sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nosso modelo vigente de racionalismo não contempla a ética. Cito Descartes e Habermas - Osvaldo


De certo não podemos culpar o racionalismo em seu sentido estrito, advindo do primado da subjetividade de Descartes, como um processo que abnega a apreensão de conceitos éticos para a humanidade. Explico o porquê.
É inevitável o ser humano desembocar no racionalismo, este é um processo natural para o homem tanto fisiologicamente como intelectualmente. Descartes apenas dá um solavanco inicial ao demolir até aquelas questões últimas do ceticismo e relativismo no que concerne o processo do conhecimento, levando a cabo a dúvida da própria existência.
A parir daí, fica claro, neste vês epistemológico, que o fenômeno ou objeto se relaciona com o sujeito cognoscente de forma clara, e por certo, as questões éticas, embora não profundamente tratadas por Descartes, é de apreensão imediata ao sujeito quando o assunto é humanidade e humanismo.
Não me refiro aqui às questões da moral, pois para Descartes, estão diretamente relacionadas com os povos e costumes, e ele escreveu um trabalho acerca da “moral provisória, ou seja, dadas as peculiaridades circunstanciais . Portanto penso que as questões que concernem a ética é para os filósofos sem duvida de caráter universal. Podemos verificar um espaço considerável entre ambas aqui.
Mas voltando ao assunto da racionalidade, em Habermas verificamos, em sua teoria crítica à racionalidade, que esta, hoje, é “a maneira como os sujeitos falantes e atuantes adquirem e usam o conhecimento”.
Harbemas afirma que os homens alcançaram um grande domínio tecnológico sobre a natureza. No entanto, não conseguiram resolver da mesma forma as questões éticas, de justiça e de convivência. Dessa forma, tem-se um desenvolvimento desigual da razão técnica, instrumental apenas, em detrimento da razão prática. Por esse motivo o autor estrutura uma mudança de paradigma, que a meu ver, nos remete novamente a Descartes.
“O parâmetro de racionalidade e de critica deixa de ser o “sujeito” cognoscente que se relaciona com os objetos a fim de conhecê-los e manipulá-los, passando a ser a relação intersubjetiva que os sujeitos, entre si, estabeleceram, a fim de se entenderem sobre algo”
Bem, é dispensável dizer portanto por que moral muitas vezes pode ser confundido com ética, e que conceitos morais muitas vezes se chocam com a inspeção da ética. Isto é uma confluência interna que de fato ainda não iluminou o homem em sua totalidade, tampouco teorias messiânicas o fará com impactos ufanistas meramente.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os gregos antigos e nossa atual educação falha- Osvaldo


O processo educativo engendrado desde a Paidéia homérica está inextricavelmente atrelado à sociologia da educação que largamente discutimos hoje.
Bem notamos que a partir de Sócrates, Platão, Sofistas, Aristóteles e Isócrates, a formação educacional tramita entre virtudes, prudência, força, temperança, harmonia na sociedade, discursos claros para todos e discursos de vantagens pessoais e pragmatismo mediante o papel social do homem.
No entanto, ainda se faz necessário salientar que nenhum debate se torna tão atual e verossímil quanto o da sociedade em que vivemos e suas idiossincrasias.
Hoje sabemos que o ideal educacional a partir dos gregos antigos sim vingou de certa forma, no que tange em especial o da oratória e o homem que é a medida de todas as coisas, fator este que se tornou “homem exclusivista”.
Estamos longe de uma educação que, em teoria, é minuciosamente análoga ao pleno desenvolvimento humano, dadas várias circunstancias.
Nossa sociedade nunca falou tanto em educação: violência, desemprego, aquecimento global, mudança de valores. É na educação que imaginamos encontrar a solução de todos os impasses que vivemos. Mas será que escola pode dar conta dessa enorme expectativa?
Que tipo de pessoa a escola busca formar? Enfim, o que é a escola hoje?
