sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O problema da ética a partir das religiões - Osvaldo


Seguramente se pensa que ética e moral só podem ser advindas de um escopo teológico, isto é uma inverdade. Talvez a partir possamos estar inferindo que um mundo em que só existisse ateus fosse impossível. Mas a filosofia não está embasada na razão? E a partir dela o viver civilizadamente?
Para tal, precisamos ler e entender profundamente do que se trata a “atitude filosófica” mediante a vida, que requer a necessidade dos juízos postos de lado, e somente assim poderemos vislumbrar o que há de bom na filosofia e o que ela pode nos oferecer.
Eu sugiro um livro muito interessante, um dos melhores que já li sobre ética: “História da ética”, de Henry Sidgwick, editora Ícone. Ele trata muito bem da ética em uma linha do tempo clara e expõe de forma muito agradável aquilo que não pode ser tomado como um exclusivo viés de contextualidade da história, tampouco da teologia, pois questões éticas e morais estão subsumidas em caráter racional, e não da intangibilidade metafísica, por mais que se tente assim apregoar.
Há certos filósofos que trata muito bem este assunto, como Descartes, Schopenhauer, Kant principalmente, e Espiniosa entre tantos.
Se perceber, há uma tênue linha que os separam apenas acerca da ética, e ela está primordialmente subsumida ao escopo de investigação humana, pois aquela velha estória da ética concebida a partir do medo e da proibição divina somente resulta “ aos olhos de Deus”, e não de seu outrem, ou seja, em nome de Deus esquecemos da alteridade humana e de sua contingência, ou seja, aquilo que pode ser e aquilo que não pode ser em termos de acontecimentos, da diversidade humana.
O sujeito epistemológico não pode ter uma relação exclusivista com Deus, como que se um mundo além deste fosse a meta final, obliterando portanto as necessidades iminentes deste orbe que não pertence apenas ao nosso egoísmo, e sim à pluralidade que concebe os céticos, religiosos, não religiosos, à nossa prole e aos futuros integrantes da humanidade.
Penso que se Deus é o bem supremo, ele não concebe uma bipolaridade sobre o homem entre bem e mal, o mal não existe, o mal é apenas uma ilusão e necessidade institucionalizada. Ele não é intrínseco à raça humana, o mal é apenas a ausência de esclarecimento racional, vide Sócrates e Aristóteles e Platão.
Enquanto a hipótese de o homem porventura ter vivido sem religião até hoje, eu não saberia dizer, mas sou muito curioso em saber com estaria hoje o ocidente ou toda a humanidade se a era das trevas medieval que sucumbiu com o florescimento do expoente humano não tivesse existido.
A filosofia está aí para nos dar uma consolação na ausência da religião, o que não significa que Deus de fato não existe ou exista, mas que precisa ser ressignificado, não sendo mais um objeto de consumo, coerção, e tampouco um comércio, e nem mero conforto metafísico que nos desvie de nossa verdadeira condição humana. Se existimos, devemos de fato compreender nossa atuação no mundo e quais saõ nossas possibilidades concretas, senão a vida não passará de uma bipolaridade existencial e esquizofrênica, levando-nos ao fanatismo e à anulação de nossos predicados humanos, tendo sempre Deus como um mata- borrão e a crença que o homem é eternamente orfão de uma paternalidade alhures de sua prole.
Por certo podemos afirmar que a dicotomia bem e mal é um condicionamento, dentre vários, de nossa mente limitada. É o emprego leviano do princípio do terceiro excluido que há na filosofia no que tange a lógica.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Plotino, Neoplatonismo e Cristo. O fim do racionalismo grego - Osvaldo


Podemos citar alguns precursores de Plotino, como Filo e Orígenes.

Filo de Alexandria (25a.c) fi um elemento vital para o cristianismo, pois era contemporâneo de Cristo e foi um judeu ortodoxo que queria mostrar como a filosofia preparava a mente para as coisas mais “elevadas” (Deus).
