domingo, 1 de novembro de 2009

Da metafísica e o ópio. (Osvaldo)


Muito se comenta nas comunidades em que eu participo acerca de diversas possibilidades que elucubram o porquê da humanidade chegar a este ponto em que estamos, mas muito pouco se fala aonde ela irá culminar.
A escola filosófica aponta diversas proposições à luz da expansão do conhecimento humano, livre do obscurantismo metafísicos e doutrinas incapacitantes, dogmatismos e determinismos.
A metafísica no sentido mais restrito da palavra é hoje sinônimo de apenas vida para além da vida, ou vida que não seja agora, e até mesmo a superação de mim mesmo de acordo com minhas “percepções”. Desvia-se desta forma de seu sentido filosófico de entender a humanidade sem estar baseado em dogmas ou formas superficiais para formular as indagações que intrigam a existência do homem e sua essência. Sendo assim metafísica não é religião, mas podemos pensar metafisicamente quando questionamos o motivo de sua prática e sua influencia no viver diário. Entretanto, ela não está interessada em saber como se faz, mas sim nos “porquês”.
Penso que algumas das escolas filosóficas mais existenciais deixam de lado esse verniz da metafísica quando esta aborda assuntos como: O que é real?; O que é liberdade?; O que é sobrenatural? O que fazemos no nosso planeta? Existe uma causa primária de todas as coisas?
De certo que o homem precisa se situar em sua existência ou até meditar na existência anterior à essência, vislumbrando assim caminhos de auto-supremacia de si mesmo, mas daí também é um passo ao abismo colossal, a grande maioria não quer o existencialismo, e sim o metafísico na sua corruptela.
O medo, a priori, de estar só, lança o homem aos estados mais diversos e mirabolantes de sua percepção no mundo, mesmo porque na nossa mente se processa toda forma que damos à realidade, maneira que concebemos este e a ordem que damos aos eventos e categorização de um mundo que nos é peculiar. Tampouco se resume a metafísica a um “esforço de se pensar com clareza”, aceitando percorrer a vida em axiomas em detrimento de um pensamento claro e da dialética.
O intelecto do homem não é tão forte quanto sua vontade, então acredita no que querem acreditar, em razão de seus esforços comuns e perpetuação de suas crenças a partir deste cenário cognitivo e empírico, dos fenômenos e suas próprias aspirações em relação ao objeto de sua vontade.
Somos então exortados, ao acompanhar o raciocínio que se segue, a suspender nossos juízos finais sobre as coisas.
Forma-se então um pilar no qual levantamos um raciocínio critico acerca dos valores que adotamos e de onde se originam, tanto quanto da necessidade de crenças religiosas ou dogmas dentro de um compêndio catastrófico que leva o homem para além da ética entre os semelhantes, para consigo mesmo e própria natureza.
Caminha-se, portanto, ao sabe-se tudo, mas nada se sabe, à alegoria da caverna de Platão, da necessidade de nos libertar da escuridão que nos aprisiona intelectualmente através da luz da verdade.
Ora o ser humano se perde em seus devaneios “metafísicos”, ora se perde na irracionalidade tecnológica enquanto própria impersonalidade, ou nos conhecimentos científicos sem saber a razão de sua prática e esquivando-se ainda de suas verdadeiras metas cientificas.
Situa-se o homem numa posição folgada mediante a capacidade de avanços advindos da vontade de controlar o que lhe é incognoscível.
A filosofia se situa num campo neutro, entre a teologia e a ciência, na qual é bombardeada por ambas as partes. Formou-se daí, por falta de conhecimento e mesmo por parte do processo evolutivo do homem o qual pensamos ser muito diferentes dos primatas, mas somos apenas pela razão, a necessidade do homem viver assistido, vigiado e julgado por um deus como ainda é pertinente nos dias atuais nos reality shows da vida.
As religiões, a necessidade da fé pelo incognoscível, a falta de ética no coletivo, o não exercício da cidadania, a falta de conscientização para com a natureza em seu limite, poderiam ser mais elucidadas à sombra do exercício do conhecimento desprovido do medo de conhecer sempre mais e da noção de libertar-se do dogmatismo e determinismo.

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