A escola é uma forma de educar que nasceu na Grécia antiga, com propósito de formar cidadãos, mas foi só com a modernidade que adquiriu o objetivo que tem hoje: formar mão de obra de qualidade.
Desde então, basicamente nada mudou. O modelo educacional que predomina ainda hoje no mundo foi influenciado pela revolução industrial, é como se a escola fosse uma linha de montagem como em uma fábrica.
Português, matemática, química, geografia, etc, são peças a serem encaixadas; no final da linha sai um produto para atender as exigências do mercado, um aluno formado.
Mas hoje diante do enorme desenvolvimento tecnológico, e ao mesmo tempo, o extremo caos social em que vivemos, precisamos nos perguntar: será que é apenas para o mercado que a educação deve nos formar?
A escola que nós temos ainda é aquela que parece que é o único espaço de construção do conhecimento científico, e não é.
Segundo o filosofo e educador Edgard Morin, a escola não lida com indivíduos, mas com uma massa de alunos.A escola não está montada para desenvolver a capacidade de cada um, apenas ensina conteúdos isolados, separados um dos outros sem relação com a vida, acumulando informações que se empilham, sem sentido.
Penso que não existe uma separação dos saberes, só fazemos isto metodologicamente.
Vivemos numa sociedade cada vez mais desigual, dividida, e nós não podemos nos omitir e achar que tudo isto não nos atinge. Costumamos falar de um ser humano violento, cruel, que destrói o planeta, que desrespeita o vizinho e a cidade. Mas não falamos de um novo cidadão e de uma nova "cidade", portanto mais do que nunca devemos nos perguntar: "Quem somos, quem queremos ser, e qual a ”cidade" em que queremos viver?"
Acho que está faltando um pouco de mobilização social por parte do homem, precisamos dar umas "chacoalhadas" aqui e acolá.
Perda dos instintos básicos de sobrevivência.
Como dizia Nietzsche, se quisermos produzir uma cultura vital autêntica, teremos de ser "menos" educados no sentido tradicional.
De fato o que acontece na sociedade é que o homem não está mais engajado com nada que vise sua promoção enquanto individuo "independente" de uma massificação.
Todos nós apenas agimos como se esperássemos algo ou alguém de forma "messiânica" que nos libertasse da atual condição em que nos encontramos. O homem ainda não tem consciência de uma autonomia em si mesmo e sempre age de acordo com os moldes estabelecidos em detrimento se sua razão crítica.
Vou aqui novamente citar Nietzsche quando ele disse que nós modernos não temos uma cultura para chamar de própria. Estamos cheios de artes, filosofias, ciências e costumes estrangeiros, o uso em abuso da "História" nos tornou enciclopédias ambulantes. A História é um peso morto para o presente ao assimilarmos o passado para fazermos nossa própria vida e cultura.
Agora aqui podemos discutir correlatos, intertextualidades e talvez soluções mesmo que elas sejam impossibilitadas de serem praticadas agora; bem mais do que apontar as falhas metodológicas do ensino como possível fonte singular do movimento da história até o dado momento.
Para mim parte do escopo deletério formativo e educacional do homem ainda se encontra em movimentos históricos/filosóficos na sociedade que cunharam um "proceder" no homem que o desconecta inteiramente se seus atributos de autonomia impregnados pela noção não constituinte de sua ordem ontológica e social. Devemos muito isto a Platão, neoplatonismo e à escolástica por desviarem o homem de seu escopo existencial e traçarem os liames de dependência de um absolutismo que por sua vez mais tarde foi também a do estado e dos homens que representam o poder.
Através da reviravolta da metafísica realizada por Nietzsche, somente resta uma mudança em direção à sua própria desordem e falta de essencialidade.
Heidegger, interpretando Nietzsche, nos diz que para ir além desse estágio é necessária uma nova relação com a "verdade", e para Heidegger isto seria uma nova relação com o ser também.
O homem está à espera de um milagre.