Basicamente, foi um platônico que transformou os universais abstratos de Platão novamente em Deus. Isto abriu um precedente.
A filosofia foi ficando mais metafísica e mais interessada na estrutura da alma do que na ciência ou na política, ou mesmo na ética. Talvez a queda do Império Romano tenha levado as pessoas a se interessarem mais pela religião, mas juntar o racionalismo grego como o pensamento judaico-cristão virou moda. A filosofia “pura” foi ficando cada vez mais diluída.
Aliado ao fato, Orígenes (184d.c), achava que os cristãos podiam tomar a filsofia tomando emprestadas as melhores idéias. Viu que a noção platônica do mundo sensível como mero reflexo de um mundo inteligível superior parecia de acordo com o cristianismo.
Como outros platônico cristãos, interpretou a bíblia como uma alegoria simbolista. O que ele julgava impossível era ter apenas um sentido literal. Sua oposição literalismo fica estranha quando se pensa que ele tomou Mateus XIX, 12, ao pé da letra...”E há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do reino dos céus...”
Bem, finalmente em Plotino (204d.c), o mais espiritual dos filósofos, ele ignorou o pensamento político e social de Platão e fez de sua filosofia uma religião.
A parte mais interessante de seu pensamento foi a concepção de uma santíssima trindade que estruturava o mundo. a base disso era a noção das idéias de Platão, pois para Plotino havia O UNO: O Deus, uma divindade abstrata cuja emanação é a energia assim como a emanação do sol é a luz; O NOUS ou espírito: inferior ao Uno de quem é uma imagem e superior a todas as outras coisas; A ALMA: que é superior ao corpo e deseja contemplar a idéia de Deus.
Os neoplatônicos combinaram as idéias de Aristóteles, dos estóicos, em pouco de Pitágoras, do misticismo, com piadas de mito e uma reformulação platônica das coisas, onde o corpo era considerado mau e o espírito, bom.
O cristianismo, como todas as religiões, foi-se desenvolvendo com o tempo. Acabou sendo uma ambiciosa síntese de muitos elementos, o que provavelmente explica por que resistiu tão bem.
Tendo assimilado o neoplatonismo e Plotino, o cristianismo dominaria a filosofia até o renascimento. O livre pensar só era possível se fosse um livre pensar cristão.

Filosofia em seu sentido estrito - Osvaldo


Não podemos afirmar que fazer a política da boa vizinhança constitua um saber filosófico em seu “sentido lato’, em detrimento de seu sentido “estrito”, que está calçado nos problemas referentes ao conhecimento, ao que pode existir e o que existe de fato, de como o conhecimento é dado e o que podemos efetivamente conhecer.
Por certo volitar entre as dúvidas mais áridas e duras do saber filosófico não é algo que anima ninguém, e por certo é natural que o homem procure suas muletas existências. Penso que há uma tênue linha que de fato explicita o que é uma liberdade, calçada na liberdade apenas de conferir que toda crença verdadeira é falsa, e requer rigor e coragem para com a própria existência para assim a promulgar.
Naturalmente todo o processo dos pensamentos aprioristicos humano jaz sob uma carapaça de pseudofilosofia. Como pode a própria razão determinar os fatores de cognosciblidade de algo que está sumariamente vinculado à crença do que é tido como verdadeiro?
O sentido real do que é filosofia, e em especial o da filosofia universitária, não pode recair sob conceitos ajuizados e da posse das proposições filosóficas ao longo da história tidas como certas em nosso juízo. Mas é claro que isso é uma sugestão acadêmica e não mandatória.
Até que ponto de fato estamos “filtrando” as crenças verdadeiras sem nossos juízos de lado? Não saborearíamos certo vislumbre da complexidade da filosofia se ao menos deixássemos nossos juízos momentaneamente de lado?
