quarta-feira, 7 de abril de 2010

A “tomada” do pensamento sofístico,a tragédia grega e a “politicagem”.


Vale lembrar que no século V a.C, Atenas viva o auge de um regime de governo no qual os homens livres decidiam os interesses comuns a todos os cidadãos. Em outras palavras, eles determinavam, em discussões públicas, como a cidade deveria ser administrada, e era considerado cidadão o homem que possuísse alguma propriedade, que tivesse escravos e que não fosse estrangeiro. Sendo assim nem todos eram adeptos das decisões públicas, a saber, as mulheres eram excluídas também.
Bem, esta era, acredite se quiser, a democracia ateniense que, embora não distribuísse os direitos para todos de igual forma, representou uma importante mudança no modo de ver o mundo, pois isto parte do princípio que eles tinham de que o homem era soberano sobre seu destino.
No mesmo período, porém, a sociedade teve como auge de produção um gênero de teatro chamado de “tragédia”. Isto tematizava acontecimentos terríveis, muitas vezes míticos, com a intenção de “mostrar” as consequências de atos morais e passionais dos homens. A tragédia era também uma reflexão acerca dos conflitos entre a liberdade individual e o destino, e se pensarmos bem, isto era um assunto que incomodava e incomoda até hoje todo o “detentor” da linguagem de poder (democracia), e falando em linguagem de poder nos remetemos ao Estado, e do Estado aos políticos inseridos nos maiores lamaçais antiéticos. Afinal de contas, até que ponto eles terão poder sobre nossas vidas se reagíssemos contra estas falácias?
As propostas defendidas pelos cidadãos atenienses eram feitas na “Ágora”, e para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos, como falar bem e de modo convincente, um dom muito valioso. Por isto, analogamente aos dias de hoje , havia cidadãos que procuravam aperfeiçoar a habilidade de discursar para melhor convencer os outros.
Vemos aqui que a linguagem é subliminarmente presente em todos os recônditos do ser, e através desta, se imprimi os mais diversos temas de “credibilidade”, assim como a possibilidade de capacitar ou incapacitar o homem. O surgimento dos sofistas foi uma lacuna a ser preenchida em um estado “natural” do próprio movimento histórico da filosofia e das categorizações da linguagem.
Os sofistas, entretanto, não foram apenas professores, mas também estabeleceram uma corrente de pensamento própria. Sua preocupação filosófica se voltava para o homem e a vida em sociedade; as questões que ocuparam os pré-socráticos, dirigidas para a natureza e a essência do universo, e que se pode dizer que foram os primeiros “físicos”, foram colocadas em segundo plano.
Se a vida em sociedade clama por uma ordem, talvez a dicotomia metafísica e ciência poderia chegar a um consenso para olhar o desespero humano que é de forma primariamente social e miserável, bem mais do que as necessidades das descobertas estratosféricas ou da ordenação do mundo das idéias perfeitas. Fórmula que não tem dado certo até agora acerca da constituição de uma ética universal, pois a única “centralização” no homem até então é a do ganho próprio, e não a do bom senso através ainda da própria racionalidade.

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