Não existe mais um senso comum que observe estas desordens.
A "superação" do homem é de fato a superação de si mesmo, o domínio de seus próprios desejos e o uso criativo de seus poderes. A força de vontade pode superar o maior poder das armas, e, no entanto a superação mais difícil será a superação de si mesmo. Aquele que não pode obedecer a si mesmo será comandado.Que pena que a sociedade seja tão passiva.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Do poder do mito e religião.Dogma versus Filosofia - Osvaldo


Em um estudo da filosofia, em seu sentido estrito, devemos colocar nossos juízos de lado, mesmo sendo religiosos, afinal de contas a historicidade dos fatos é acreditada ou não, assim como tão facilmente aceitamos nossas crenças em detrimento de uma apuração cientifica dos fatos. A junção entre razão e fé não nos dá as respostas para todos os questionamentos da vida.
A saber, o homem sempre “mitificou” a natureza ao seu redor. Dentro deste escopo, a Paidéia grega foi a que mais distanciou o homem, em especial o espartano, da prostração “irrevogável” frente o mito, ao passo que em demais localidades a mitologia e suas religiões já estabelecidas eram analogamente deterministas e de certa forma exerciam um caráter dogmático sobre o homem.
A questão toda não é da apreensão de Deus ou não, mas sim de uma institucionalização daquilo que jamais pode ser concebido como ordens divinas outorgadas a um ser humano e sua atemporalidade de certificação de fé. Mito ou religião no final dá no mesmo, dadas as circunstâncias que entremeiam a gnosiologia e a possibilidade do conhecimento certo.
Talvez eu vá contra sua crença pessoal, mas me sinto na liberdade de expor um ponto de vista histórico e da mitologia que se faz acerca de personagens comuns na história e posteriormente santificados. Talvez nossas crenças de fato sobrepujam toda sorte de questionamento que venha abalá-la.
Joseph Campbell, em seu renomado trabalho “O poder do Mito”, já apontava uma das religiões mais antigas, que são os ensinamentos dos Upanishads, e estas embasadas também em uma mitologia própria e peculiar.
Na realidade, podemos dizer que a distinta impressão de nós seres humanos é que trabalhamos apenas com “capítulos” separados de um único “épico mitológico” do imaginário humano.
Um clássico exemplo que podemos expor é de uma figura muito conhecida e religiosa, que nasceu de uma virgem, utilizou rituais como o “batismo”, beber “vinho”, e partir o “pão”; foi também simbolozado por uma “cruz”, e comemora seu “nascimento” no dia 25 de Dezembro.
Se alguém disse que essa figura foi “Mitras”, acertou! Deus da fertilidade no antigo império romano. Não há absolutamente nada que, em um estudo das causas filosóficas do homem e seu meio, que desmereça um mito que precede uma religião de outra religião “socialmente correta” e aceita nos moldes ocidentais.
Claro que duas concepções imaculadas não são motivo para empolgação para os cristãos. Nascer de uma virgem é uma das idéias elementares mais “elementar” de todas, encontrada não só nas histórias de Mitras ou Jesus, mas na de Deganawida, o grande pacifista dos iroquois, e de Buda, que dizem ter descido do paraíso para o útero de sua mãe na forma de um elefante branco.
Somos análogos, hoje, à Grécia antiga e de sua mitologia. Estamos apenas um tanto sofisticados na maneira de explicar certas coisas que perduram as mesmas por milênios.
Penso que a filosofia que pouco discutimos deveria é a parte quando a ela segue o “iluminismo”, ao passo que a religião se dá pela troca de um dogma pelo outro sem nenhum beneficio para os homens, a não ser o culto à obediência.
No século XVIII, Kant afirma que o iluminismo ou o “esclarecimento” exige o “pensar” pela própria razão. A religião enquanto algo que dita normas para além da razão humana, é posta aversa à filosofia.