A filosofia deve ser uma reflexão sistemática, e não “um por todos e todos por um”. Análogo a um viés democrático, é salutar que possamos abraçar conceitos diversos com a suspensão dos juízos e que os mesmos conceitos possam gerar a escala dialética ascendente de acordo com os seus antagonismos. Se então temos uma indissolúvel crença em um viés exclusivista, o filosofar no sentido estrito já se corrompeu.
É evidente também que a instituição universitária no ensino de filosofia esteja mais aprumada com sua historicidade e linha do tempo, classificando-a em momentos distintos na historia. Mas também perdemos muito em não fazer uma intertextualidade de todos esses fatos com a contemporaneidade da filosofia, hoje, e seus grandes pensadores, cada vez mais “emblemáticos” ao desafiarem toda a filosofia passada.
Hoje temos problemas filosóficos que também inclui a própria metafísica como pretensa candidata à obliteração, pois o que se apregoa hoje é que, historicamente, essas questões que estão simplesmente fora do escopo da investigação humana sempre exerceu um fascínio sobre os filósofos, e ainda não é compreendido o que se pode obter da existência de uma dimensão metafísica como uma égide sobre um mundo em que fisicamente é onde nossos pensamentos e desejos têm alguma aplicação. Não obstante, no seio da filosofia analítica, hoje, temos uma pesquisa sobre a linguagem.
Propor aqui uma via de exclusão ao terceiro comentário, ou simplesmente abarcar aquilo que vai de acordo com nosso juízo somente seria incorrer de fato ao postulado kantiano de que nossa apreensão de mundo e das idéias passa por uma serie de categorias que a modela de acordo com nossa mente que está aquém de um conhecimento genuíno e certo, e de que nossa razão não é suficiente segura para ajuizar conceitos definitivos como de Deus e mesmo dos dogmas.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Do eclipse da razão - Osvaldo


Por certo podemos dizer que hoje o que resta daquele período clássico em que a polis surgiu é: NADA. Isto é de fato um olhar niilista sobre o mundo.
De forma análoga ao um período medieval, penso que o homem parte cada vez mais rumo ao eclipse da razão, razão esta que está diametralmente oposta ao racionalismo filosófico ou da razão filosófica. Ela é sistematicamente apenas uma razão instrumental que atende aos interesses de uma sociedade em que todos somos co-autores, que é a ditadura doas coisas materiais em detrimento das intelectuais.
Onde falta a filosofia em seu sentido estrito, que deixou seu campo para o individualismo, o relativismo, e o ceticismo filosófico, só poderá haver as sombras da caverna de Platão.
Muito evidentemente escalamos questões cientificas e melhorias em prol da humanidade em geral, porem não do humanismo. Deixamos de ter aquela noção básica dos instintos que protegem a vida.
Não há nada de significativo hoje no que concernem as questões que sempre buscou a filosofia, pois os dogmatismo são ainda clássicos sobre o homem, e mesmo assim, vivemos numa ambiguidade sem precedentes.
O homem hoje é fruto de confluências externas que lhe deixa disforme, e para complementar esta deformidade a psicologia, sobretudo a análise freudiana, lhe confere uma evidente “verticalidade” interna provinda da necessidade de “assentamento” e coadunação com as idiossincrasias sociais que lhe impinge sua formalidade diante do status quo.
Como parte da filosofia e o inadvertido “empréstimo” que Freud fez de Nietzsche e Schopenhauer às suas proposições, as mesmas são passíveis de criticas por se tratar de outra teoria.
O eclipse da razão provém também da fragmentação dos saberes, assim como se fragmenta o homem em partes, esquecendo –se de sua unidade de Ser imutável, mutável apenas na aparência daquilo que se transforma de acordo a necessidade contextual e ilusória que dão uma propriedade de transformação perene.

