosofias que valorizam o homem em seu potencial criativo, a exemplo do budismo ou mesmo de certas ramificações “animistas”, que conseguem manter um diálogo íntimo com a natureza, este que a longo foi posto de lado em virtude do “novo mundo”.
Richard Dawkins, renomado cientista, faz campanha massiva contra o fundamentalismo religioso e suas peripécias sangrentas, tanto quando os absurdos dogmáticos que ainda contrapõem a ciência como foi outrora em Copérnico, Galileu ou Giordano Bruno.
Dawkins é criticado tanto no meio cientifico quanto no teológico, arrastando debates “ontológicos” onde quer que possa ir. Sua obra “Deus um delírio”, é vista por mim não em um reducionismo simplista acerca dos recônditos de um ateu, mas sim uma obra que tem como pressuposto a “desvalidação” (segundo minha inferência) de um Deus que não faz sentido em plena era em que as grandes religiões não condizem com as reais necessidades do ser humano. A saber, do controle da natalidade, das células tronco, de instituições como o matrimonio, e da omissão em questões político sociais, do ultrapassado conceito de pecado, que apenas pode ser interpretado hoje como “irresponsabilidade” mediante a alteridade.
Ademais, em um universo de múltiplas possibilidades em que uma única verdade não pode ser evidenciada, ninguém pode desqualificar as pretensões de um ateu, que em muitos casos, pode agradar mais aos olhos de Deus do que um religioso intransigente e que derrama sangue em seu nome, ou pratica a intolerância em seu nome também. Bem da verdade, eu não conheço esse Deus, deve ser a antítese do verdadeiro principio de perfeição. Novamente o homem e suas “categorizações” turvas mediante tudo, só concebe uma imagem distorcida do que já é distorcido naturalmente.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A religião como influência para as idiossincrasias sociais (Osvaldo)


Em se tratando de sociedade, não podemos nos esquecer que todo o proselitismo obscurantista destas instituições tem contribuído para a “estagnação” da retomada de modelos sociais que atendam aos clamores de um era pós-modernidade. Tal debate se encerra no absolutismo total advindo daqueles que apregoam que a sociedade é composta pela mão de um “demiurgo” que proíbe inclusive o uso de preservativos, por exemplo. Portanto penso que qualquer contra argumento “derruba” os pilares já ruídos destas instituições sob a luz mais tênue de uma lógica. São resquícios “amargurados” da perda de poder “moralizador” e de Estado, pós iluminismo.
Em todos os âmbitos sociais temos influência direta deste império, contribuindo apenas que assuntos como células troco, aborto, métodos contraceptivos, etc, sejam postos a partir de um viés completamente maniqueísta e fora do escopo modernidade.
É notório o fato “sociológico” de que o iluminismo criou os maiores rancorosos da história. Como líderes de uma maioria “enfraquecida”, este erro sistemático ou tendenciosidade não descansa na força das armas; em vez disso, eles precisam confiar em seus poderes mentais e do bom uso da linguagem.
Ainda em um âmbito sociológico, a perda de “potencia” de determinados balizadores moralistas para a sociedade se converge em um ódio violento, sinistro e cerebral, assim como foi quando ainda tínhamos na sociedade, em nome da fé, um absolutismo que matava aqueles que “ousavam” apenas olhar para as estrelas.
Talvez a grande sacada “organizacional” de determinada instituição que reprimiu o homem e sua sociedade por séculos, tenha sido a criação de um novo sistema de valores, ou seja, por um processo de inversão, eles tiraram os nobres valores de seus governantes, (os fortes e poderosos) e os transformaram no seu oposto, os grandes vícios e pecados.
Essa engenhosa jogada resultou no seguinte sistema de pensamento social/moral: uma “inversão de valores” que coloca alguns nobres balizadores como pecados institucionalizados.
Podemos resumir então o que há fossilizado em termos de “visão” social:
Ética do escravo: submissão, o valor do sofrimento, humildade (baixo estima), a pobreza que salva as almas, censura, repressão dos sentidos,etc...
Ética do nobre: coragem, saúde, orgulho, engajamento social, pensamento livre, amor ao corpo como templo de Deus e vazão dos sentidos, etc...
Se explicar um pouco, desta forma, porque Marx é Belzebu e Nietzsche o demo em pessoa.