Podemos indagar que a filosofia começa em grande medida com a religião (mito), e o primeiro filósofo, Sócrates, era devoto do deus do templo,a quem ele consultou e Sócrates dizia que seu trabalho de filosofar em Atenas era uma missão dada pelo Deus. De certo Sócrates diz isso.
Mas esse é um ponto de amplo debate, a relação entre filosofia e religião. Sócrates diz que o “daemonion” que fala ao seu ouvido e que ele toma como “voz” divina nunca diz o que ele “deve” fazer. Ele sempre julga o que deve fazer pela própria razão.
Não pé este o caráter das religiões que não são as religiões de Sócrates. Elas dizem o que deve fazer mas não explicam por que. Elas dizem que se deve obedecer determinadas regras que seriam “morais”, mas não dizem por que elas são assim. Não explicam por que Deus não gosta de determinados atos humanos, mesmo aqueles que estão dentro daquilo que chamamos de humanismo.
Quando ninguém sabe destas respostas, mas a seguem, ou aqueles que sabem recorrendo à autoridade de textos, a filosofia aí não está. Porque a filosofia é o ato do atirador voluntario, livre, o franco atirador, que não segue partidos, não segue instituições, não segue governos, e não segue doutrinas que não podem ser questionadas pelos seus próprios instrumentos a si mesmas.Este é o filósofo autêntico.
Sócrates conseguiu ter uma relação com a religião e com a filosofia que poucos outros filósofos conseguiram. A maioria deles, para ficar livre e filosofar, abandonou a religião, e os que ficaram na religião abandonaram a filosofia.
Muitos autores costumar brincar com a vida de Agostinho antes de sua total devoção ao cristianismo com a frase: “...dê-me castidade e moderação...só que não agora”.
Se partirmos para uma análise mais coerente frente à própria tese de Agostinho professada após sua ascensão, notaremos algumas contradições que volitam nos recônditos dos mais incautos dos seres humanos. A saber, estas contradições jazem no conceito de pecado, vida eterna e dos eleitos de Deus, segundo Agostinho.
Se for professado, segundo ele, que Deus é bom, que ele é a “própria” bondade, como o mesmo Deus também pode criar o “desejo maléfico” que permite que as pessoas façam o mau? Caso contrário seriamos bons desde o nascimento. As prerrogativas que atestam esta dicotomia maniqueísta jazem em dogmas ditos atemporais e profissão de fé, como da castidade, do pecado “original”, da ascese e da privação dos sentidos mais latentes que já foram largamente catalogados por Freud e outros.
Com poucos séculos de idade, o cristianismo ainda estava em estado bruto. Seu dogma formal ainda precisava ser lapidado. E as seitas proliferavam.
O adiocionismo (visão teológica do cristianismo primitivo), queimaria os devotos do arianismo (nada a ver com Hitler), que refutavam os adicionistas ao dizer que o Pai é o único Deus verdadeiro.
Por outro lado havia o nestorianismo, que alegava que Cristo era “duas entidades”, uma divina e a outra humana. Os monotelistas afirmavam que Cristo tinha uma faceta, mas duas naturezas, e que pendia para o divino. E assim também tínhamos o monofisismo.
Agostinho por certo enveredou para o maniqueísmo, ao proferir que o bem sem o mal não existe, que não poderíamos ver a luz sem a escuridão, e a luz do sol é a origem das sombras.
Os elementos do grande “Maniqueu” revelam isso e muito mais.
Maniqueu foi um místico iraniano que sintetizou diversos pedaços do budismo, da mitologia babilônica (para os que acreditam ainda que religião e mito não dão um bom casamento), e do dualismo de Zoroastro em uma filosofia que se espalhou como um incêndio por toda a Europa, Ásia e Oriente Médio no século três.
A santificação do homem que o cristianismo propõe já foi discutida séculos atrás por um cristão dinamarquês de nome Soren Kierkegaard, que foi um filósofo que abriu um precedente à posterior filosofia existencialista.