sábado, 23 de outubro de 2010

Da atual afronta à Ética política - Osvaldo


Podemos dizer que a Ética é uma das questões mais polemizadas no compêndio de discussões filosóficas, em seu sentido estrito. Mas diametralmente oposto ao debate das questões da moral e dos costumes de cada nação, a ética política sempre tentou para uma sistematização lógica dentro dos pressupostos sociais que determinam seu sistema de governo por assim dizer,e em nosso caso, a democracia.
Podemos então deixar nossos juízos de lado aqui, em especial os aprioristicamente partidários, para nos situarmos na discussão filosófica que, por sua vez, desde o inicio da civilização ocidental, se remete à Ética como “investigadora’” e balizadora destas normas sociais e principalmente dos que detém o poder em nome das massas.
Pressupõe-se que, embora a vontade da maioria não necessariamente atenda a vontade de minorias, a Ética, independentemente de partidos, visa um escopo de conformidades estanques e não voláteis que visam , no caso da democracia, a liberdade de expressão, o não aparelhamento partidário em questões unilaterais, e o exemplo social de que os homens no poder sirvam de antemão como exemplo organizacional ao qual todo cidadão fomenta por observância.
Não podemos permitir, em uma Ética política e uniforme, que questões de relatividades partidárias engendrem o desmantelamento das instituições que solidificam a forma de governo democrático, em prol de uma sandice individualizada, paternalista e messiânica que com bravatas e uma equipe de “pedreiros” venham a ruir os pilares daquilo que atenda o bem comum a todos os cidadãos. Maquiavel aqui estaria aqui mais vivo do que nunca.
Não precisamos se versados em filosofia e Ética, mas o menos incautos dos homens entenderá que um governo, um partido e um presidente que enceram em si mesmos a governabilidade de uma nação ignorando as nossas instituições que deveriam se sólidas, não se encaixam em um escopo que visa, respectivamente, sua preservação.
Exemplos como barganhas mirabolantes e televisivas e de acordos pífios com a corrupção de muitos outros políticos encerram a verdadeira prostituição do intelecto ético-político .
Sem sombra de dúvidas, estes homens levam ao pé da letra uma máxima sofista de que um homem é sua própria medida para todas as coisas, mas isto se torna perigosamente banal no que tange sua representatividade.
Se os fins aqui não justificam seus meios, isto só pode ser um exemplo de retrocesso para aquilo que há pouco abrimos os olhos após um período de trevas com os ditames de uma política ditatorial.
Afinal de contas qual seria a tênue linha que separa o desrespeito às instituições maiores de um caudilho tresloucado de bravatas populistas e pueris? Fazendo vistas grossas ao despudor endêmico de um partido que fora outrora a máxima de uma política esquerdista?
Como em filosofia não se pode pousar sobre partidos, credos, e etnias, o papel da ética ainda é estritamente relacionado a esta inspeção, não importando quem esteja sob as luzes deste holofote.
De certo os mais incautos não perceberão, de seus políticos pouco éticos, o exemplo que estes mesmos deveriam dar. Seja talvez pelo fato de os fins não justificarem os meios, ou mesmo da própria lacuna enorme entre nossa educação e a implementação de uma critica nela própria. Tudo isto pode ser talvez até explicado. Mas em se tratando dos ditos intelectuais que dizem amém a tudo isto, de forma vergonhosa para sua classe, ou eles não sabem de fato do que se trata ética na política, ou eles ainda sonham, como os fins não justificam os meios, com aqueles vieses políticos e sociais que mostraram ser na história falhos e autoritários, e que cercearam toda forma de expressão livre de seus cidadãos e fugiram de um bojo em que se encerra a Ética e o humanismo em potencial.
Nada explica que uma vanguarda de intelectuais faça, discretamente ou publicamente, bravatas em prol daquilo que vai contra o que encerra em seu cerne a mais das altas discussões acerca da Ética política.
Em um campo de neutralidade, esta Ética foi extinta, ao menos o pouco daquilo que restava e estava estritamente relacionada a uma democracia jovem, onde errar é humano, mas perpetuar os erros que ecoam a iminência do caudilhismo, é insensato, para não dizer outra coisa!

sábado, 16 de outubro de 2010

Santo Agostinho e o problema do Mal - Osvaldo


Esta é uma elaboração não apenas centrada na visão de Agostinho para o problema do mal como também encerra em si uma crítica ao mesmo, e para aqueles vieses teológicos que de certa forma coadunam com tal explanação para o mal no mundo.
O problema do mal se constitui em um dos grandes problemas da filosofia, e nada melhor, neste contexto, de citar Santo Agostinho que inexoravelmente “precisa” elaborar, por assim dizer, um pensamento que unifique um entendimento das idiossincrasias existenciais com fé e razão.
Podemos então dizer que o mote principal de Agostinho para o mal e seus desdobramentos é a idéia de que o mal e si é necessário para que possamos apreciar melhor o bem.
Santo Agostinho observou que, se nada de mal acontecesse alguma vez, não poderíamos conhecer e apreciar o bem.
É interessante lembrar que ele, antes de ser cristão, foi um maniqueísta e o Maniqueísmo defendia que havia dois princípios opostos: um Deus bom e outro mal e que portanto o mal era uma substancia. Somente depois, Santo Agostinho vai encontrar uma fantástica solução para a resolução do problema. A solução deste problema por ele achada foi a sua libertação e a sua grande descoberta filosófico-teológica, e marca uma diferença fundamental entre o pensamento grego e o pensamento cristão. Antes de tudo, nega a realidade metafísica do mal.
Ele constata que o mal não é um ser, não tem caráter ontológico, não tem nada de positivo, enfim ele é um não-ser. Ele diz: “O mal não tem natureza alguma, pois a perda do ser é que tomou o nome de mal”.
Se todo o bem fosse retirado das coisas boas, nada sobraria, pois o mal não é uma substância como queria os maniqueístas, e assim sendo seria impossível que o mal tenha se originado de Deus, pois Deus é aquele que dá o ser às coisas.
A solução de Agostinho para o problema do mal está relacionada à pergunta “o que é o mal?”
Em Agostinho temos dois silogismos acerca da inautenticidade do mal:
A-1) Todas as coisas que Deus criou são boas; 2) o mal não é bom; 3) portanto,o mal não foi criado por Deus.
B-1) Deus criou todas as coisas; 2) Deus não criou o mal; 3) portanto,o mal não é uma coisa.
Agostinho observou que o mal não poderia ser escolhido, pois ele não era uma coisa a ser escolhida. Alguém pode apenas afastar-se do bem, isso é, de um grau maior para um grau menor (na hierarquia de Agostinho) desde que todas as coisas são boas. Pois, segundo ele, quando a vontade abandona o que está acima de si e se vira para o que está abaixo, ela se torna má - não porque é má a coisa para a qual ela se vira, mas porque o virar em si é mau. O mal, então, é o próprio ato de escolher um bem menor. Para Agostinho a fonte do mal está no livre arbítrio das pessoas e na contemplação das dimensões do mal que, a saber, são de caráter metafísico, físico e moral.
Esta observação é parcialmente lógica e parcialmente psicológica. Logicamente, na ausência do conceito de mal não poderia haver uma concepção do bem, tal como não poderia haver uma noção de alto na ausência de uma noção de baixo. Não poderíamos sequer saber o que é o bem se não tivéssemos o mal para servir de comparação. Alem disso, psicologicamente, se nunca sofrêssemos, tomaríamos as coisas boas por garantidas e não as desfrutaríamos tanto. Como poderíamos reconhecer e desfrutar a saúde se não existisse a doença? Portanto, desejar um mundo que contenha apenas coisas boas é uma tolice.