Kierkegaard aponta de certa forma os anacronismos da exigência de uma postura santificada ao homem, advinda das religiões de sua época e das escrituras. A exemplo de como poderia o homem estar inserido em um mundo de tantas regras deterministas frente as destoantes deste próprio mundo. Santificação seria portanto algo muito bem escrito em teoria, ao passo que na pratica o homem, seguindo sua própria consciência, poderia dar o melhor de si e não viver em uma crise existencial de culpa e fracasso por aquilo que é incapaz de perpetrar.
Kierkegaard foi obviamente expulso de sua sinagoga e odiado por muitos, mas foi imprescindível para filósofos de peso como Heidegger, Camus, e Sartre.
Hoje o debate pode ser muito diversificado, Aquino obviamente está fora de seu tempo, já que Deus é concebido subjetivamente de formas diferentes e não deterministas. Sabemos que o mal e o pecado não existem, o que difere um homem do outro é apenas seu caráter, ao passo que seu nível de instrução intelectual (filosofia) o separa de medos infundados.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Da fragmentação dos saberes - Osvaldo


A questão proposta para análise é notoriamente complexa e profusa, e incita um debate amplo.
Gostaria de, em primeiro plano, discorrer acerca de como supostamente chegamos num patamar no qual o conhecimento atende as demandas comerciais e do poder social vigente.
Este assunto não poderia ser melhor tratado do que sob uma ótica crítica da filosofia em seu sentido estrito, que a saber, hoje trata ainda daqueles assuntos que não estão situados em campos já “categorizados” do conhecimento humano, por assim dizer.
Como é de nosso conhecimento, as ciências humanas advêm do escopo “unitário” que foi outrora a filosofia em um amplo sentido de pesquisas, fossem elas metafísicas, ontológicas, políticas ou sociais, assim como o conceito de sociologia ter ganho fôlego no positivismo de Auguste Comte, ou mesmo com Weber, Durkeihm ou Marx (este vaticinou o fim da filosofia).
Mas retrocedendo ainda mais na historia, verificamos que até a idade moderna os pensadores ainda detinham conhecimentos múltiplos, seja em ciência, astronomia, medicina e outros.
Os pré-socráticos como os da escola de Mileto, denominados como os primeiros físicos, caminhavam rumo ao que hoje se vê como fragmentos das ciências.
Penso que poderíamos dizer que hoje um dos maiores desafios da filosofia é ser “inspetora” das ciências.
Em um sistema capitalista, dado seu viés que está restrito às aquisições e influências, o conhecimento do mundo, de sua evolução e descobertas, está diretamente relacionado com uma forma aprioristicamente não ética, nos remetendo à subordinação dos retentores do conhecimento.
Penso que não podemos apenas culpar um sistema político para variar. A premissa de que o homem sofre eternamente com confluências externas a si mesmo apenas contribui ainda mais para que possíveis soluções viáveis para a “democratização” do conhecimento soem como utopia.
O conhecimento em seu sentido “egoístico”, ou materialmente mesquinho, ou ainda por disputa de poder e de maior conhecimento a esmo, apenas contribui para o insucesso das empreitadas contra a atuação deletéria do homem frente à natureza, cura de doenças por parte daqueles que não comungam com o império farmacêutico,e soluções de pacificação de conflitos e estudos sociais postos realmente em prática.
O medonho alvorecer que se ergue do conhecimento em sua forma mais ampla, não atende as demandas para a formação de um sujeito social mais critico mediante sua própria existência e o que de melhor proporcionar a ela.
Cito o fato de uma das ramificações científicas, que é a astronomia, refutar pressupostos metafísicos em filosofia e ao mesmo tempo operar com teorias apriorísticas acerca do incognoscível, como as teorias primeiras e finais. Quem dirá da seleção genética ou mesmo da clonagem. Parâmetros estes que jamais podem fugir do debate filosófico mediante o homem já sucumbido pela crença verdadeira e engolfado pelo capitalismo ensurdecedor.