No entanto, mesmo que isto seja verdade, explica apenas por que razão Deus poderia permitir a existência de algum mal. De fato podemos precisar que nos aconteça algumas coisas más de vez em quando, apenas para que não nos esquecermos que somos tão afortunados. Mas isto não explica por que razão há tanto mal no mundo. O problema é que o mundo contém mais mal do que necessário para apreciar o bem. Se por exemplo o numero de pessoas que morrem de tuberculose por ano fosse reduzido para metade, isso seria ainda suficiente para nos fazer apreciar a saúde. E como já temos que lidar com a tuberculose, não precisamos realmente do câncer, e ainda menos da AIDS, da distrofia muscular, da paralisia cerebral, do Ebola, da doença de Alzheimer e por aí vai.
A idéia deque o mal é uma castigo pela conduta imoral é de caráter teológico e remonta à história da Criação do Gênesis, que nos diz que inicialmente os seres humanos habitavam em um mundo sem mal, mas de repente entram dois protagonistas famosos nesta histeria lúdica chamados de Adão e Eva, e com a ajuda de uma “serpente”, o resto é “estória”.
O problema de Agostinho passou a ser casar o conhecimento antigo com sua nova crença e mostrar que eram interdependentes.
Ele também tinha um problema com o Tempo e a Criação. Segundo o Gênese, deus criou o mundo do nada. Mas na filosofia grega havia uma forte objeção a algo ser criado do nada. O que Deus andava fazendo antes de criar o céu e a terra?
Agostinho não aceitava responder essa pergunta, mas fazia a seguinte piada: “preparando o INFERNO para quem mete o bedelho nos mistérios”.
Se não debatermos filosoficamente estes fatos, vai parecer que todo argumento que o refuta é de caráter reducionista e dispensável, dado o caráter próprio do que a humanidade entende por teologia e suas premissas atemporais, dogmáticas e inexoráveis.
Dizer que podemos livrar a religião do criticismo filosófico, este engendrado a partir dos grandes iluministas, é um erro crasso, que foge do escopo da própria filosofia em seu sentido “estrito”, o que difere do senso comum e das crenças verdadeiras. Assim como é errôneo dizer que o próprio movimento do cristianismo da era medieval fosse é um movimento que concebe o homem em toda sua totalidade a partir de pressupostos alhures à sua própria natureza humana e pragmática. Este é um erro oriundo não da tentativa de conceber Deus racionalmente, mas de impor ao homem, a partir de Deus, premissas santificadas que estão além de sua praticabilidade, que o remete à culpa de “nada”, e o amedronta por séculos até os dias de hoje.
Não creio que uma lógica axiomática de belos dizeres dogmáticos e religiosos venha a atender os grandes problemas da humanidade que estão, livremente, no acesso do campo da filosofia estrita e questionadora, que é um campo neutro, sempre sendo bombardeado, hoje, pela ciência e a religião.
Impreterivelmente a filosofia para alguns estancará no período medieval, e me pergunto se ainda assim os coadunados apenas com Platão, Sócrates e Aristóteles, que fomentam Agostinho e Aquino, não reduzirão ao pó os outros vieses filosóficos até a nossa contemporaneidade, que analogamente ao processo dialético histórico, também evoluiu.
Digo-lhe que há muitos problemas relacionados à atemporalidade e supremacia da verdade a partir da teologia, me parece que de fato ela só pode ser apreendida a partir de sua infantilidade expoente no inconsciente humano, caso contrário o homem, ao invés de ficar “encima do muro do agnosticismo” hoje, verificaria de pronto a improcedência da teologia como forma de controle passional versus a “racionalidade” da mesma.
Se não forem as questões políticas como debatemos de início aqui, adentraremos em outro debate exaustivo acerca daquilo que é “humanamente constituído” como verdades eternas, e muitas delas que endossam dogmas que não atendem as necessidades do homem moderno, se é que alguma uma vez o atendeu!