É obvio que toda discussão e pesquisa a priori é boa, se aprende muito, se contribui muito, mas isto não é operado em uníssono, e sim como uma maratona em que o prêmio em si não justifica os meios de obtê-lo.
O que preocupa é o ser humano no futuro com a perda de sua própria identidade, fato que adicionado a uma “escola” que corrobora com os mandatários que preconizam os ditames dos saberes, somente contribui para que afundemos cada vez mais nesta viagem da razão mediante as ilusões de si própria.
Parafraseando Boécio, em sua obra “A consolação da filosofia”, esta ainda é esperança para um futuro no qual ela ainda se mantenha em um patamar de inspeção e crítica dos sabe
Penso que podemos dizer que um filósofo em especial se “rebelou” contra os ditames científicos. Nietzsche vaticinou os grandes problemas da pós-modernidade, em especial que o homem deixou para trás aqueles instintos que protegem a vida, e nisto podemos incluir que hoje o conhecimento é ultra relativizado, fragmentado, e que não alcança sua união em seu bojo único e interdisciplinar.
Os pensamentos de Nietzsche sobre a investigação científica são tão desafiadores quanto a sua visão sobre a moral e religião. A ciência, como um “valor absoluto”, como uma nova religião ao qual nos prostramos, para nossa era sem Deus, é fortemente criticada pelo alemão.
Se perguntarmos, dentro de um escopo de cientificismo, “bondade com que fim?”, também devemos perguntar “conhecimento com que fim?”
Podemos dizer que os cientistas muito frequentemente se conduz como um servo do conhecimento, e sendo eles os novos ditames para uma prole órfã, os demais retentores do saber que atuam ao bel prazer de suas necessidades próprias também não visam as necessidade do coletivo. Ao invés de sermos servos do conhecimento, deixemos que o conhecimento seja o servo do homem.
Segundo ainda Nietzsche, existem muitas coisas que não desejaríamos conhecer. A sabedoria impõe um limite ao conhecimento também.
Se ignorarmos este aviso de Nietzsche, nos tornaremos viciados em conhecimento também, com terríveis conseqüências. Ele cita: “O fato de que a ciência, como a praticamos hoje, seja possível prova que os instintos elementares que protegem a vida deixaram de funcionar. Qualquer verdade que ameaça a vida não é uma verdade, é um erro”
A filosofia ainda é esperança quando esta nos remonta aos seus pilares integrados de outrora, quando as questões ontológicas reverberavam em discussões amplas acerca do potencial humano, do sujeito e da oposição ao descrédito humano e niilismo em que nos encontramos atualmente.
Quanto às ciências em particular, que é objeto desta minha crítica, ela tem uma forma maior do que realmente é. Dentro de um contexto de irracionalidade e indolência contemporânea, serão poucos ou nenhum aqueles que insurgirão contra os que mascaradamente atentam contra a vida, e que inculcam em nossas mentes que a vida longa e perfeição do corpo, mesclados com a subordinação irracional do homem frente os disfarçados mandatários dos ditos sociais, são de fato parte da fragmentação hedonista dos saberes que não se intercomunicam.
E já que o assunto é escola também, nesta o conhecimento a priori de que algo está em desarmonia com os “conhecimentos” não se passa pela cabeça, por mera questão de proveito próprio de todas as partes.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Descartes gera o atual problema corpo-mente- Osvaldo.


Podemos dizer que Descartes apregoa uma questão ainda em voga nos meios filosóficos, do dualismo corpo e mente.
Descartes deixa a questão do dualismo embasado no fato de que a substância “mente” não pode ser compreendida como parte da extensão, ou seja, da matéria.
Este é um tema atual inclusive na filosofia da mente, onde há um debate imenso entre a neurociência e as prerrogativas filosóficas de que se de fato o cérebro pode engendrar aquelas operações que fogem do escopo do empirismo e das sensações, como a intuição e as idéias que pressupostamente sejam inatas.