Há de ser compreendido aqui que as questões não são de caráter de refutação do viés religioso a esmo, mas sim de como esta é classificada dentro da teoria do conhecimento, e como pode ocorrer aos doutos da igreja se apoderar de questões que endossam a irrefutabilidade daquilo que é incognoscível, e quem tem o direto de determinar que Deus ora castiga, ora ama; ora perdoa, ora abençoa? Que contribuição estaríamos aqui falando deste “caldinho”?
Não dá para desatar Agostinho e Aquino nesta produção histórica, mesmo se assim fosse, iríamos descambar para outras questões muito pertinentes que estão inexoravelmente atreladas ao pensar peculiar de sua época mediante uma Europa desmantelada, em que o homem foi incitado a olhar para longe de si mesmo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A educação advinda da patrística e da escolástica não preparou o homem para o mundo - Osvaldo


Se nossa realidade “pragmática” é onde de fato nossas ações devem ser executadas, e disto se faz um debate atualíssimo sem solução, tampouco um viés que não atenda estas prerrogativas, circundado apenas de questões atemporais egoísticas que apreendiam sandices tais como vendas de indulgências, pecado original, maniqueísmo, e poder atemporal irrefutável, o fará.
É notório que a os procedimentos educativos contemplados por Agostinho e Aquino não contemplam as necessidades já questionadas outrora desde a antiga Grécia, este é mais um processo “estancado” no período medieval na qual o modelo educativo estava embasado nas premissas escatológicas de redenção e sublimação da infabilidade dogmática, que vem a calhar com o domínio do poder atemporal do papado mediante uma Europa desmantelada.
As necessidades práticas de uma educação não foram alastradas por todo o território no qual o papado exerceu um poder de interesses escusos para a perpetração de seu poder.
Em seu caráter dogmático e repressivo, este viés educacional levava o homem apenas a contemplar o ideal “post mortem” em detrimento das questões mais básicas de sobrevivência e praticidade, cuja escassez refletiu nos mais diversos campos do saber.
Podemos então dizer que se o homem não foi, em sua totalidade, promovido rumo ao seu potencial inato de diversidade e criatividade latente. Uma educação que se esmerava apenas em alguns dominadores e , entre eles a astronomia de singular caráter “exógeno”, mas ainda assim baseada nos moldes aristotélico, não poderia levar o homem a alçar suas características laicas que tomam maior fôlego na renascença e iluminismo.
Não é de fato inverossímil afirmar que este período “rompe” com a glória do pensamento humano engendrado pelo período clássico até o helenismo de Alexandre o grande.
Mais tarde o homem vai, em especial após o grande racionalismo e iluminismo, reclamar de volta sua genialidade latente e verificar que questões atreladas ao humanismo não estão necessariamente envoltas em teorias “bipolares” educativas, subliminares, e tampouco admitir que somente os poderes de dogmas podem unir o homem sem que este entenda a si próprio.
“Homem, antes de conhecer aos deuses e ao universo, conhece-te a ti mesmo”
E se tratando de iluminismo,no que tange a educação, podemos dizer que Rousseau delineou um método liberal para tal, cujo objetivo era desenvolver a criança sem destruir seu estado "natural".
As idéias do primeiro ensaio foram desenvolvidas no segundo, o Discurso sobre a origem da desigualdades entre os homens. A idéia central aí eras que o homem é naturalmente bom, e só pelas instituições é corrompido.
A partir deste raciocínio, Rousseau elogiou o que chamou de "bom selvagem": o homem primitivo não corrompido por coisas terríveis como educação e sociedade.
Rousseau enviou este ensaio a Voltaire, que respondeu: "Quem lê seu livro fica com vontade de andar de quatro"
Na verdade, Rousseau queria dizer que o homem primitivo parecia viver em unidade orgânica consigo mesmo, em harmonia, ao passo que o homem moderno vivia afastado de si mesmo
Podemos inferir disto que apenas todos o interpretavam como se estivesse dizendo "Ajam como primitivos".
Sua concepção de religião, de que sentimento, a emoção e o assombro eram uma espécie de prova de Deus, mudou a cabeça de muita gente, na verdade, tão completamente que as pessoas esquecem que essa concepção foi uma invenção de Rousseau, colocar o coração acima da razão, a poesia acima da ciência, dar ênfase ao sentimento, à emoção e aà imaginação, tudo isso era fundamental no romantismo.
Aos contrário das teorias da educação criadora (Helvécio, Locke...), Rousseau não considerava a educação como uma "segunda natureza", mas como uma continuação da natureza por todos os desvios possíveis e imagináveis.
O problema se torna um paradoxo quase insuperável, uma vez que se trata de socializar o ser humano sem "desnaturá-lo", educá-lo sem deformá-lo. Como elevar o ser humano à cultura sem sair da natureza? Para responder a um paradoxo como este, vai tratar-se de retirar a educação da mãos exclusivas dos educadores, tomando por norma última a própria natureza; querer secundá-la seria um erro, é preciso apenas segui-la sem o que, como Rousseau gosta muitas vezes de dizer, "tudo está perdido", não há mais remédio.
"tudo está bem, saindo das mãos do autor das coisas, tudo degenera nas mãos dos seres humanos" (livro I). partindo deste princípio, Rousseau vai tomar o contrapé da educação usual e sua deplorável tendência de querer fazer da criança um adulto "antes do tempo". Para chegar lá, ele inventa a "educação negativa" que consiste em seguir o desenvolvimento interno das faculdades (sensação, entendimento, razão, imaginação) e não apressá-las. Por exemplo, deixar de querer proteger demais as crianças, não ceder a todos os seus caprichos, especialmente pelo choro, não interpor palavras supérfluas, valores e idéias que não convém à sua idade. Este procedimento consiste em deixar trabalhar a natureza e as coisas prevenindo toda desnaturação das crianças. Assim, a educação negativa consiste em "não ensinar absolutamente a virtude nem a verdade mas em preservar o coração do vício e o espírito do erro.
Os sustentáculos educacionais da idade das trevas atendiam aos interesses do sacro império romano apenas.
A principio, devemos nos ater ao fato de que sacro império romano não tem relação com o grande império romano, este que é anterior a aquele.
Nada é muito diferente do que é hoje em termos de alicerces educacionais na idade media. Analogamente, hoje estamos prostrados a um subliminar e sutil jogo de interesses do poder vigente em sociedade, este que está alhures de um humanismo (não é a religião que dará as respostas para isto).
Grosso modo, podemos dizer,que enquanto tudo o mais se desmantelava na Europa, a igreja romana sistematicamente se organizava, transformando- se em força dominante.
Numa época de guerras e pestes , o Papado ocupou o vácuo político criado com a queda do Império Romano.
Pois bem, manobrando imperadores gregos, príncipes italianos, atacando vândalos, guerreando lombardos e francos e quem mais estivesse interessado num pedaço da Europa, o papado foi ampliando seu poder de forma consistente.
Num acordo com o franco Pepino, o Papa ficou com a cidade de Ravena e as terras italianas da igreja e, em troca, coroou Pepino rei em 751
O império bizantino foi contra e forçou outra cisão entre as igrejas do Ocidente e do oriente,. Para legitimar o acordo, forjou-se um documento, a “Doação de Constantino”. Segundo este documento, Roma e suas terras foram doadas ao Papado quando Constantino transferiu a sede do Império para Constantinopla em 312.
Em meio a esta desordem, podemos dizer, o filho de pepino, Carlos Magno, criou um breve renascimento. Fez-se coroar imperador pelo Papa no dia de natal do ano 800, que marca o inicio do Sacro Império Romano.
O grandioso esquema de Carlos magno era composto de dois sonhos: a criação do poder imperial dos Césares e a construção na terra da Cidade de Deus de Agostinho.