Descartes discorre acerca deste problema, iniciado por ele, ao professar que podemos claramente entender a noção de mente sem referência a qualquer coisa extensa, e que podemos entender claramente a noção de corpo sem referência a qualquer coisa consciente. Então é logicamente possível que a mente pudesse existir separada do corpo.
Mas para entender Descartes é necessário que, para fugir deste “solipsismo”, ele usa o argumento ontológico para a existência de Deus, que garantiria a possibilidade deste dualismo.
Se corpo e mente podem existir separados, então a mente não depende do corpo para sua existência e, portanto, o corpo não é parte de sua natureza essencial.
Por fim, é necessário salientar que este é um problema de ontologia para Descartes, no qual se subsume sua epistemologia , por assim dizer, que é uma das mais importantes na teoria do conhecimento.

domingo, 12 de setembro de 2010

Que racionalismo? Que homem inteligente? – Osvaldo


A proporção da do racionalismo humano é diametralmente oposta à ignorância do homem, este ainda que mantém suas características da ignomínia pré- histórica.
Não se trata apenas das crenças verdadeiras ou do senso comum que expressadamente volitam os recônditos do ser, mas da própria má vontade em se livrar desta puerilidade endêmica do intelecto.
Como já não bastasse o próprio mau uso da racionalidade em detrimento das opiniões claras, livres de preconceitos e humanisticamente inteligentes, o homem atual prefere se submeter ao crivo da “imbecilidade hiperbólica”, com permissão para o uso do termo cartesiano, para justificar suas tolices e falta de bom senso.
O que vemos hoje em dia é uma progressão do homem ao “concretismo” de suas idiossincrasias nefastas e mal julgadas. De sua ação na sociedade, meio ambiente e política. Como podemos atribuir isto ao racionalismo? Que racionalismo poderia ser este, que é completamente oposto ao verdadeiro principio do racionalismo filosófico? Não estaríamos confundindo racionalismo com racionalidade e suas corruptelas etimológicas?
De racionais, ou mesmo de “racionalistas”, não temos nada. O homem ainda prefere o relativismo de suas próprias proporções que ainda não se faz caracterizar como um ser atrelado à sua alteridade e de noção do outrem.
A saber, o homem é inexoravelmente um ser racional, e um dos papéis da filosofia, que é analogamente racional, é proporcionar ao homem “insights” claros e objetivos acerca daquelas questões que estão fundamentadas no escopo da investigação humana.
Não há erro nenhum em se admitir o homem como ser racional. Não há mácula, preconceito, tampouco evidencias claras de que ser racional é conformadamente igual a ser um idiota, como aqueles que apregoam a incapacidade humana de conhecer as “verdades” que são perenes a todos os homens, dadas à subjetividade, ao ser cognoscente.
Os relativistas, os sofistas, estão situados em um patamar de má crença no próprio ser humano no que tange sua capacidade de alçar um humanismo global e de entendimento uníssono.
Oras, se somos uma espécie de iguais, qual seria então a infamidade e inverossimilidade que propõe o relativismo até nossas entranhas? De certo somos seres diferentes uns dos outros em instâncias psíquicas ou talvez de como abordamos o mundo, mas não ocorre o mesmo quando o assunto é uma imanência das questões de comum acordo para todos, que abarque o humanismo e a desaceleração das idiossincrasias sociais, tanto quanto a própria forma do ser se relacionar com sua alteridade e contingência.
Ao propor que o homem é a medida de todas as coisas, os relativistas se esquecem que nesta proposição jaz algo um tanto quanto primitivo, de cunho estagnado em conceitos análogos àquilo que experienciamos de acordo com nossos sentidos primitivos de sobrevivência somente .
Para reforçar esta selva de esquizofrenia que o homem se encontra hoje, os assuntos que nos remetem ao sobrenatural são repletos de evidencias dogmáticas é mau fundadas que tratam de Deus, ética e moral.
Se alguém me disser que pode provar que Deus o outorgou a professar em seu Nome, direi que este alguém é falacioso e decrepitamente alucinado, sem bom senso e sem maturidade intelectual frente às questões de cunho incognoscível. Seria muita pretensão alguém querer falar em nome de Deus, de seus desígnios, das causas primeiras ou finais. Não obstante, apreender de forma racional a ordenação do universo torna-se uma capacidade latente no ser humano, assim como as idéias inatas presentes em todos nós, mas isto se torna uma faculdade de autoritarismo dogmático ao impingir no próprio homem temor, desavenças, baixo estima, esquizofrenia e irracionalismo quando de seu mau uso. Em um sentido lógico, é muito mais que claro que uma idéia de perfeição não contém, para todos os efeitos, as disputas irracionais dos homens acerca de suas veracidades religiosas.
Estamos apenas galgando passos muito curtos rumo a um racionalismo de fato. O que somos apenas é um ser na sua infância.

sábado, 11 de setembro de 2010

Descartes e a antiga ciência- Osvaldo



Descartes não rompe com a ciência, ele apenas dá outra configuração ao saber, rompendo somente com a essência da ciência escolástica, aristotélica, mas por outro lado não ignorando o saber até então apreendido de seus estudos na escola La Flèche.
A essência é para Descartes a subjetividade, ou seja, todo conhecimento parte do sujeito, em ultima análise, não das sensações do mundo exterior. Configura-se assim o sujeito conhecedor, aquele que determinará, em meio a uma selva, os caminhos que o conduzirão a seu exterior.
Descartes também une a isto o fato das idéias inatas, algo parecido com o que Platão professava em suas “formas”, idéias eternas.
A matemática em Descartes entra como dois benefícios, o primeiro de entes inteligíveis, ou seja, não precisam dos sentidos para operá-los, e o segundo como “rigor” metodológico para se “apurar” uma proposição.
Pois bem, para Descartes a primeira instancia de sua filosofia foi a veracidade do cogito, do ser cognoscente. Deus foi uma necessidade que também passou pelo crivo de sua duvida radical, chamada de “hiperbólica” com alusão à matemática por se tratar de uma duvida em escala universal, ou seja, ao invés de duvidar de cada coisa, ele duvidou de sua própria existência e até de Deus.
Portanto, a primeira evidencia para Descartes não é Deus, e sim o sujeito, a mente, e logo após, para não cair no ceticismo que se o mundo lá fora existe ou não, tornando sua filosofia apenas “idealista” (existente apenas na mente, como diz Berkeley), ele prova a existência de Deus (sem tratados teológicos) para a veracidade da ordem, do cosmos, e das idéias inatas que é de igual a todos os homens. Mas para tal somente a filosofia e o “método” poderiam proporcionar esta visão.
Sem sombra de dúvidas sempre processamos “referências”, e o ato de filosofar é ir além das referencias que se tornar um dogma. Devemos apenas imaginar até que ponto o ser humano consegue ir além dos referencias.
A saber, uma estagnação referencial pode também nos levar ao senso comum, ou crenças verdadeiras. Imagino que filosofar tem um preceito mais importante de todos, que é a dúvida metodológica, por assim dizer. Ou mesmo um método como a dialética ou o silogismo aristotélico para servirem de estopim à indagação. Mas nisto estamos situados ainda na teoria do conhecimento, esta que tenta de certa forma “universalizar” como é dado o saber humano, e até que ponto se pode conhecer algo de fato.
Vindo mais para a contemporaneidade, a filosofia existencialista tem como ponto fundamental não a metafísica, mas sim o “outro”, o próprio homem como referencial de sua existência. Mas aqui estamos então lidando com ontologia e fenomenologia, aspectos que nasceram a partir da metafísica da subjetividade de Descartes.